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Carros

Na apresentação do meu “Alentejo Prometido”, disse isto: “É bom ter aqui um dos homens mais ricos do país, Soares dos Santos, a alma da Fundação Francisco Manuel dos Santos, e um dos seus operários da Fima, um dos meus primos”. É esta a minha ideia de pátria: a divisão de classe é indelével, mas é domesticável; podemos conviver se soubermos limar o snobismo de uns e o ressentimento de outros. A minha gente não se indigna com o Ferrari do patrão desde que tenha dinheiro para ter o seu Ford. Ora, é este velho equilíbrio que está em causa no Ocidente. Não se percebe o trumpismo sem este facto: uma percentagem larga dos americanos deixou de ter dinheiro para comprar um carro. Os ‘coletes amarelos’ vêm do mesmo ressentimento: o carro, que era um símbolo de dignidade, está a ser posto em causa. Claro que as boas consciências que nunca passaram fome ou frio desdenham deste instinto. Se tivessem empatia pela pobreza, as boas consciências poderiam compreender algo que é evidente na realidade não-filtrada pelas redações da esquerda caviar: as regras ambientais não podem ser lançadas contra o povo só porque a elite quer apaziguar a sua consciência ambiental.

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