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Vídeo: Portuguesa e brasileira casam-se no Rio de Janeiro

Portuguesa Denise Jorge, de 45 anos, e brasileira Vera Linhares, de 60, foram o primeiro casala oficializar o casamento homossexual fora de Portugal.

"Foi um passo grande", considerou Denise, em declarações à Lusa, destacando o facto de "Portugal ser um país como o Brasil, de maioria católica".

No Brasil, o casamento homossexual ainda não está previsto na lei, mas Denise diz que a aceitação de casais gay, "agora que está tão mais natural", vai levar a que a lei no Brasil seja uma "questão de pouquíssimo tempo".

Juntas há 16 anos

O casamento da portuguesa e da brasileira foi realizado no consulado de Portugal no Rio de Janeiro, cidade onde Denise e Vera vivem.

Questionadas sobre a decisão de oficializar o casamento, Vera diz ter sido "natural". Já Denise é enfática: "Eu já estava a pensar, ela é que não foi avisada".

Bem humoradas, as duas riram ao contarem as suas experiências, tanto da cerimónia de quarta feira, como da relação que compartilham há 16 anos.

Sempre atenta à atualidade de Portugal, Denise é funcionária doConsulado

de Portugal no Rio e disse que assim que soube da aprovação da lei portuguesa, pensou logo em casar-se.

Heterossexuais na cerimónia

"Eu estava a almoçar com os amigos e questionaram-me se a noiva já tinha aceitado. Obrigaram-me a ligar para ela (Vera) no meio do almoço, e eu falei 'estão a mandar-me pedir-te em casamento'. E a noiva aceitou",

brinca Denise.

Tanto para Vera como para Denise, o apoio dos amigos foi fundamental para que a cerimónia se concretizasse.

"O próprio Consulado envolveu-se, isso foi muito lindo. A festa foi belíssima, nunca imaginei que poderia ser como foi. Foi um astral maravilhoso", realça Vera.

"Os nossos colegas foram excelentes", acrescenta Denise, comentando que "todos os amigos heterossexuais foram à cerimónia". "Eu fiquei muito emocionada dos meus colegas assumirem e me verem feliz", diz.

Foi um casamento como "qualquer outro", descreve. "Na hora, perguntaram se havia alguém contra e uma colega disse 'eu amo esta mulher'", diz, com um sorriso.

Devota de Nossa Senhora 

"Foi uma coisa tranquila, delicada", resume Denise, comentando que, apesar de não seguir uma religião específica, é devota de Nossa Senhora  de Fátima.

"Eu casei com a minha nossa Nossa Senhora de Fátima no bolso, dela eu não abro mão", afirma.

Conscientes de que foram as primeiras, num momento histórico que marcou o reconhecimento de união oficial de pessoas do mesmo sexo, ambas dizem que não esperavam tanta repercussão, mas que a vida seguirá normalmente.

"Tudo igual, tanto que estou aqui um dia depois. Em alguma coisa na vida a gente tem que ser pioneira.", diz.

Vera complementa: "Vamos continuar a morar juntas com os filhotes dos cachorros".

Denise ainda declara ter "muito orgulho de Portugal ter sobreposto as questões religiosas e ter vencido os costumes. "Eu quis logo fazer (o casamento) pelo orgulho que tenho", admite.

Para a portuguesa, segura de suas escolhas, não foi preciso coragem. "Não precisei de coragem, acho que os meus colegas de trabalho estão admirando a coragem, mas é (algo) natural", garante.