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Âncora

O conservador é a âncora. É por isso que é o mais desprezado do salão. Quando olhamos para um navio, enamoramo-nos das velas abauladas ou do casco torneado. A âncora nem aparece. No entanto, não há navegação sem aquele ferro. Sem âncora, o navio é um museu. Gosto de ser a âncora. Mas há que ter cuidado com um pormenor que distingue o conservador do reacionário: a âncora não é cabo de amarração. A âncora faz parte de um objeto movente. Esse movimento chama-se história. Defensor das regras eternas do reino, o conservador não pode pensar que já está no reino; tem de saber negociar essas eternidades com os momentos relativos. Não pode pensar que vai fixar o navio numa dada coordenada, largando a âncora para sempre. Isso não é um navio, é um castelo sobre as águas, uma quimera tão perigosa como a utopia daqueles que acham que só precisam de velas.

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