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Luís Fazenda: “O BE tem uma faceta oposicionista e outra que infuencia o poder”

Entrevista a Luís Fazenda, um dos fundadores do Bloco de Esquerda: “Não temos estados de alma. Não somos glaciares, mas não andamos atrás de estados de alma”, diz, sobre os ataques do PS

O fundador do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, reconhece que depois destes três anos de convívio com o Governo, o partido passa a poder “apresentar duas facetas: uma faceta oposicionista e outra que influencia o poder”. Esta tensão ou duplicidade em que o BE vive desde que faz parte da “geringonça” é positivo para o partido: “O BE passou a ser visto por muitos portugueses como um partido com uma intervenção diferente, não apenas um partido oposicionista e programático com objetivos claros de transformação social, mas também como um partido que influencia o poder.” Para Fazenda, esta é “uma nova legenda para olhar o BE”.

A proclamação de Catarina Martins para ser Governo não é para Luís Fazenda uma cedência ao poder, até porque isso implica força eleitoral e um programa para “explicar o que será um Governo de esquerda em Portugal”.

Essa força eleitoral precisa de ambição e Fazenda compara a atitude que o Bloco deve ter com… o CDS: “Vi o CDS candidatar-se a liderar um Governo, não sei onde estará a anormalidade da coisa. Seria irrealismo total da Cristas? Todos os partidos são concorrentes. Vão discutir [o seu peso] em jogo democrático aberto”.

Sobre a atitude do PS mais agressiva para com o Bloco, o antigo representante da tendência da UDP, critica a “omissão” de António Costa no congresso do PS, mas acha que o partido não deve reagir aos socialistas: “Não temos estados de alma. Não somos glaciares, mas não andamos atrás de estados de alma”, afirma.