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Índios do Xingu longe do paraíso

Depois de percorrerem 2,5 mil km pelo Rio Xingu, para verificar a situação das populações indígenas, Sue e Patrick Cunningham concluíram que o coração do Brasil está enfermo.

Chegou ao fim a expedição "Coração do Brasil" realizada pelos investigadores britânicos Sue e Patrick Cunningham, uma aventura que começou a 2 de Abril com o objectivo de observar como vivem as populações indígenas da região. O casal, que navegou os 2,5 mil quilómetros de extensão do Rio Xingu a bordo de um pequeno barco, verificou que as mudanças climáticas estão a afectar os índios brasileiros, de resto já ameaçados pela extracção ilegal de madeira, pelo garimpo e pela expansão do cultivo da soja, bem como por projectos de construção de hidroeléctricas.

Os investigadores deixaram a floresta com uma visão pessimista. "Deparamo-nos com tradições que ainda se mantêm vivas e fortes entre as tribos, como a dança, a caça , a pesca e a agricultura. No entanto, vimos também forças poderosas que ameaçam destruir e alterar em pouco tempo a cultura indígena", afirmam, apontando as alterações do uso da terra, a apropriação ilegal de terrenos outrora pertencentes aos índios e a própria mudança de hábitos como os piores inimigos dos nativos.

Segundo os Cunningham, quando foi criado o Parque do Xingu, esta reserva era cercada por floresta densa. Actualmente, a área está delimitada por plantações de soja e pastagem para gado. A isto acrescente-se "o aparecimento crescente de vilarejos à volta do Parque e a malha de estradas que cortam a região chegando até ao limite da reserva indígena".

"Encontramos curandeiros tradicionais, cujos métodos e ervas medicinais têm sido utilizados ao longo de séculos no tratamento de doenças e na cura de ferimentos". No entanto, "com a abertura de centros de saúde, para tratar doenças levadas pelo homem branco, o trabalho desses feticeiros começa a perder a sua razão de ser ", afirmam. "Vimos também", acrescentam, "o grande estrago causado pela presença perniciosa de uma cultura alienante representada pela televisão".

A expedição "Coração no Brasil" foi patrocinada pelas organizações "Royal Geographical Society", "Rainforest Concern" e "Artist Project Earth". Ao longo da viagem, Sue e Patrick mantiveram contacto regularmente com a BBC Brasil, através de um telefone via satélite, disponibilizando-se para responder a eventuais perguntas dos internautas.