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Notas da Católica

A experiência e a sabedoria

Muitos de nós acreditamos que a experiência é 'a mãe da sabedoria', e que o conhecimento adquirido através da experiência é mais valioso do que o conhecimento científico. Gostaria de propor uma visão diferente, demonstrada em numerosos trabalhos científicos na área de psicologia.

Primeiro, as nossas experiências não são determinadas apenas pelas nossas acções, mas também por outros acontecimentos ocasionais. Relacionar directamente as nossas acções com as consequências obtidas só deve ser feito se repetirmos estas acções em muitas circunstâncias diferentes e conseguirmos separar o efeito das acções do efeito do acaso. Devido às restrições de tempo e outros recursos, muitas vezes é simplesmente impossível acumular tantas experiências. Outro problema que encontramos quando queremos aprender com a nossa experiência é o problema das profecias auto-sustentadas ("self-fulfilling prophecy" em inglês). E facilmente ilustrado através de um exemplo clássico. Os professores de uma escola receberam a informação falsa de que os alunos de olhos azuis eram mais capazes que os outros. Consequentemente, os professores deram mais atenção a estes alunos, e no fim do ano, confirmaram, erradamente, que a cor dos olhos está relacionada com o sucesso académico. Finalmente, muitas das nossas experiências são o fruto da escolha de uma acção, e ficamos sem saber as consequências de uma acção diferente. Comparar as consequências de acções alternativas em situações iguais é, de facto, o método da experiência científica, já que este, sim, gera um conhecimento objectivo. Embora seja a mesma palavra, a experiência da vida por si só não é a mãe da sabedoria. De facto, a ciência pode ajudar a encontrar caminhos para vivermos experiências melhores, em vez de aprender só com as vividas.

Irina Cojuharenco, Professora da FCEE - Católita