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José Soeiro: "Conseguimos derrotar o programa de Mário Centeno"

Em entrevista ao Expresso, o bloquista aponta o dedo ao PS e fala sobre o futuro da 'geringonça': "Era importante que o PS estivesse em minoria na esquerda para existirem mais avanços".

José Soeiro, deputado do Bloco de Esquerda, acredita que a solução parlamentar encontrada nesta legislatura é “reproduzível” mas exige um nível superior de compromisso: “Não chega o programa de recuperar. É preciso um programa mais ofensivo de mudar, de conquistar outras coisas”, diz ao Expresso.

Para o bloquista, as principais “conquistas” alcançadas nestes três anos de legislatura foram conseguidas apesar do Governo socialista. “Nada do que foi conquistado foi uma concessão do PS. Foram conquistadas muitas vezes contra a opinião e posição inicial do PS, porque a esquerda teve força nesse contexto”, argumenta. “Conseguimos derrotar o programa de Mário Centeno e obrigar o PS a reformular esse programa em função de propostas que a esquerda apresentou.”

Repetindo um argumento já hoje utilizado por Catarina Martins, José Soeiro lembrou os “avanços” que foram conseguidos em matéria de devolução de rendimentos e reposição de direitos para deixar um aviso: se o PS tivesse tido maioria absoluta nas últimas eleições, a história teria sido muito diferente. “Conhecemos o que era o programa do PS. Se o PS tivesse hoje maioria, as pensões estariam congeladas, havia um regime de despedimento conciliatório, não existia um compromisso para o aumento do salário mínimo, nem um programa de regularização de precários”, defende. Ora, se foi verdade há três anos, se é verdade hoje, será também verdade nas próximas eleições. "Era importante que o PS estivesse em minoria na esquerda para existirem mais avanços", alerta Soeiro.

Sobre o novo pacote de legislação laboral desenhado pelo Governo, altamente criticado pela esquerda e aprovado com os votos favoráveis da direita, Soeiro, que no Parlamento acompanha as questões do trabalho e da segurança social, garante que o Bloco não vai desistir de o alterar, revertendo as medidas que o partido considera gravosas. “Não desistiremos. Seja nesta, seja nas próximas legislaturas. O mundo não acaba agora.”

A terminar, uma provocação: admite suceder a José António Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Segurança Social, num próximo Governo? “Se o Bloco de Esquerda tiver maioria e se a Catarina Martins constituir esse Governo”, ri-se.