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Fátima: Exposição revela gratidão dos peregrinos (vídeo)

Uma bota de prata de Nuno Gomes, um manto da rainha D. Amélia, uma camisola de Joaquim Agostinho, um xaile de Amália Rodrigues e uma bandeira do Partido Comunista podem ser vistas no mesmo espaço do Santuário de Fátima.

Integram o vasto espólio da exposição "Luz e Paz", que reúne milhares de peças oferecidas à Virgem de Fátima e está patente na reitoria do Santuário desde agosto de 2002.

A mostra, visitada já por mais de 500 000 pessoas, começa por um corredor escuro, sendo que a primeira imagem é alusiva à I Guerra Mundial, que terminou um ano após os acontecimentos de 1917 na Cova da Iria, seguindo-se outra, da paisagem de Aljustrel com a figura do Anjo de Portugal.

"Da guerra para a paz" ou "das trevas para a luz" é o simbolismo que o espaço pretende oferecer, após o qual o visitante é convidado a ver um filme sobre a mensagem de Fátima.

A jóia da coroa

O percurso pelas ofertas entregues no santuário começa logo depois, estendendo-se por seis salas, na primeira das quais se destaca a coroa que a imagem da Virgem ostenta nas grandes peregrinações.

"[A coroa] é, de facto, a joia mais importante desta exposição", afirmou à agência Lusa o responsável pelo Departamento de Arte e Património do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte, acrescentando que a "joia da coroa" é a bala que atingiu o Papa João Paulo II em 1981 num atentado em Roma.

A coroa foi oferecida pelas mulheres portuguesas a 13 de outubro de 1942, como agradecimento pelo país não ter entrado na II Guerra Mundial. Pesa 1,2 quilogramas, tem 313 pérolas, 2 679 pedras preciosas e, em 1989, foi-lhe encastoada a bala.

Pedaço do Muro de Berlim

Peças em ouro, objetos litúrgicos, vestidos de noiva, medalhas, imagens de Jesus Cristo, velas - "a oferta mais típica do peregrino na Cova da Iria" - e outros artigos ligados a diversas profissões integram o núcleo museológico, onde se encontra, também, um terço feito com betão do Muro de Berlim.

A presença das várias imagens peregrinas pelos cinco continentes e o culto da Virgem no mundo estão igualmente em destaque na exposição, onde são visíveis outras ofertas com origem em múltiplos países.

Quase a terminar o percurso da mostra, encontra-se o espaço dedicado aos bispos e papas, com peças doadas pelo antigo bispo da Diocese de Leiria D. José Alves Correia da Silva, que declarou dignos de crédito os acontecimentos de Fátima, o terço que pertenceu a Bento XV, cujo pontificado coincidiu com a I Guerra Mundial e as aparições, ou a rosa de ouro que Paulo VI, o primeiro papa a visitar o santuário, fez chegar ao templo.

A exposição "Luz e Paz" culmina com uma sala dedicada a João Paulo II, que por três vezes esteve em Fátima e onde, de 12 a 14 de maio, o seu sucessor, Bento XVI, peregrina.

Peças oferecidas

À agência Lusa, Marco Daniel Duarte destacou que o núcleo não inclui um único objeto adquirido pelo Santuário, sendo todas as peças "oferecidas a Nossa Senhora pelos mais variados peregrinos", dos mais anónimos a personalidades.

O responsável realçou que, na relação "com o transcendente através de Nossa Senhora", as pessoas, em "horas de aflição", prometem desfazer-se de objetos.

"E quando obtêm uma graça que atribuem à intervenção de Maria nas suas vidas oferecem ao Santuário de Fátima esses pequenos tesouros", explicou, justificando, por isso, a existência de um espaço, "talvez dos mais emblemáticos da exposição", de peças de ourivesaria.

Os artigos expostos são uma parte do acervo do museu do Santuário de Fátima, criado em 1955 por D. José Alves Correia da Silva com o objetivo de "salvaguardar alguns objetos ligados às aparições de Fátima de 1917, à vida dos videntes e à vida dos primeiros peregrinos", acrescentou Marco Daniel Duarte.

Este artigo foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico

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