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Expresso

Henrique Raposo

A direita de Novembro

A cena repete-se todos os anos: no dia 25 de Novembro, a direita portuguesa celebra a derrota do comunismo. O 25 de Novembro (25/11) é a oportunidade para os direitistas elaborarem uma inconsequente birra ideológica. Se deixasse de lado esta teatralidade, a direita talvez percebesse que o 25/11 é a causa principal da ilegitimidade das ideias liberais e conservadoras em Portugal. A inferioridade moral imposta à direita portuguesa não advém do 25 de Abril, mas sim do 25/11.

Nos anos do PREC, uma estranha forma de pluralismo circulava de boca em boca: o 'pluralismo socialista'. Aqueles que lutavam contra o 'socialismo autoritário' do PCP defendiam, em alternativa, um 'pluralismo socialista'. Na prática, isto significava o quê? Bom, significava que Portugal deveria ter vários partidos políticos, mas todos esses partidos tinham de ser socialistas. Mas que pluralismo poderia existir quando toda a gente era obrigada a ser socialista? Ora, o 25/11 consagrou este estranho pluralismo. Isto porque o PCP conseguiu impor um acordo que marcou a vida do regime até aos nossos dias. Os comunistas desistiram da ditadura comunista de partido único e aceitaram a democracia pluralista, mas, em troca, exigiram que todos os partidos tinham de respeitar a via socialista.

Foi este acordo que transformou este regime na coisa monocórdica que conhecemos. Foi este pacto entre o 'socialismo autoritário' e o 'socialismo pluralista' que deu o carácter apolítico e antipluralista à nossa democracia. Em 2008, ainda não existe um real pluralismo ideológico. Trinta e três anos depois, o nosso leque de escolhas continua a resumir-se ao 'socialismo pluralista' (PS, CDS e PSD) e ao socialismo demagógico (PCP e BE), a versão suave do velho 'socialismo autoritário'. O 25/11 matou a política em Portugal. Ficou tudo decidido ali. Vários partidos, mas uma só ideologia: o estado socialista.

Desde cedo, o estado socialista começou a seduzir a direita para o harém do regime: o Orçamento Geral do Estado. Lugares almofadados na administração pública para tecnocratas, pareceres faustosos para escritórios de advogados e negócios faraónicos para empresários, eis o que o harém tem oferecido à direita desde 1975. E a direita vive numa condição de inferioridade moral e ideológica porque aceitou ser comprada. Várias colecções de advogados e empresários gostam de dizer que são de direita em tertúlias pós-laborais, mas, entre as 9 e as 5, adoram espreguiçar-se à sombra do estado socialista imposto pelo 25/11. A promiscuidade entre negócios e política - a marca do regime - tem a sua raiz profunda em Novembro de 1975.

Medo

'Londonistão' (Alêtheia) exagera na retórica anti-islâmica, mas é uma excelente crítica ao clima de medo que se vive no Reino Unido. Este livro, da autoria de Melanie Phillips, revela como o ambiente intelectual britânico está minado pelo medo do politicamente correcto, o medo que provoca coisas cómicas (para não ferir susceptibilidades muçulmanas, os bancos baniram mealheiros em forma de porquinho) e coisas abjectas (para agradar à leitura islamita da História, as escolas retiraram o Holocausto dos seus programas).

Henrique Raposo