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Expresso

Pedro Lima Editor-adjunto

Eles andam aí?

5 de Fevereiro de 2018

Bom dia,

Nestes tempos em que a Justiça vai estando cada vez mais na ordem do dia – as operações Marquês, Fizz ou Lex acompanham-nos diariamente, se não é uma, é outra - comecemos pelo caricato mandado de detenção do ex-vice presidente de Angola, Manuel Vicente. A PSP terá tido informação de que Vicente estava em Portugal, transmitiu-a ao Ministério Público e este pediu ao tribunal que julga o processo Fizz para emitir um mandato de detenção… válido apenas para o fim-de-semana. A ideia era detê-lo para o notificar da constituição de arguido e da acusação de que é alvo, já que as cartas rogatórias enviadas para Angola não estão a ter efeito…

Acontece que Manuel Vicente não andaria por aí – não estava em Portugal e sim em São Tomé - e como tal não foi possível detê-lo. A defesa do ex-vice de Angola disse estranhar esta iniciativa do tribunal atendendo a que o processo específico de Manuel Vicente, que foi separado do processo inicial, não está ainda constituído. Em causa estão acusações de corrupção e branqueamento de capitais. E muitas dores de cabeça nas relações Portugal-Angola.

Seja como for, este mandado de curta duração, que hoje já não é válido, deixa um alerta: a Justiça portuguesa não vai desistir de julgar o antigo vice-presidente angolano, ainda que a defesa continue a dizer que Vicente goza de imunidade. Mas Angola também parece não desistir de transferir o processo para a sua jurisdição. Segundo o comentador Luís Marques Mendes, ontem na SIC, Angola vai mesmo pedir a transferência oficial do processo de Manuel Vicente.

Se Manuel Vicente não esteve em Portugal, o mesmo não se aplica a Raul Schmidt Junior, um dos acusados do Lava Jato, processo que investiga o pagamento de luvas a antigos diretores da petrolífera brasileira Petrobras onde foram feitas acusações de corrupção e branqueamento de capitais.

O empresário luso-brasileiro era alvo de mandado de busca e andava por aí, numa casa no Sardoal: foi detido pela Polícia Judiciária depois de faltar às apresentações obrigatórias invocando motivos de saúde. Hoje será apresentado a um juiz do tribunal da relação de Lisboa. E deverá ser extraditado para o Brasil, algo que o seu advogado contesta.

Hoje deverá também ser conhecido o resultado das novas análises à poluição no rio Tejo que em 24 de janeiro se revelou quando a água do rio ficou coberta de espuma, resultado de descargas das indústrias da pasta de papel, junto à albufeira de Fratel.

Após alguns problemas nas amostras obtidas, que o Ministério Público está a investigar, foram feitas novas recolhas de água que foram enviadas a um laboratório certificado. A investigação conduzida pelo Ministério Público às empresas de celulose de Vila Velha de Ródão prossegue - continuemos portanto à espera de uma conclusão – e da respetiva punição dos infratores.

Eles também andam por aí a prometer um braço de ferro: o Bloco de Esquerda insiste que foram acordadas com o PS alterações importantes ao Código Laboral que ainda não avançaram, e quer que essas mudanças aconteçam até ao final do ano. Mas o governo diz que não está previsto fazer mudanças significativas no Código Laboral.

O Bloco já tinha usado, no final de 2016, uma expressão que vale a pena recordar: anunciou querer “tirar a troika das relações de trabalho” ou “destroikar as relações laborais”. Catarina Martins, a coordenadora do Bloco, diz que este tema é “o maior desafio do atual momento político”.

O governo também já tinha deixado claro que não ia mexer significativamente no Código Laboral. A ver vamos portanto até onde vai esta troca de “observações”.

Mas não foi só o Bloco a queixar-se. O PCP lembrou este fim-de-semana as más companhias com que anda o PS ao lembrar o chumbo, com o apoio do PSD e do CDS, da reposição do pagamento do trabalho extraordinário e em dia feriado proposta pelos comunistas.

O campeonato de futebol está ao rubro, com uma chuva de golos no sábado (vitórias do Porto e do Benfica por 3-1 e 5-1, contra o Braga e o Rio Ave, respetivamente) e uma escorregadela do Sporting contra o Estoril-Praia (2-0 na Amoreira) este domingo à tarde. Resultado: os três grandes estão muito próximos uns dos outros, com o Porto à frente, com 52 pontos (sendo que ainda tem um jogo a menos, ou metade, já que lhe falta cumprir a segunda parte de um jogo também com o Estoril, em que o resultado está em 1-0 a favor do Estoril). Sporting e Benfica têm agora os mesmos pontos, 50, mas o Benfica vai à frente na diferença entre golos marcados e sofridos.

Esta perda de pontos é um revés para o Sporting numa altura em que os jogos se sucedem (quarta-feira joga novamente, agora com o Porto para a Taça de Portugal e tem uma deslocação na semana seguinte ao Cazaquistão para a Liga Europa). Mas o clube é também notícia porque esta segunda-feira o seu Conselho Diretivo deverá tomar uma posição depois de o seu presidente, Bruno de Carvalho, ter ameaçado demitir-se na sequência da oposição de alguns sócios à alteração de estatutos, durante a assembleia-geral. Bruno de Carvalho voltou ontem ao tema da assembleia geral com recados ao presidente da mesa da Assembleia Geral, que critica por não ter posto ordem na reunião.

Eles andam também aí, os receios de turbulência nas Bolsas. Depois de um início de ano quente, a semana passada foi marcada por uma forte queda das ações em muitos mercados. O que nos dizem estas recentes quedas? É o princípio de uma correção mais acentuada? É uma bolha prestes a estourar? Os receios estão aí, como nota o Wall Street Journal, os alertas também. Depois de Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal, ter dito que nos Estados Unidos há duas bolhas, uma nas ações e outra nas obrigações, este fim-de-semana coube a Janet Yellen, que no final da semana deixou também de ser presidente da Reserva Federal, dizer que o facto de as avaliações dos ativos estarem tão elevadas é fonte de “alguma preocupação”. Se é uma bolha ou não, é algo a que não sabe responder. Foi numa entrevista à estação televisiva CBS.

Hoje alguns dos principais mercados asiáticos fecharam a sessão a cair: Tóquio 2,2% e Hong Kong 1,4%. Lisboa abriu a perder 0,56% com as quedas do BCP, Galp e EDP em destaque.

Há também alertas em torno das moedas virtuais, com a Bitcoin a destacar-se pela forte perda de valor. Nouriel Roubini, o economista americano que gosta de nos dar más notícias, também anda por aí a alertar para aquela que considera a maior bolha de sempre na História da Humanidade.

A chuva continua a andar pouco por aí, mas a meteorologia típica do inverno ainda abre noticiários. A semana começa com mais frio. São sete distritos – Aveiro, Coimbra, Leiria, Portalegre, Évora, Beja e Faro – em aviso amarelo por causa do frio, com algumas regiões a terem temperaturas mínimas de 7 graus negativos entre terça e quinta-feira. Lisboa e Porto estão a tomar medidas para apoiar os muitos sem-abrigo que infelizmente há nestas duas cidades.

Nos jornais de hoje, destaque para as notícias que dão conta de mudanças na área dos impostos. No Público o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais anuncia que o Governo quer reavaliar todos os benefícios fiscais e que serão enviadas propostas para o Parlamento nesse sentido. Serão mudanças que terão efeito neutro, ou seja, não levarão nem a aumentos nem a descidas de impostos. Já o Jornal de Negócios conta que serão as câmaras municipais a decidir quem paga a derrama.

O QUE ANDO A LER

“Prisioneiros da geografia”, de Tim Marshall, lançado no ano passado, é um livro em que a História dos conflitos entre nações, ou dentro de regiões de uma mesma nação, é explicada pela geografia. E essa explicação é o que nos permite também projetar no futuro potenciais focos de tensão. São 10 capítulos em que o jornalista britânico apresenta, através de mapas, algumas das grandes linhas da política internacional, onde o ambiente físico que condiciona os países tem um papel crucial.

O QUE ANDO A OUVIR

Mais música portuguesa acabada de sair. Desta vez o mais recente disco de Sérgio Godinho, “Nação Valente”, 10 canções. “Não quero ver-te acorrentada / sofrendo por tudo e por nada. Há-de haver uma outra perspetiva / Há-de haver outra solução / Para esta nação tão valente / Há que ir em frente, nação valente”.

Por aqui é tudo. Continue a acompanhar a atualidade em www.expresso.pt e às 18h no Expresso Diário.

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