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Expresso

Notas da Católica

Desempregados ou desaproveitados

Ouvi uma excelente reportagem na TSF sobre jovens que concluíram licenciaturas e que não encontram empregos dentro das suas áreas. A reportagem espelhava o drama em que vivem milhares de pessoas licenciadas, relegadas agora para o desemprego ou para empregos para os quais a sua formação académica aparentemente nada conta.

Para cúmulo, em muitas entrevistas de emprego, a licenciatura funcionava como um ónus e não como uma vantagem, uma vez que os potenciais empregadores viam na sobrequalificação um indício de que o empregado poderia estar apenas interessado temporariamente na vaga.

Desde já, aos desempregados licenciados uma palavra de encorajamento e de confiança, uma vez que as suas licenciaturas têm outras funções além da preparação para um emprego. O grau académico serve também de efeito sinalizador das capacidades do indivíduo, ou seja, um sujeito licenciado é um indivíduo capaz de concluir um grau de estudos superior e isso tem valor no mercado de trabalho por si só, tanto mais se o curso tirado tiver qualidade. Por outro lado, o ensino superior deve servir também de período de formação como indivíduo, muitas vezes configura a última oportunidade para aprendermos valores que são transversais a todas as ocupações.

Por outro lado, realçar que, com a saudável massificação do ensino superior, a tendência para licenciados a trabalhar fora da sua área de especialização é uma tendência crescente, como já acontece nos EUA. Esta é uma tendência que as novas licenciaturas de Bolonha vem acentuar, mas Bolonha abre as portas a uma formação mais flexível e mais adaptável a esta nova realidade.

Finalmente, uma nota para as universidades, que deviam ter a obrigação de divulgar dados de colocação dos seus licenciados. Esta não era uma medida que erradicasse o problema, mas, pelo menos, deixava de criar as falsas ilusões nos estudantes.

Ricardo Ferreira Reis, Professor da FCEE-Católica