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É isto que resta quando o mundo acaba

É uma guerra à qual ninguém chama oficialmente “guerra”, mas onde morrem centenas de pessoas todos os anos. Não somos nós que o dizemos, são os números: a República Centro-Africana é um dos piores países para viver. Esta é uma viagem por um dos territórios mais perigosos do mundo mas também o desfecho de uma longa história de dois anos de um grupo de jovens portugueses que entrou nos Comandos e que o Expresso acompanhou por dentro. “Sabemos que não vamos mudar o mundo aqui. Mas nem que seja a mais pequena diferença, nós vamos fazê-la”

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Texto, vídeo e edição multimédia

Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

Fotografia

Fotojornalista

Jaime Figueiredo

Jaime Figueiredo

Infografia

Infográfico

Carlos Paes

Carlos Paes

Mapas animados

Animação gráfica e Infografia

Cláudia Ganhão

Grafismo vídeo

“É para matar?”

“É para matar”, responde-lhe o superior, apontando para um retrato preso com um clip no canto superior esquerdo do mapa da cidade.

A fotografia foi sendo substituída ao longo das últimas semanas. O rosto mudou pelo menos quatro vezes. Já foi mais novo, depois mais velho. Já teve pera, depois a cara lisa. Agora estavam finalmente confiantes de que a última versão seria verdadeiramente o retrato derradeiro daquele homem que tinha chegado à cidade havia já uns meses. Veio de mota e chegou a trabalhar como moto-taxista. Esteve apenas uns dias em Bangassou, no sudeste da República Centro-Africana, já perto da fronteira com a República Democrática do Congo. O suficiente para fazer alguns contactos e conhecer mulheres. Várias. Foi-se embora sozinho mas, passado algum tempo, quando voltou, já veio acompanhado de vários homens para formar o seu próprio grupo armado. E provocar o terror.

O homem da fotografia chama-se Crépin Wekanam, mas por estas paragens é mais conhecido pela alcunha “Pino-Pino”. É um fora-da-lei que entrou no mundo do crime em Damala, uns poucos quilómetros a norte da capital, Bangui, e tem vindo a fazer o seu caminho para leste. Agora era já um dos principais líderes armados da cidade. Um sanguinário. Suspeita-se que terá tido ligações ao massacre de mais de uma centena de muçulmanos há uns meses e a um ataque que resultou na morte de oito soldados ao serviço das Nações Unidas.

É preciso pará-lo, custe o que custar.

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