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Paula Santos Editora-Executiva Expresso

O Ai Jesus de Rui Vitória

29 de Novembro de 2018

A noite era do FC Porto, mas o Benfica acabou por lhe roubar o protagonismo. Bastava espreitar os sites de notícias e percorrer em poucos segundos os canais de informação das televisões. Não se pode dizer que tenha sido uma finta totalmente inesperada. Já se fazia adivinhar há dias, ou mesmo semanas. Ficou ainda mais à vista na terça-feira em Munique.

A estratégia de Rui Vitória, que tantos aplausos já arrancou na Luz, soma agora descontentamento, assobios e lenços brancos. Nada que não se tenha visto antes no futebol. Tudo está bem enquanto corre bem. O pior vem a seguir. E o que se segue parece não merecer dúvidas, é a rescisão quase certa do treinador. Pedro Candeias, Editor de Desporto do Expresso, traça, na Tribuna, as hipóteses do cenário pós Rui Vitória.

O dia promete vários episódios e capítulos em torno do Benfica, pelo que, sobre este assunto, vou ficar por aqui.

Mas o futebol não sai de cena sem que eu regresse ao início do meu texto e ao FC Porto. A crise no Benfica pode ter desviado o foco para outro tema, mas ninguém lhe tira o mérito de ter confirmado ontem, a uma jornada do fim, a qualificação para a fase seguinte da Liga dos Campeões. Nem o brilhante primeiro lugar que assegurou no grupo. A Lídia Paralta Gomes explica que nada surge por acaso nestes resultados do FC Porto.

Concluo esta ronda ainda dentro das 4 linhas a lembrar que o Sporting entra em campo mais logo quando faltarem 5 minutos para as seis da tarde. A equipa de Alvalade joga com o Qarabag no Azerbeijão. E precisa ainda de uma vitoria para garantir o apuramento na Liga Europa. O novo treinador está otimista. A SIC transmite o jogo em direto.

Passemos para outras contas que nos vão prender a atenção desta quinta-feira. Fica fechado o Orçamento do Estado para 2019. Um mês depois de ter sido aprovado na generalidade. Já só falta o fim da discussão e a votação final global.

Aguarda-se o balanço do primeiro-ministro, que não falou na apresentação do OE em plenário e tem remetido as declarações para o encerramento dos trabalhos. Vai ser uma sessão sem surpresas. PS, Bloco, PCP, Verdes e PAN aprovam o documento.

Do último dia de negociações, deixo uma espécie de roteiro do que fez notícia. Foi aprovado, com os votos da esquerda, o novo escalão no adicional ao IMI.

Caíu, por outro lado, a taxa para financiar a Proteção Civil. Depois de ter sido considerada inconstitucional, por ter características de novo imposto (sem o ser formalmente), tinha chumbo à vista. Foi mais um exemplo uma aliança esquerda/direita para travar uma decisão do Governo.

Aumenta o cerco à fuga ao fisco. Uma proposta do Bloco que permite ao aparelho fiscal investigar as entidades que beneficiaram de 3 perdões fiscais passou no Parlamento com os votos de PS e PCP. Ao todo, os perdões permitiram a legalização de seis mil milhões de euros depositados no estrangeiro. O fisco passa a ter acesso aos processos, embora, como explica a Elisabete Miranda, a proposta original não tenha passado na totalidade.

Sublinho ainda a estranheza da ministra da Saúde em relação a uma norma que foi aprovada e que implica a inclusão de três vacinas no Plano Nacional de Vacinação. Acontece que a DGS não foi ouvida no processo. Marta Temido refere que a “universalização de vacinas deve ser sustentada por critérios muito precisos e rigorosos”. A ministra aguarda a redação final do texto aprovado.

Deixo para o fim uma nota sobre o descontentamento revelado pela Liga de futebol. E o que tem a Liga a ver com o orçamento do estado? A Liga estranha que a descida do IVA, que abrange as touradas e os espetáculos culturais, não chegue também ao futebol profissional e ao desporto em geral. O comunicado é extenso, não tem palavras meigas, e utiliza termos pouco habituais, como pode ler na Tribuna.

OUTRAS NOTÍCIAS

As autarquias vão ser obrigadas a gerir estradas nacionais.

Importam-se de repetir? É o JN quem conta que foi ontem publicado um decreto-lei com entrada em vigor a partir de 2021, que obriga as câmaras – mesmo que não queiram assumir essa responsabilidade – a zelar pelas estradas nacionais. A mudança abrange todos os municípios, embora atribua maiores responsabilidades aos autarcas que aceitem a proposta.

Quem recusar terá, ainda assim, de partilhar responsabilidades de gestão com a infraestruturas de Portugal. O decreto não concretiza as exigências concretas atribuídas aos autarcas e as consequências em caso de falha.

Não sabemos se esta intenção governamental já estava planeada antes da derrocada de Borba, mas podemos estar certos que vai alimentar a discussão num caso que está longe de encerrado.

A verdade é que há 3 vítimas por resgatar. O trabalho para descobrir os desaparecidos no fundo da pedreira é considerado muito difícil e mesmo arriscado. As equipas de mergulho continuam no terreno. Utilizam um sonar da marinha, enquanto tentam esvaziar parte da pedreira mais pequena. Uma operação marcada pela cautela, com detalhes que a reportagem de uma equipa da SIC mostra pela primeira vez.

Operação Marquês. Ricardo Salgado perde recurso. O Tribunal da Relação de Lisboa negou provimento ao recurso em que o banqueiro questionava a validade dos despachos do Juíz Carlos Alexandre. Recurso rejeitado porque os juízes consideraram os requerimentos “manifestamente inconsistentes” e reveladores de “falácias evidentes na sua argumentação”. A Operação Marquês tem 28 arguidos, 19 pessoas e nove empresas, Um deles é o ex-primeiro-ministro José Sócrates. A instrução do processo está prevista para a última semana de janeiro.

E por falar no Tribunal da Relação… e no juiz do processo Marquês, há uma decisão importante a contrariar uma indicação de Ivo Rosa. O cidadão marroquino Abdesselam Tazi vai mesmo ser levado a julgamento, acusado de pertencer ao grupo Estado Islâmico e de recrutar operacionais em Portugal. Ivo Rosa não aceitou alguns dos factos descritos na acusação. O que terá causado “perplexidade” à Relação que, além dos recados que deixa, decidiu agora em sentido contrário.

A PJM deteve um homem suspeito da morte de um militar no Regimento de Comandos da Carregueira. Os acontecimentos remetem para setembro deste ano, altura em que o comando foi atingido por disparo de arma de fogo. A investigação da Polícia Judiciária Militar concluíu que se tratou de um disparo intencional, ao contrário de outros cenários colocados na altura.


“Há um clima de confrontação, divisão e hostilidade que é excessivo, não é normal”. As palavras são de Manuel Castro Almeida, vice-presidente do PSD, entrevistado pela Rádio Renascença e pelo jornal “Público”. “Tem de haver um esforço de aproximação das duas partes”, acrescenta Castro Almeida, que pede “tréguas” para que o PSD não “caia num suicídio coletivo”.

Tripulantes de cabina e Ryanair chegam a acordo. O braço de ferro durava há cerca de um ano. O acordo prevê que os contratos passem a ser feitos à luz da legislação laboral portuguesa.

Sindicatos dos estivadores, operadores portuários e Governo retomam hoje as negociações para resolver o conflito laboral no porto de Setúbal. A Ministra Ana Paula Vitorino acredita que vai haver acordo, mas ainda não há fumo branco. O conflito, com greve à mistura, dura há 24 dias.

Como anda o preconceito e a discriminação na Europa? A Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia quis saber e fez inquéritos e entrevistas em 12 países europeus. Os dados foram conhecidos esta quarta-feira e a resposta é afirmativa. O racismo existe e raramente é acompanhado por queixas formais. Salva-se a conclusão final: Portugal é o país, entre os estudados, onde as pessoas com descendência africana se sentem menos discriminados. A Finlândia está no lado oposto.

Aproveito esta deixa para seguir o rumo dos destaques deste dia 29.

MANCHETES

Visão – “Estamos mais intolerantes?”

Sábado – “Salazar gastou milhões a branquear o regime”

Jornal I – “Novo juiz da Operação Marquês é desautorizado por Tribunais superiores”

Público – “Governo sob pressão para aplicar regras de idoneidade no Montepio”

Negócios – “Dispensa do PEC vai ser automática”

JN – “Governo obriga câmara a gerir estradas nacionais”

Correio da Manhã – “Comando mata comando com G3”

A Bola – “Ponto Final” (situação de Rui Vitória)

Record – “Vitória na porta de saída”

O Jogo – “Champions está-lhes no sangue”

Agasalhe-se esta quinta-feira. Há frio e a chuva. O alerta da Proteção Civil refere a chegada de mais chuva, trovoadas e agitação marítima.
Começa no norte e centro, mas vai atingir o país todo. A hipótese de inundações não está descartada.

O QUE ANDO A LER

Melhor dizendo, o que estou a começar a ler. O autor (que já disse que não se sente um autor) é Ricardo Araújo Pereira. “Estar vivo aleija” é um livro que junta as crónicas que escreveu para o jornal “Folha de São Paulo” desde 2017. Tal como já tinha feito com as crónicas que publicou semanalmente na revista “Visão” e de onde resultaram quatro volumes.

As crónicas publicadas no Brasil têm um registo diferente. Os temas são mais abrangentes O livro chegou às livrarias em Portugal em setembro pela mão da Tinta-da-China.

Já agora, vale a pena espreitar ainda um outro livro que serve de alerta para os mais jovens, mas essencialmente para quem não domina os perigos da navegação online.

É sobre o cibercrime, a cibersegurança e outros perigos. A dupla Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada assina esta “Armadilha digital”, que foi apresentada pelas autoras esta terça-feira na escola Fontes Pereira de Melo no Porto.

A Ver

Ainda no Porto, estreou há 3 dias no Teatro Sá da Bandeira a peça “Gisberta”. Não é por acaso que a estreia aconteceu no norte. O texto é uma homenagem a um caso da vida real, que aconteceu há 12 anos no Porto e que prendeu a atenção de todos. Pelas consequências que teve e por toda a sua envolvência. Muitos ainda se lembrarão do caso de Gisberta, a transexual que morreu às mãos de 14 jovens, todos menores, que a agrediram durante vários dias. A peça chega a Portugal pela mão do ator da Porta dos Fundos Luís Lobianco, depois de ter estado em palco no Brasil. Além das duas sessões no Porto, que já terminaram, Lisboa também vai receber o espetáculo, de 4 a 6 de dezembro, no Teatro Tivoli.

Entramos em passo apressado no mês do Natal. Com dezembro ao virar da esquina, o brilho das luzes começa a rodear-nos por todo o lado. A CNN já espreitou as decorações da Casa Branca. Coleção 2018/2019. E estranhou as escolhas de Melania Trump.. O tema já merece discussão do outro lado do Atlântico. Tire as suas próprias conclusões!

Mais logo não vai querer perder a edição do Expresso Diário” ao fim da tarde. As atualizações , minuto a minuto, no online e na antena da SIC Notícias.

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