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Francisco José Viegas: “Quem vai para a pasta da Cultura tem de estar preparado para as maiores desilusões e injustiças”

Em declarações exclusivas ao Expresso, o escritor e editor português, que ocupou durante um ano a pasta de Secretário de Estado da Cultura no Governo de Pedro Passos Coelho, afirmou sobre a polémica das touradas: “não colocaria as coisas em termos de choque de civilizações”. Viegas deixou um alerta: “temos de vez em quando vagas proibicionistas e caímos muito facilmente nessa tentação”

Foi em 2011 que Francisco José Viegas aceitou o cargo de Secretário de Estado da Cultura, sob a tutela do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, inaugurando o primeiro momento no século XXI em que a Cultura deixaria de ser um Ministério para passar a ser uma secretaria, o que em Portugal já não acontecia desde 1995. Só lá esteve um ano, mas foi o suficiente para poder afirmar que "a pasta da Cultura é uma das mais difíceis de qualquer Governo".

Em declarações ao Expresso a partir da Feira do Livro de Guadalajara, onde participa como autor convidado, o escritor e editor português reconhece que "quem vai para aquela pasta tem de estar preparado para tudo, para as maiores desilusões e injustiças" e que está errado "pensar que o responsável da cultura é uma espécie de representante do meio cultural".

Para Viegas essa é uma "visão errada, que causa sempre amargos de boca ao titular da pasta, porque acaba por não poder cumprir todas as expectativas do meio".

Sobre a instabilidade sentida no Ministério da Cultura no atual Governo prefere não comentar em detalhe, mas não foge ao tema das touradas. "Gosto muito da Graça Fonseca (...), mas não colocaria as coisas em termos de choque de civilizações. Não me parece isso. Acho que não podemos exigir ao Governo uma espécie de posição oficial sobre as touradas. (...) Vemos que causa fraturas muito grandes." E deixa um alerta: anda à solta "uma vontade proibitiva. Temos de vez em quando umas vagas proibicionistas e caímos muito facilmente nessa tentação".