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Expresso

Notas da Católica

Investimento seguro

Uma variação dos preços continuada ao longo do tempo para a generalidade das coisas (inflação se há aumento, deflação se há diminuição) é causada por variações sustentadas da oferta e/ou da procura.

A deflação, por exemplo, pode ser devida a progresso tecnológico ou investimentos em capital físico e humano sustentados ao longo do tempo e aplicáveis na generalidade dos sectores. O melhor aproveitamento dos recursos e aumento da capacidade produtiva assim gerados leva a que os custos de produção e os preços diminuam, ao mesmo tempo que a oferta de produção aumenta. Isso é benéfico para a economia, trazendo aumentos de bem-estar.

Mas a deflação também pode ser causada por uma diminuição generalizada da procura, acompanhada de crises e falta de confiança no sistema financeiro. Quando as instituições e mercados financeiros se tornam menos capazes de transformarem activos e poupanças em gastos para consumo e investimento, a procura reduz-se em geral, e os preços e produção acabam por diminuir. Se a confiança no sistema não for rapidamente restabelecida, as pessoas antecipam descidas adicionais de preços, levando a que as compras sejam adiadas para esse esperado futuro próximo de preços mais baixos. A procura, os preços e a produção continuam a descer. Gera-se deflação, mas neste caso acompanhada de efeitos nocivos no bem-estar.

No meio da turbulência consome-se e investe-se pouco, o que também afecta a capacidade produtiva e bem-estar do futuro. Gostamos de fazer investimentos seguros e em tempo de crise tudo pode parecer arriscado.

Mas investir em capital humano, formação e educação, própria ou alheia, é sempre uma boa aposta. Por um lado, ao fazê-lo em épocas de fraca procura, o custo de oportunidade da formação é menor. Por outro lado, a formação aumenta, no futuro, a capacidade produtiva geral, e assim todos podemos ganhar mais quando a crise passar. Porque aí, os preços descem pelas boas razões!

Teresa Lloyd-Braga, professora da FCEE-Católica