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Opinião

Quando uma acusação se transforma na própria sentença

Henrique Monteiro

Henrique Monteiro

Ex-Diretor; Colaborador

Alguém acusado de ser racista, ou de bater na mulher, ou de assediar, ou de fazer bullying, ou de qualquer coisa que esteja no radar dos crimes modernos não carece de um julgamento imparcial para ser condenado. A acusação é já a sentença. E esta recai sobre vivos, mas também sobre mortos, como se pôde ver pelo lamentável episódio dos estudantes que quiseram remover a estátua de Cecil Rhodes da Universidade de Oxford.

Mais devagar, por cá as coisas vão chegando. Já há uma reivindicação para se devolver a Angola algumas obras de arte. Não digo que ‘algumas’ (no preciso significado que a palavra tem) não seja justo. Mas a História não se compadece em ser vista com os olhos de cada época. Se assim fosse, teríamos de chegar à conclusão que todos somos descendentes de assassinos, colonialistas, racistas e violadores. Os outros, os santos, no geral não deixam descendência. Como mentes esclarecidas já escreveram, teríamos muito a pedir a França, depois Junot e Loison (o maneta, da expressão ‘foi tudo para o maneta’) terem roubado centenas de peças de arte nas invasões napoleónicas. Como várias coisas teríamos de devolver ao Brasil e a qualquer colónia. Pondo-se a questão de a quem pertence a arte feita por portugueses nessas paragens? A Sinagoga portuguesa de Amesterdão ou de Nova Iorque, por exemplo, para não falar do imenso e valioso barroco do Aleijadinho deixado nas igrejas de Minas Gerais.

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