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Graus de dor

A epopeia do pobre é mais áspera do que a epopeia do gay. A saga pela liberdade em relação à fome e frio é muito mais angustiante do que a saga pelo orgulho gay; a primeira está ao nível da própria sobrevivência. Ser gay ou hetero conta pouco quando se tem fome, quando não se tem dinheiro para aquecimento ou medicamentos. Calma, calma: guardem os vossos tweets e os vossos autos de fé, não tenho medo, até porque já não tenho nada para queimarem. Além disso, nem sequer estou a denegrir a saída do armário sexual. Estou apenas a dizer que o armário do pobre é muito pior e merecia ter, pelo menos, metade da atenção que tem sido dispensada ao armário do gay. Aliás, esta assimetria entre o excesso de atenção dado à saga do homossexual e a reduzida atenção dada à saga do pobre, sobretudo o pobre branco, está na base do mal-estar coletivo que tem sido descrito com o eufemismo “populismo”.

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