Siga-nos

Perfil

Expresso

Pedro Lima Editor-adjunto

O novo normal: estarmos preparados para o pior

9 de Outubro de 2018

Bom dia,

Ainda em estado de choque, continuamos a digerir a quase certa vitória de Jair Bolsonaro nas eleições para a presidência do Brasil, depois da extraordinária votação em que obteve 46,03% - quase 50 milhões de brasileiros votaram nele -, na primeira volta das presidenciais deste domingo. Faltam três semanas e parece impossível que Fernando Haddad consiga mobilizar os outros 54% que votaram nesta primeira volta – atendendo a que apenas obteve 29,3% dos votos. O candidato do Partido dos Trabalhadores tem de se distanciar do passado e do anterior presidente, Lula da Silva. Mas não é isso que está a fazer - se Lula é uma pedra no seu sapato, Haddad parece ainda não o ter percebido. Só isso explicará a sua decisão de o ir visitar à prisão, o seu primeiro ato público nesta segunda fase da campanha das presidenciais.

O clima de intimidação contra todos os que se opõem a Bolsonaro não augura nada de bom, faz mesmo temer o pior. O Brasil corre o risco de assistir à banalização da violência contra todos os que discordam e se opõem ao mais que provável novo presidente. Estando isso já a acontecer e assim permanecendo, não será, infelizmente, uma surpresa.

Apesar dos riscos de ausência de liberdade, os sectores empresariais brasileiros continuam a mostrar a sua preferência por um posicionamento assumido de extrema-direita: contra a esquerda, marchar marchar. Mas também contra a corrupção e a ausência de ordem pública. E a Bolsa de São Paulo teve até uma sessão bastante positiva, com uma valorização de 4,57% na sessão de ontem.

Preparemo-nos portanto para o pior a 28 de outubro, pois o pior é o que tem estado a acontecer em muitas partes do mundo. A 24 de junho de 2016 fomo-nos deitar e quando acordámos o sim à saída da Grã-Bretanha da União Europeia tinha ganho no referendo. A 9 de novembro desse ano fomo-nos deitar e acordámos perplexos porque um povo que nos habituámos a admirar tinha eleito Trump para governar os Estados Unidos… E agora, no domingo, fomos dormir e quase tinha sido eleito presidente do Brasil uma pessoa que não tem pejo em falar de tortura e morte como política, além de todas as formas de discriminação. Faltam três semanas. O tempo está a contar.

OUTRAS NOTÍCIAS

O Fundo Monetário Internacional reviu em baixa o crescimento mundial. Até 2020 será de 3,7%, baixando depois para 3,6%, consequência da guerra comercial lançada pelos Estados Unidos. Para Portugal as previsões mantêm-se em 2,3% e 1,8% para 2018 e 2019, respetivamente.

Hoje o ministro das Finanças reúne com todos os partidos políticos, a partir das 9h45, para lhes apresentar as linhas gerais do Orçamento do Estado para 2019.

A guerra dos professores vai continuar, garantem os sindicatos, que mantêm a exigência de que o prazo para a contagem do tempo de serviço dos professores para efeitos de descongelamento das carreiras seja os 9 anos, 4 meses e 29 dias – o Governo insiste no prazo de dois anos e meio. Pediram esta segunda-feira ao Presidente da República que vete o decreto-lei, que ainda não foi entregue no palácio de Belém.


Vai haver também perturbações no aeroporto de Lisboa, por causa de uma reunião de trabalhadores do Posto de Fronteira. E na sexta-feira a greve dos trabalhadores da Infraestruturas de Portugal promete condicionar fortemente a circulação dos comboios – mais uma vez.

Na novela de Tancos - e de quem sabia e quem não sabia da entrega das armas roubadas -, o major Vasco Brazão pediu para voltar a ser ouvido por um juiz. Diz que quer entregar o memorando sobre essa operação que terá sido entregue ao ministro da Defesa. Ministro que, de acordo com o primeiro-ministro, “é um ativo importante” no Governo, disse António Costa numa deslocação à base aérea de Monte Real, reiterando assim a sua confiança em Azeredo Lopes.

Foi adiada a leitura do acórdão da operação Fizz, para que sejam feitas alterações à acusação, o que pode ser um indício de condenações aos arguidos neste caso que investiga o pagamento de luvas pelo antigo presidente da Sonangol, Manuel Vicente, ao antigo procurador Orlando Figueira.


Os incêndios continuam na ordem do dia. E quanto mais alerta estivermos para este problema ao longo do ano, melhor. O segundo incêndio mortífero de 2017 aconteceu a 15 de outubro no centro do país. A SIC acompanhou a vida de algumas das pessoas que viveram este drama. Pode ver a reportagem aqui.

Em Sintra-Cascais sabe-se agora que o Governo tinha sido avisado para os riscos do parque natural em maio deste ano. O ministério do Ambiente garante que muitas das recomendações foram aplicadas naquele parque natural – que tem sido considerado um bom exemplo de prevenção por ser muito patrulhado - onde arderam 600 hectares no fim de semana.

Ontem ficou também a saber-se que apenas 18 municípios pediram financiamento para limpar a floresta.

Cristiano Ronaldo está nomeado pela 12ª vez consecutiva para a Bola de Ouro, ele e mais 29 futebolistas. A decisão saber-se-á a 3 de dezembro. Mas o futebolista é e vai continuar a ser por estes dias alvo de todas as atenções por causa da reportagem da revista alemã Der Spiegel sobre a acusação de violação de que está a ser alvo. As ações da Juventus, que dispararam aquando da notícia da contratação do jogador português, estão agora a perder bastante valor.

O clima e a tecnologia deram este ano o Prémio Nobel da Economia a William Nordhaus e Paul Romer. Foram distinguidos pela análise aos impactos que as alterações climáticas e a introdução de novas tecnologias têm no crescimento económico.

Continuam as falhas de segurança nas redes sociais. Desta vez passou-se com a Google, o que levou à decisão de suspender a Google+ durante dez meses, depois de se saber que houve acesso ilegal às contas de cerca de meio milhão de utilizadores desta rede social.

Neste mundo em que tudo parece tão facilmente acessível, há restrições novas que resultam do Regulamento Geral para a Proteção de Dadosas empresas que estiverem a vigiar candidatos a emprego nas redes sociais estão a violar a lei.

Onde está Jamal Khashoggi, o jornalista saudita que foi ao consulado do seu país em Istambul e depois nunca mais foi visto? Os Estados Unidos e a Turquia suspeitam que a Arábia Saudita mandou assassiná-lo. Se assim for, garante o senador norte-americano Lindsey Graham, haverá consequências “devastadoras” para as relações Arábia Saudita-EUA.

PRIMEIRAS PÁGINAS

Caixa Geral de Depósitos cobra as comissões mais altas a herdeiros – Público

Governo quer refugiados a trabalhar na agricultura e no turismo – JN

André Ventura lança partido que defende fim do casamento gay – I

Vieira arguido na corrupção das ‘missas’ – Correio da Manhã

Medina defende vistos gold adaptados às regiões – Jornal de Negócios

Ruben aprendeu a lição – Record

Duro de roer – A Bola

Dragão à lupa – O Jogo

O QUE EU ANDO A LER

“Marketing de conteúdo – a moeda do século XXI” é um livro que se propõe ajudar-nos a comunicar nesta selva comunicacional. Escrito por Rafael Rez, especialista brasileiro em marketing digital, começa por nos pôr a pensar em “duas moedas muito caras no mundo de hoje: o Tempo e a Atenção”. Precisamos de mais horas para fazer tudo aquilo que gostaríamos e também precisamos de chamar a atenção se quisermos vender alguma coisa. A partir daqui desenvolve-se um conjunto de dicas para tirar o melhor partido deste novo mundo.

O QUE EU ANDO A OUVIR

Todos os anos a FNAC lança um disco duplo com os Novos Talentos da música portuguesa. A edição de 2018 conta com 33 bandas e, se tudo correr dentro do normal, estarão entre elas algumas das que irão marcar o panorama musical português. Uma das músicas em ‘modo de repetição’ chama-se “Portugrall” e é dos Llama Virgem.

Tenha um bom dia e siga-nos em expresso.pt e às 18h no Expresso Diário.

Partilhe esta edição