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Expresso

Cristina Peres Jornalista de Internacional

Xi em Lisboa, Marcelo em Pequim e Uma Faixa e Uma Rota por todo o mundo

5 de Dezembro de 2018

A relação com a China está “no melhor período da história”, afirmou ontem o PR chinês em Belém, depois de ter convidado Marcelo Rebelo de Sousa a visitar Pequim em abril do próximo ano, altura em que o PR português participa no II Fórum Internacional e onde assinará um memorando sobre o plano de investimento na iniciativa chinesa Uma Faixa e Uma Rota.
Xi Jinping está em Lisboa desde ontem e vai hoje ao Parlamento encontrar-se com Ferro Rodrigues, seguindo depois para o Palácio de Queluz, onde se reúne com o primeiro-ministro António Costa. Trânsito condicionado, Hotel Ritz em exclusivo, limusines próprias e residentes da zona revistados à entrada e saída da zona delimitada em torno do hotel abrilhantam a primeira visita a Portugal do Presidente da China que mais poderes chamou a si desde Mao Tsé Tung.
Quando o tema é China, e o tema hoje é certamente China, pode falar-se de um aspeto frequentemente escamoteado: existe um défice de informação de parte a parte. Ainda ontem, numa conferência organizada pelo Clube de Lisboa a propósito da chegada de Xi Jinping a Lisboa, a investigadora do think tank britânico Chatham House Jie Yu dizia na Lisbon Talk sobre a estratégia da política externa chinesa e a Europa que uma das falhas dos conselheiros chineses é a ignorância do que se passa “na América que votou em Trump”. Segundo defende Jie Yu, aparentemente, quanto aos EUA, eles conhecem melhor Wall Street do que a América profunda. Aparentemente, passa-se o mesmo com o Ocidente em relação à China. “Money, might and Mindset - China’s Self-centred Global Ambition” é um estudo publicado pela Chatham House em novembro passado. Na versão apresentada em Lisboa, a investigadora sublinhou a “Europa e o retorno do Império do Meio”, que usa dinheiro para expandir o poder político, vê-se como parte da comunidade internacional e "está a tentar incluir-se na ordem económica mundial”. “A China é um poder híbrido, uma economia dinâmica de emersão recente com poder totalmente centralizado”. Não espanta que a pergunta a fazer seja: “O que está realmente a acontecer lá?”.
Um (grande) artigo do “New York Times” de 18 de novembro intitulado “A terra que falhou falhar” (The Land that failed to fail) lembra que a China que hoje é líder mundial em termos de número de proprietários de casa própria, em termos de utilizadores de internet, em número de estudantes que terminam o liceu e, segundo as contas de alguns, em número de multimilionários, ainda no início da década de 1980 tinha três quartos da sua população a viver em pobreza extrema. Com esta “classe” reduzida a 1%, a China tornou-se numa potência mundial e no rival mais sério dos Estados Unidos desde a queda da União Soviética.
Em três décadas, “o antigo império vermelho de Mao tornou-se a segunda maior economia do globo. Ultrapassou o Japão em 2010, vai ultrapassar a zona euro em 2019 e quer bater os Estados Unidos em 2030”. Jorge Nascimento Rodrigues explica aqui tudo em dez números.

OUTRAS NOTÍCIAS
Sismo de magnitude 7,5
registou-se esta madrugada no Pacífico, ameaçando a Nova Caledónia e Vanuatu. O alerta de tsunami foi acionado, já foram observadas ondas, mas não há vítimas mortais.

O acordo para o Brexit em perigo. Theresa May sofreu ontem à noite três derrotas nos Comuns assim que se pôs a “vender” aos deputados mais resistentes o acordo que negociou com Bruxelas. A confusão está instalada (já estava…) e May lembrou que “vale a pena pensar no que nos trouxe até aqui”. Como se não bastasse, um conselheiro do Tribunal Judicial europeu defende agora que o Reino Unido pode legalmente cancelar o Brexit. Sim? Como? É sustentável? Leia aqui como.

Os senadores norte-americanos querem que seja mandada uma mensagem clara ao Governo saudita: segundo informações disponibilizadas pela CIA, é impossível que o chefe da casa saudita, o príncipe Mohamed bin Salman, não tenha estado envolvido no assassínio do dissidente Jamal Khashoggi.

Macron recua, coletes amarelos não desistem. O Governo francês suspendeu o aumento do preço dos combustíveis, mas os manifestantes classificaram a medida como “demasiado pouco, demasiado tarde”.

O Banco de Portugal apresenta hoje o Relatório de Estabilidade Financeira.

Seis argumentos para acabar com o IMI são hoje apresentados em versão livro pela pena de Rui Nuno Baleiras, Rui Dias e Miguel Almeida. O livro passa em revista 40 anos de finanças locais.

Passam hoje cinco anos sobre a morte de Nelson Mandela, ex-líder do ANC que foi o primeiro Presidente negro da África do Sul, Prémio Nobel da Paz de 1993. Freedom fighter, opositor do apartheid, o regime racista da África do Sul que deixou de existir no início dos anos 90 com o seu contributo. O site Sowetan Live dá conta das festividades por lá.

Ouviu falar no tremor de terra de literalmente partiu partes do Alasca na sexta-feira? Se não, veja as imagens incríveis que “The Washington Post” aqui reuniu. Desastres destes não podem senão evocar alterações climáticas. Ou como o homem não para de construir em zonas de risco…

O politico.eu elegeu Matteo Salvini, o PM italiano, a pessoa (na sua lista das 28) que mais influenciará a Europa no próximo ano. A lista é anual, mas este ano, as pessoas que mais vão “abanar, mexer e agitar” a Europa foram pela primeira vez divididas em três categorias: fazedores, sonhadores e disruptores. A ex-primeira-ministra ucraniana, Yulia Timoshenko, e Joana Vasconcelos constam da lista. Se quer descobrir em que categoria leia aqui?

De indesejados a “ilustres convidados”, é como título o angolano “Novo Jornal” o artigo sobre a receção no Palácio da Cidade Alta, Luanda, de Rafael Marques e Luaty Beirão, entre outros, para um encontro do Presidente João Lourenço com representantes da sociedade civil. A iniciativa do Presidente, inédita em Angola, tinha por objetivo discutir “temas da atualidade”.

Sabia que a luz azul das estações de metro japonesas conseguiram reduzir os suicídios em 84%? Aprenda com o Citylab este e outros truques descobertos e usados pelos grandes especialistas em comboios que são os japoneses.

Charlotte Prodger (realizadora de filmes em iPhone) venceu ontem o Prémio Turner 2018 (25 mil libras). O prémio foi anunciado ontem à noite na Tate Britain, Londres, pela escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Manchetes do dia: “Sarampo: Taxa de vacinação não garante imunidade em Lisboa”, Público; “Parlamento fora de controlo - Tribunal de Contas critica a AR: é impossível fiscalizar se pagamentos aos deputados são devidos”, jornal i; “Fisco acaba com faturas de papel já em janeiro”, JN; “IVA automático obriga a verificar faturas”, Negócios; “Pinho limpa 2,7 milhões em perdão fiscal”, CM

FRASES
“Sinta-se em casa, senhor Presidente Xi Jinping tal como nós nos sentimos em casa na China há 500 anos”, Marcelo Rebelo de Sousa, PR durante as declarações aos meios de comunicação social ontem no Palácio de Belém

“Já estamos num mundo mais chinês”, Carlos Gaspar, investigador do IPRI ao Público

“Parece existir da parte da China uma predisposição para conferir a Portugal um estatuto e um tratamento pelo menos próximo do que tem sido dado aos principais Estados europeus”, Tiago Moreira de Sá, professor da FCSH da Nova e investigador do IPRI ao Público

“É confrangedora a quebra de qualidade que ultimamente se verificou na escolha dos responsáveis políticos”, Marques Mendes, conselheiro s wEstado e ex-político do PSD citado pelo jornal i a propósito do lançamento do livro que lança hoje com prefácio do PR, posfácios de Cavaco Silva e de Jorge Sampaio, sobre a criação da RTP Internacional

O QUE ANDO A LER
Já aqui não falo de livros há algum tempo, mas os temas que me atraem surgem sob muitas outras formas. É por exemplo o caso deste artigo do Guardian cujo título poderia ser traduzido por “Então? Isso é nosso!” (Hey! That’s our stuff). Como os museus ocidentais estão recheados de artefactos roubados, é de imaginar o que poderiam ensinar os descendentes dos povos saqueados aos curadores desses museus ocidentais. É o que se imagina a partir de uma fotografia que neste artigo mostra visitantes da tribo Maasai (Quénia e Tanzânia) em diálogo com os curadores do Museu Pitt Rivers de Oxford, um dos museus etnográficos mais importantes do mundo. Culturas vivas cujos objetos “ali foram parar”. Uma história encantadora que mostra que há bons encontros quando há disponibilidade para “o outro”.
Um artigo de opinião do site This Is Africa defende que, 134 anos após a conferência de Berlim, que desenhou as fronteiras dividindo os países entre as potências colonizadoras, é tempo de África tomar as rédeas e salvar-se. Mapas incluídos.

Ponto final no Curto por hoje. Fique atento à atualização que vamos fazendo em www.expresso.pt, Expresso Diário lá para as 18h, Tribuna, Blitz e Vida Extra em grande atividade. Tenha um ótimo dia!

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