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Expresso

João Vieira Pereira Diretor-Adjunto

O nosso amor ao papel – Edição Especial

5 de Janeiro de 2019

Bom dia,

O Expresso não é só papel. É muito mais. Mas não esquecemos o nosso berço. Aliás, adoramo-lo. Lembro-me da primeira vez que disse olá a uma rotativa de jornais. Ela cuspia papel num frenesim de preto e branco e não me conseguia ouvir com o estrondo de cada exemplar a sair das suas mandíbulas. Ignorou-me e eu apaixonei-me!

O Expresso nasceu em 73. Eu também, 16 dias depois, mas parece que foi ontem. Desde então muito mudou. Já não somos só papel. Mas acreditamos nele. E acima de tudo acreditamos no jornalismo, naquele que é a marca do Expresso, que marcou gerações e fez crescer homens e mulheres livres. E se muito mudou também na forma como se faz jornalismo, os valores permanecem os mesmos. Temos um código de conduta que nos orgulha e onde vamos buscar os ingredientes que nos mantêm fieis a um estatuto editorial.

Amanhã o seu jornal faz 46 anos. Mais um de muitos. E hoje nas bancas tem uma edição que é especial, como são também todas as outras, mas que inaugura uma nova fase da nossa vida em comum. Da nossa com o leitor. Há 30 anos o Expresso inovou ao passar a ser vendido num saco de plástico. Hoje muda e assume o amor ao papel. Sem renegar o seu papel. E o papel que tem na sua vida.

Por isso, se ainda não o fez, saia do conforto de sua casa, do café, largue o telemóvel e vá comprar o Expresso. Com um novo saco desenhado por Joana Vasconcelos. E comemore connosco mais um ano. Para que possa também dar os parabéns a todos os que fizeram e fazem o Expresso e a todos os leitores que nos seguem.

Vá e desfrute destas e muito mais notícias

Professores a zero? O Governo vai voltar a negociar com os professores mas ou os sindicatos deixam cair a exigência de ver pagos os nove anos, quatro meses e dois dias congelados nas respetivas carreiras, ou podem ficar sem nada. Se não conseguirem chegar a acordo nos termos definidos por Mário Centeno — “terá de haver estímulos dos dois lados para equacionar situações diferentes” —, o Governo pode nem sequer insistir no decreto que dava aos professores dois anos, nove meses e 18 dias e que foi vetado pelo Presidente da República, optando por deixar tudo como está.

50 e poucos minutos para discutir o essencial A nova Lei de Bases da Saúde e a revisão da Lei de Programação Militar, duas iniciativas do Governo, serão debatidas em plenário no dia 23 de janeiro. Mas de acordo com proposta do executivo, e aceite por todos os grupos parlamentares, serão debatidas em 55 minutos e 30 segundos cada.

Euromilhões para Medina e Moreira Os cofres estão cheios em Lisboa e no Porto. Fernando Medina tem este ano 1472 milhões de euros para gastar, mais 8% do que no ano passado. É o maior orçamento e também o maior investimento de sempre. E Fernando Medina bem pode agradecer ao turismo e à febre imobiliária que lhe garantem quase metade das receitas totais. No Porto, a Câmara Municipal abre o ano novo com o maior orçamento de sempre, mais 14,2% do que em 2018 e mais quase €100 milhões do que no último exercício de Rui Rio, em 2013.

Vem aí um novo aeroporto e um velhinho a cheirar a novo A negociação foi difícil mas já há luz verde para o tão esperado acordo entre o Estado e a ANA, a concessionária dos aeroportos portugueses, para aumentar a capacidade aeroportuária em Lisboa. O Governo acabou por ter de ceder na intenção de alterar significativamente o contrato de concessão assinado com a ANA e a empresa vai ter de investir mais. São 1150 milhões de euros para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa em troca de um aumento de tarifas, embora menor ao inicialmente previsto. Entre as novidades está ainda o fecho da pista 17/35 na Portela, a compra de Figo Maduro à Força Aérea, o alargamento do estacionamento para aviões, a construção de um novo hangar para os militares e entidades oficiais, novos acessos rodoviários, mais espaço para check-in de passageiros, e a confirmação do Montijo como solução, embora não só para voos low cost, como inicialmente previsto.

Assis pede maioria absoluta Três anos depois da criação da ‘geringonça’, Francisco Assis mantém as críticas que fez à solução política encontrada, e que o condenou a um ostracismo que diz viver “sem dramas”. Quanto ao futuro, tem uma certeza: o PS tem de se libertar de BE e PCP e governar sozinho. Com ou sem maioria. E lança Augusto Santos Silva para suceder a António Costa na liderança do PS.

Livre de um O Ministério Público pediu a absolvição de Duarte Lima no caso de abuso de confiança de que teria sido vítima Rosalina Ribeiro, a companheira e ex-secretária do milionário Tomé Feteira. A procuradora Paula Soares admitiu nas alegações finais que a prova feita em julgamento foi “insuficiente para pedir a condenação” do ex-líder parlamentar do PSD. Duarte Lima tinha sido acusado pelo mesmo MP de se ter apropriado indevidamente de cinco milhões de euros que pertenciam a Rosalina Ribeiro.

Papel a montes São 26 quilómetros de prateleiras arrumadas em três mil metros quadrados de uma antiga fábrica de congelados em São João da Talha. Visita ao maior arquivo judicial no país, criado há 20 anos para aliviar a falta de espaço nos tribunais. E continua a receber mais de 100 maços de papel por mês — só de processos da comarca de Lisboa. Mas não é o único. As prateleiras de papel do Estado poderão ter entre 5 e 6 mil quilómetros. É como fazer uma linha reta em papel de Lisboa ao Polo Norte.

A guerra pela corrupção entre Governo e OCDE De dois em dois anos a OCDE publica um relatório sobre a economia portuguesa que não costuma suscitar grande alvoroço. Este ano a situação via ser diferente por causa da corrupção, um tópico novo, escolhido pela equipa de Álvaro Santos Pereira, que o Governo considera forçado, pouco sustentado e que deixa Portugal mal na fotografia. Nos bastidores sucedem-se as pressões para que o organismo deixe cair alguns dos conteúdos.

Milhões pelo cano As duas concessões Litoral Centro (Brisal) e Autoestradas do Douro Litoral (AEDL) destruíram €2 mil milhões, repartidos pelos consórcios promotores liderados pela Brisa e pelo sindicato bancário que participou no project finance. Além da Brisa, construtoras fragilizadas ou em agonia como a MSF Engenharia, Lena e Novopca, com 20% na Brisal, sofrem com a desgraça do negócio. O modelo foi elaborado com base em pressupostos de tráfego que a realidade destroçou. Serviço público, perdas privadas.

Mota ataca preços António Mota, patrão da Mota-Engil, continua confiante na retoma da indústria em 2019 pela conjugação do dinamismo da componente privada e um novo fôlego na obra pública. Mas quando se fala de preços tudo muda. É que a “carteira de obras é exígua. Umas construtoras precisam de trabalho para aguentarem, outras de bases para crescerem. E tudo isso esmaga os preços.”

A banca do futuro, made in Portugal À primeira vista, parece um espaço de coworking com vários trabalhadores independentes ou de diferentes empresas. Veem-se homens e mulheres de várias gerações, uma zona lounge, mesas de trabalho e tablets... muitos tablets. À nossa frente, um ecrã gigante saúda os visitantes. “Bem-vindo ao Atlântico Europa”, lê-se. Bem-vindo ao futuro da banca.

Baixa bate liberdade Pela primeira vez desde que há registos, as rendas das lojas de rua na Baixa superaram as da Avenida da Liberdade, a principal artéria de luxo de Lisboa. Além disso, estão muito próximas dos valores praticados no Chiado, a zona de retalho mais cara da capital portuguesa.

No coração de Joana Aceitou desenhar o primeiro saco de papel do Expresso, e nós acompanhamo-la numa visita ao interior da sua fábrica de sonhos. Uma reportagem no atelier de Joana Vasconcelos.

Menos que dois pacotes de arroz Esperam dias, semanas, meses, pelo anúncio da alta hospitalar. Festejaram cada pequena conquista, a autonomia respiratória, o primeiro colo pele com pele, a circulação sanguínea perfeita, cada milímetro a mais na fita métrica, cada grama acrescido na balança. No Hospital Amadora-Sintra, uma equipa de enfermeiros visita os bebés prematuros após a alta, em casa. Mais do que os recém-nascidos, é a família que chora por ajuda. Ninguém está preparado para cuidar de um filho que pesa menos que dois pacotes de arroz.

O que se passa Talvez o mundo tenha mudado apenas com uma aplicação. Cada mês a mais no calendário são mais de 28 mil milhões de horas, mil milhões de dias ou 3,2 milhões de anos no WhatsApp. Os números são avassaladores e este planeta-app não para de crescer. Nasceu para que os utilizadores pudessem falar em segurança e liberdade, mas tornou-se um lugar bem diferente. Hoje é também na aplicação utilizada por 1,5 mil milhões de pessoas que circulam notícias falsas, se planeiam ataques terroristas, promovem políticos extremistas e se reúnem pedófilos para partilhar imagens e vídeos.

Jonathan Littell Bastou publicar um livro para se tornar o escritor do momento. E o lançamento de “Uma História Antiga” atirou-o de novo para as bocas do mundo. Não é homem de conversa fácil, mas aceitou falar em exclusivo com o Expresso. A entrevista a não perder.

Os meus aperitivos do Expresso estão servidos. Este Curto fica por aqui. Tenha um ótimo fim de semana, na companhia do seu jornal.

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