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Sinceridade

Maria de Fátima Bonifácio escreveu na revista do “Observador” uma peça autobiográfica notável. O texto é sobre Maio de 68, o subtexto é sobre a cultura cínica e engraçadista que o individualismo soixante-huitard impôs à modernidade, transformando-a em pós-modernidade. Às tantas, Bonifácio escreve assim: “Fui de imediato encaminhada para a contemplação da sagrada relíquia”, a mesa de Lenine; “olhei-a, via-a com emoção e respeito (a sério)”. Quero destacar este “a sério”. A autora sente necessidade de reforçar a sinceridade daquela emoção, sente necessidade de dizer ao leitor que não está na paródia. Isto sucede porque vivemos numa atmosfera cínica que parte do pressuposto de que é impossível sentirmos uma genuína adesão a ideias ou a emoções superiores ao dispositivo engraçadista do “eu”.

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