O óvni de Lisboa

Uma joia ou um monstro?
O Restaurante Panorâmico de Monsanto foi construído há 50 anos. Mas, apesar de meio século de existência, só funcionou dois anos a tempo inteiro. Teve direito aos melhores materiais e muito dinheiro foi gasto para alcançar resultados quase nulos.
Eis a história de um falhanço

I.O óvni de Lisboa

1968. Um terramoto mata 230 pessoas na Sicília, a embaixada dos Estados Unidos em Saigão é invadida pela guerrilha vietnamita e, dois meses depois, o exército norte-americano executa 504 civis no massacre de My Lai.

Morre Yuri Gagarin, o primeiro homem a chegar ao espaço. Martin Luther King é assassinado em Memphis. O Brasil começa a balançar-se ao ritmo da Tropicália, mas o ano de 1968 não acabará sem que Caetano e Gilberto Gil sejam presos. No Rio de Janeiro, cem mil pessoas marcham contra a violência do Estado e o Presidente Costa e Silva proíbe manifestações.

O chão de Paris levanta-se ao ritmo das manifestações estudantis de maio. Andy Warhol é ferido num atentado e Bobby Kennedy abatido em Los Angeles. Nas Olimpíadas do México, atletas negros erguem os punhos fechados em protesto. O garrote aperta-se.

A União Soviética invade a Checoslováquia e Lennon e McCartney lançam o single "Revolution". Nixon chega ao poder e o congresso brasileiro é fechado. E em Portugal?

Em Portugal, Salazar desaba da cadeira no Estoril e desaparece do cenário político, ocupado então por Marcelo Caetano. Às ruas chegam manifestações de estudantes contra a guerra em África e Mário Soares é deportado para São Tomé.

Na quinta edição do Festival da Canção, Tonicha canta 'Fui ter com a madrugada' e José Cid entoa a 'Balada para D. Inês', mas será Carlos Mendes a ir à Eurovisão com a música 'Verão' na garganta. Eusébio recebe a Bota de Ouro. O país estremece um bocadinho, balança mas não cai, e no meio desta movimentação tectónica, um ÓVNI pousa em Lisboa.

projecto original

A vontade

Redondo e luzidio, aterra para não mais levantar voo. Atascado no maior parque florestal de Portugal, assim começa a triste história do Restaurante Panorâmico de Monsanto. Com atrasos, equívocos, batalhas jurídicas. Uma narrativa indissociável de dois homens: António Vitorino da França Borges, presidente da Câmara de Lisboa durante 11 anos, e Carlos Oldemiro Franco Chaves Costa, o arquiteto que desenhou o restaurante.

Sonharam com altos voos para um edifício único, mas há 50 anos que o ÓVNI permanece imóvel e enigmático, a olhar a cidade, quase sem ser visto. Entretanto, o país mudou, os portugueses mudaram, só o Panorâmico continua imutável, por mais que nele mexam. Será esse imobilismo um fado?

maquete original
Maqueta do restaurante com 2,40 por 2,40 metros atualmente guardada num armazém do Arquivo Municipal de Lisboa

Os pilotos

ÓVNI é um objeto não identificado, avistado no céu, na terra ou até na água, cuja origem, formato ou trajetória não têm imediata explicação lógica, criando um enigma e provocando a produção de um relato. Esta definição é uma adaptação do conceito encontrado pelo astrofísico e escritor francês Jacques Vallee no livro "Anatomia de um Fenómeno" publicado em 1965, apenas três anos antes da conclusão das obras de construção do restaurante de Monsanto, e que traduz à medida a essência do Panorâmico, como é tratado pelos mais próximos.

Sempre a par das tendências internacionais, com o incompreensível ÓVNI de Monsanto, Portugal associa-se sem saber às vanguardas e ao lançamento do filme "2001, Odisseia no Espaço". O problema é que o ÓVNI português nunca levantou voo, nem chegou a ser compreendido. Faltou-lhe motor e, sobretudo, quem o conduzisse. Dentro daquele objeto não percebido, estiveram sempre dois nomes pouco conhecidos.

A vontade de criar o Panorâmico foi do militar França Borges, oficial do Exército, muito ligado à terra natal, Torres Vedras. Amante de fardas, foi presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, partiu em expedição à Índia e chegou a general. Nomeado pelo Governo, tomou posse da presidência da Câmara de Lisboa em 1959, e em 1961 já o Panorâmico tinha sido por ele encomendado. Liderou a autarquia até 1970 e o restaurante só abriu no ano da sua partida. Antes, remodelou o Largo do Rato e a Avenida da República, construiu o Bairro Padre Cruz, ampliou o aeroporto da Portela. E mandou construir o Panorâmico.

A quem encomendou o trabalho? A Keil do Amaral, arquiteto com obra feita, que desenhara o parque circundante e que, por isso, muitos ainda hoje pensam ser o autor do projeto do restaurante circular? Não, encomendou o edifício a um discreto arquiteto camarário, Chaves Costa.

Fotografia e auto-retrato de Carlos Chaves Costa
Fotografia e auto-retrato de Carlos Chaves Costa

A mão e o lápis

Se o Panorâmico nasceu da vontade do general, só existe devido ao traço de Carlos Oldemiro Franco Chaves Costa, autor do projeto arquitetónico. E, por favor, é Chaves Costa e não Chaves da Costa, como os poucos que o conhecem insistem em dizer.

Nasceu em 1922 na Ilha Terceira, e morreu mais do que discretamente em 1990, de cancro no pulmão. Estudou no Colégio Militar, entrou com 17 anos para a Escola de Belas-Artes e era com papel e lápis que mais se entretinha. Perdeu o pai muito cedo e foi tratado com cuidados extremos pela mãe e por uma tia que nunca se casou, terminou o curso de Arquitetura com 16 valores, mas só aos 32 anos, em 1955. Entre as suas obras mais marcantes está a ampliação da agência da Caixa Geral de Depósitos em Viseu, o edifício Concorde em Portimão ou a remodelação do crematório do Cemitério Alto São João. Também são dele o restaurante e a piscina do parque de campismo de Monsanto e um lar de idosos em Monchique. No mais, era a discrição em pessoa. Não deixou filhos, apenas sobrinhas, que, zelosas, partilham os pormenores de uma vida praticamente desconhecida.

Um tio que tocava piano e era apaixonado pela pequena Ana Lagartinho. Com 62 anos, lembra-se do tio Chaves Costa como alguém que lhe fazia todas as vontades, um homem de rituais que gostava da omelete que ia comer ao Jardim Zoológico, depois de ver as crianças passearem no elefante, num tempo em que ainda não havia teleférico. Preferia o táxi ao metro, o bife do Império ao da Portugália, embora fosse mais à Portugália porque tinha ar condicionado, ia visitar a mãe todos os dias e quando saía acenava sempre três vezes. Um homem discreto, seletivo e que "só investia naquilo que realmente sabia fazer" e que trabalhava, "não pelo dinheiro", mas sobretudo para viajar. Foi ao Egipto, a Itália, ao Reino Unido, à Rússia, então soviética. "Era um bocadinho de esquerda, frontalmente contra o Salazar, embora não fosse de militância", conta Ana.

Quando chegava, às 17 horas, o funcionário público Chaves Costa arrumava as suas coisas e saía do escritório da Câmara, aquele era o seu ganha-pão, mas não era o seu mundo, este estava em casa, onde não falava de trabalho, reservava-se e entregava-se ao prazer de construir aquilo que amava. Cigarros atrás de cigarros, dedicava-se às suas paixões. Colecionava soldados e barcos, tudo montado por ele. Uma vez foram à Baixa à procura de um peluche, para cortar o pelo e fazer a crina dos cavalos de Napoleão. Construiu uma importante biblioteca de artes gráficas e tinha uma bela coleção de "Tintim" em francês, língua que dominava na perfeição.

"Não era uma pessoa comunicativa, era capaz de passar uma tarde inteira sem se fazer ouvir", partilha Ana Lagartinho. Mas depois das refeições, ia sempre "um copo do licor verdinho de peppermint" e quando, de tempos em tempos, bebia dois copos de whisky, o arquitecto que vivia a régua e esquadro soltava-se mais um bocadinho e até cantava.

Não tinha amigos, só conhecidos, no mais era a família, o círculo em que se fechava e apoiava. Tio e sobrinha chegaram a almoçar várias vezes no Panorâmico, "um passeio como outro qualquer". E "embora não falasse no restaurante, lá no fundo, gostou dessa obra", conta a sobrinha Ana. Fala ainda de "alguém especial", que viu o homem chegar à Lua, mas não revelou o que sentiu. Chaves Costa, o homem-enigma.

anteprojecto

Antes do projeto

Chaves Costa adorava fotografia e filmes em super 8, ouvia jazz, tocava piano e fazia modelismo. Pintava aguarelas e até fez um autorretrato, ainda muito jovem. Deixou um ÓVNI em Monsanto e, antes, fez uma enorme maqueta do projeto. Especial, a maqueta é maior do que o habitual, tem 2,40 por 2,40 metros, e foi concebida com iluminação interna. Tudo no Panorâmico era do bom e do melhor. A maqueta era tão especial que chegou a ser levada ao local aonde o restaurante foi construído para ser fotografa, simulando o que se queria que o edifício viesse a ser. Está hoje guardada num armazém do Arquivo Municipal de Lisboa, em Cabo Ruivo.

Especialistas em arquitetura acreditavam que a escolha de Chaves Costa para o projeto do Panorâmico ter-se-á devido às opções políticas de Keil do Amaral, mais à esquerda do que o general gostaria. No entanto, os sobrinhos do arquiteto revelam pela primeira vez aspetos ainda mais desconhecidos de Chaves Costa, que chegou a visitar a URSS num tempo em que estas escolhas tinham os seus custos.

Na altura da decisão de avançar com o Panorâmico, Chaves Costa trabalhava no Gabinete Técnico da Habitação da Câmara e, em 1962, há já uma referência de França Borges ao que viria a ser o Panorâmico nos "Anais" da CML: "Finalmente há que assinalar o início de uma obra de grande importância e projeção, não só para o Parque Florestal de Monsanto, como para a cidade. Trata-se do Restaurante Miradouro, situado no alto da Serra de Monsanto, num local donde se desfruta um esplêndido panorama sobre toda a cidade, o rio até à foz, e a margem sul."

Fotografias da obra
Fotografias da construção do restaurante em 1967

Para trás ficou um arquiteto de méritos mais do que reconhecidos. Como explica a investigadora Ana Tostões no livro " Keil, arquiteto dos jardins e parques de Lisboa: a história de um trabalhador humanista ", "o projeto do Parque de Monsanto constitui uma obra incontornável no quadro das grandes intervenções levadas a cabo em Lisboa durante o século XX . Transferindo para a periferia da cidade o grande parque, revela um novo entendimento da questão dos espaços verdes urbanos integrados na escala mais vasta da área metropolitana e da expansão da cidade". Keil desenvolve o plano geral do parque e os projetos dos equipamentos, mas não será dele o Panorâmico.

II.A Máquina metropolitana

"No final da década de 40, as obras do Clube de Ténis ou do Restaurante de Montes Claros vão traduzir-se em felizes momentos do percurso de Keil do Amaral, atingindo subtilmente aquele sentido de depuramento, de despojamento que vinha explorando desde as primeiras pesquisas da paixão holandesa. Com efeito, a partir de 1948 Keil assume uma maior modernidade segundo os códigos do Movimento Moderno, dando um novo sentido à sua produção: no Restaurante de Montes Claros liberta o plano do chão, no Clube de Ténis rasga grandes envidraçados e resolve a cobertura com uma enorme agilidade", diz Ana Tostões. E um trabalho de 2015 do Gabinete de Estudos Olisiponenses — "Rossio Estudos de Lisboa" — refere mesmo que o Panorâmico teria sido "inicialmente concebido por Keil do Amaral na década de 30", mas não foi Keil o escolhido por França Borges para cumprir a tarefa de dotar Lisboa de uma infraestrutura assumidamente moderna.

O que o general queria para o Panorâmico era algo marcante. Conseguiu um edifício único, circular, com um raio de 16 metros, cinco pisos e uma vista panorâmica de 270º. A primeira referência ao que viria a ser o restaurante está plasmada no anteprojeto e memória descritiva de Chaves Costa, datados de 1961.

A adjudicação da obra e do contrato de empreitada para a execução da estrutura de betão armado por Albano Antão de Oliveira acontece no ano a seguir — "a obra mais importante em execução no Parque Florestal de Monsanto é a da construção do Restaurante-Miradouro no Alto da Serafina" — e, em 1965 fica pronto o painel cerâmico de Manuela Madureira sobre "Figuras e Cenas da Cidade de Lisboa". Sim, porque o painel é dela e não de Querubim Lapa, como continuam a pensar muitos lisboetas. Não há nada de Querubim naquele empreeendimento. Nada.

As peças de cerâmica foram feitas na Fábrica Viúva Lamego, com acompanhamento direto de Manuela Madureira. "Foi o meu primeiro grande trabalho. Estava grávida da minha filha e recebi bastante dinheiro. Nunca comi lá, não fui à inauguração, nunca mais voltei ao restaurante e há muitos anos que não vejo o meu painel", desabafa Manuela Madureira. Palhaços, saltimbancos, uma peixeira e uma figura de braços abertos estão todos lá, até hoje, a receber os visitantes.

foto de Manuela Madureira
Manuela Madureira junto ao painel que criou especificamente para o Panorâmico

Edifício concluído

Em 1966 é adjudicada a empreitada para a execução de uma enorme pintura mural, da autoria de Luís Dourdil, e do painel de azulejos com imagens de Lisboa antes do terramoto de 1755 à ceramista Manuela Ribeiro Soares. No ano a seguir é a vez do baixo-relevo em granito ser encomendado à escultora Maria Teresa Quirino da Fonseca.

Nos "Anais da CML" dá-se a obra por concluída em 1967: "Uma das mais importantes realizações da Câmara nos últimos anos, faltando apenas alguns trabalhos complementares que não tenham sido considerados inicialmente. Trata-se de uma construção de forma circular, situada num local de onde se desfruta um extraordinário panorama sobre a cidade e arredores, compreendendo, além do restaurante, com os respetivos serviços de apoio, uma esplanada-café, miradouro, salão de banquetes e várias instalações complementares."

Em 1968 é firmado o contrato de concessão da exploração do restaurante Municipal de Monsanto com o empresário Amadeu Dias. A ideia era servir jantares esporádicos, apenas sob encomenda da Câmara. Nesta altura, a comida vinha do Monumental, propriedade do mesmo investidor. Mas também aqui a história não corre a preceito e como poderia, com os pratos transportados entre curvas e contracurvas até à mesa do cliente?

"Houve um concurso da CML e o senhor Amadeu ganhou, mas aquilo só tinha as paredes, não tinha o necessário para funcionar como restaurante e a Câmara, quando tinha uns eventos, como a festa de entrega de prémios de um concurso hípico, fez no Panorâmico o banquete, que foi todo levada para lá, do Monumental, já feito". Esta é a recordação de António Duarte, chefe de escritório de Amadeu Dias. Revela que "lá não havia nada, nem pratos, nem toalhas, nem a baixela". E que era a Câmara que mandava: "uma vez decidiram que a refeição era toda com arroz, canja com arroz, arroz de pato e arroz doce." Mas de tal forma a situação de impasse sobre o equipamento se prolongou que a relação acabou num conflito que acabou na Justiça. Até à rutura "foram bons tempos".

Fotografias a cor do arquitecto Miguel Esteves, responsável pela remodelação do Panorâmico no início dos anos 80
Fotografias a cor do arquitecto Miguel Esteves, responsável pela remodelação do Panorâmico no início dos anos 80

A despedida

A inauguração do restaurante acontecerá somente em 1970, oito anos após a primeira referência ao projeto, na mesma altura em que o seu ideólogo, França Borges, se despede da liderança da Câmara.

Uma notícia na "Revista Municipal" da Câmara de Lisboa explicava com clareza o que se passou naquela noite. "Nomeado comissário para os Assuntos da Índia Portuguesa, o general França Borges deixou a presidência da Câmara Municipal de Lisboa, onde produziu vasta obra nos diferentes sectores da administração da cidade. Por esse motivo e em reconhecimento dos seus méritos, foi alvo de diversas homenagens. A de maior projeção efetuou-se no restaurante de Monsanto, onde se reuniram cerca de 600 pessoas. A esse jantar, presidido pelo doutor Gonçalves Rapazote, ministro do Interior, assistiram vereadores, funcionários municipais de todas as categorias e personalidades de projeção na vida nacional, assim como o novo presidente designado para a Câmara, o engenheiro Santos e Castro."

A de maior projeção efetuou-se no restaurante de Monsanto, onde se reuniram cerca de 600 pessoas
Imagem de jornal do jantar de homenagem ao general França Borges

À mesa, bem posta, canja de galinha à portuguesa, seguida de tranche de pescada e arroz doce, acompanhados por vinho branco da Adega Cooperativa da Vidigueira, tinto de Lafões, fechando a refeição com aguardente velhíssima Conde de Amarante. Na hora da despedida, sem saber o profético das suas últimas palavras em relação ao local onde as proferiu, França Borges disse: "Servi Lisboa o melhor que pude, mas tenho pena de não ter sabido servi-la melhor". Foram precisos nove anos para que aquele jantar fosse servido. E depois? Faltou ao general assegurar-se de que a sua obra mais emblemática teria quem dela tratasse, desse sequência e garantia de sobrevivência. Faltou-lhe a consciência de que um edifício daqueles não se enche sozinho. Fica de pé, mas vai morrendo.

III.O mais belo
miradouro da capital

Em 1971, uma notícia de "A Capital" denuncia que "por vezes, na vida das cidades, como na vida das pessoas, há situações que se arrastam, dando a impressão que se cruzam os braços perante os factos". Intitulada, "O Restaurante de Monsanto continua de portas fechadas", defende que "deverá haver uma explicação, uma causa, uma razão aparente", mas, feroz, diz também que "quando estão em jogo os interesses gerais de uma cidade, mais ainda de uma capital, essas situações não podem prolongar-se anos a fio".

timeline

Assinado por Vasco Callixto, o texto debruça-se sobre "o mais belo miradouro da capital", que, embora pronto há cerca de meia década, nunca teria sido formalmente inaugurado e fala "daquele restaurante onde não se almoça nem se janta (...), mas 'come-se' a vista, que é um excelente 'alimento' mas não chega para 'sustentar' o turista de hoje". Um edifício ainda sem luz nem água, mas onde "o que é preciso, primeiro do que tudo, é abrir aquelas portas fechadas".

Dois anos mais tarde, em 1973 o incómodo persiste, com uma notícia na primeira página do Expresso, onde se diz que "o restaurante nasceu torto" e que "segundo o adágio popular, quem assim nasce 'tarde ou nunca se endireita'", afirmando ainda que "uma estrutura deficiente se corrigida a tempo, poderá, com os cuidados necessários, cumprir a sua missão". Uma missão que, segundo o jornal, passava por constituir "simultaneamente uma atração para Lisboa e que proporcionasse um serviço gastronómico de primeira classe.

Apesar dos percalços, os projetos continuavam a ser grandiosos: 180 lugares interiores e 150 na esplanada, capacidade para atender 350 pessoas, construção de uma capela de serviço para casamentos e batizados, camarins para os artistas de variedades que atuassem no restaurante e instalações sociais para cerca de três centenas de empregados. Mas, mais uma vez, fica-se pelos planos, com a notícia a receber o título de "Restaurante de Monsanto: as novas obras de Santa Engrácia".

Recorte de jornal: Restaurante de Monsanto: as novas obras de Santa Engrácia

De quando em quando

O recinto vai abrindo de tempos a tempos para eventos encomendados. Em 1972, foi no Panorâmico que teve lugar a festa da entrega dos prémios aos concorrentes do 6º Rally Internacional da TAP e a cerimónia em honra dos participantes no VII Colóquio Académico Militar Luso-Espanhol. No ano seguinte, recebe os membros do IV Congresso da União Ibérica de Zoos.

Tudo nesta história é estranho. A 7 de novembro de 1974 deveria ter sido celebrado o contrato de concessão entre a Câmara e Amadeu Dias, mas o evento é cancelado à última hora por telex . A nova data fixada é 10 de dezembro, mas, mais uma vez, não é celebrado o acordo entre as partes para a exploração do restaurante.

Um despacho camarário de novembro de 1973 refere ainda as intermitências do próprio contrato de concessão: "Os anos passaram, não se titulou o contrato, não se ajustou novo, não se cobrou qualquer renda, as obras não se realizaram e a exploração não se iniciou, apesar de ainda recentemente se terem assinalado novos prazos para esse efeito. E não parece razoável no quadro das atuais possibilidades financeiras da Câmara e no dos interesses que prioritariamente lhe cabe satisfazer, despender agora ainda mais do muito que já despendeu com o empreendimento. Dentro desta orientação tentou-se insistentemente obter do adjudicatário a aceitação de uma solução adequada, por forma a ser ele a realizar todas as despesas necessárias, evidentemente com justa compensação. Não tendo, porém, chegado a acordo, e porque não é de aceitar que por mais tempo se mantenha a situação actual, revogo o despacho de adjudicação proferido em 1968, devendo ser restituído ao anterior concessionário o depósito de garantia que efetuou".

Tinham-se passado cinco anos do fim da construção do edifício. Passaram-se 50 e não se pode dizer que o restaurante tenha encerrado portas, porque o Panorâmico já há muito que não tem portas. Certo é que pouco mais do que nada aconteceu ali em Monsanto nestas cinco décadas. Na sequência da decisão da Câmara de revogar o contrato com Amadeu Dias, o coronel Silva Sebastião, então à frente da CML, determinou que fosse aberto novo concurso público, com base no seguinte pressuposto: "A abertura do restaurante ao público terá lugar no prazo máximo e improrrogável de um ano". Pois.

Calendário de funcionamento do restaurante

O crime

Passaram-se já três anos e desta vez é o "Diário de Notícias", com o título "Panorâmico e Montes Claros — restaurantes 'às moscas' em Monsanto". Fala-se em regime de subutilização, em impasse judicial, em estabelecimentos controversos, em "maré de azar".

Explica-se que Amadeu Dias interpôs um recurso à decisão autárquica e que em 1976 o ansiado concurso público nem sequer chegou a ser aberto. Em 1980, o tom é muito mais grave, com "A Capital" a classificar como "um crime" a situação de um estabelecimento que "nunca chegou a entrar em funcionamento desde que foi construído, há cerca de 15 anos".

Agora é que era! "Segundo o presidente do município, prevê-se que a sua abertura se processe no decurso do próximo mês de agosto". Ou seja: em 45 dias... Krus Abecasis diz no artigo que "é absolutamente inadmissível" que um investimento daquela dimensão continue paralisado. E, em 1981, Amadeu Dias perde a concessão "por incumprimento culposo" o restaurante é adjudicado por 20 anos ao novo concessionário, José Cristóvão, e ao seu sócio João Mendes Leal. Os anos de 82 e 83 são dedicados à elaboração dos projetos arquitetónicos por Miguel Esteves, escolhido por eles para repaginar o edifício.

E de promessa em promessa, o restaurante-ÓVNI continua sem conseguir levantar voo. Ainda em 1982, o "Diário de Notícias" promete que o Panorâmico voltaria a funcionar em janeiro de 1984, assumindo ser aquele um "projeto fracassado logo à partida". Os sonhos agora traduzem a intenção de, além do restaurante, colocar em funcionamento um snack-bar, um salão de festas e um centro de animação "de dimensões europeias".

A fama de impossível e de mau agouro vai-se colando ao edifício como uma camada de tinta, há quem lhe chame "Tollan", "autêntico mono", e quem o queira ver demolido. Há também quem diga que no primeiro andar serão instaladas lojas para vender artesanato nacional e postais ilustrados e que os jovens terão na cave uma discoteca para mil pessoas, decorada com cascatas de água!

IV.Vida e morte do disco voador

Feitas as obras pelo novo concessionário, o Panorâmico viu a sua área aumentada em 40% e o número de andares passar de cinco para sete. Os restaurantes passam de um para dois, sendo o Grão Mestre de luxo, com capacidade para receber 300 pessoas, espaço para orquestra e pista de dança. Em baixo ficava o restaurante "Templários", de primeira categoria, e com varanda e esplanada e capacidade para acolher 250 pessoas. A sala de bingo estaria pronta a acolher 650 jogadores, apoiados por um bar e uma cafetaria. E no estacionamento, caberiam mil veículos. Tudo em grande, do bom e do melhor.

Corte do edifício com as plantas

"Quando encontrámos o edifício, estava mal conservado, cheio de infiltrações, nada de mobiliário, desabitado", resume Miguel Esteves. Mas o empresário José Cristóvão, ainda vivo e dono entre outros do Hotel dos Templários, tinha fé: "Se uma coisa dessas não funcionar neste sítio, não vale a pena fazer mais nada em Lisboa." Era um mantra. Provar-se-ia que sem eco no universo, mãos à obra, remodelaram-se os dois restaurantes, fizeram-se obras profundas nas cozinhas, escavou-se o miolo do edifício, "a única hipótese era crescer para baixo". Tanto investimento não teria retorno fácil, já se previa. "Não se investiu em divulgação, foi tudo para as obras", recorda Miguel Esteves.

A inauguração acontece a 14 de abril de 1984, com destaque para o restaurante de luxo denominado Grão-Mestre, e o Bingo abre portas dois meses depois. Mas são evidentes os sinais de que algo não corria bem. O serviço não ajudava, era lento. Os preços eram altos. José Cristóvão terá perdido muito dinheiro no Panorâmico, talvez cerca de 2,5 milhões só nas obras. Nos anos de sonhos, chegou a pensar avançar com um restaurante e Miguel Esteves recorda o plano de ali instalar um hotel com 200 quartos, "espalhados por três andares, no anel por baixo do miradouro".

O Bingo não foi o sucesso esperado, a discoteca nunca se fez, "em termos financeiros foi um desastre". Os anos passaram, o silêncio caiu sobre Monsanto e os lisboetas esqueceram-se do seu disco voador particular. Em 2001 cessa a concessão a José Cristóvão e o edifício é devolvido à Câmara, preservado, mas sem rumo.

"É uma história triste de um edifício", sussurra Luís Dourdil, filho do pintor com o mesmo nome que trabalhou no grande mural sobre as escadarias internas. Recorda que o pai foi convidado pelo próprio França Borges e que ele, com 19 anos, foi o motorista do pai nas inúmeras viagens a Monsanto. Um trabalho delicado, de pintura mural em têmpera de ovo, que evocava as velas dos navios sobre o Tejo e as cores translúcidas da cidade. A obra mais degradada do edifício, nada restou de memória. E quando José Cristóvão foi buscar o pintor para refazer o trabalho, este recusou-se, tal era o estrago verificado.

Qual passarola sem balão e ave sem asas, o edifício vive do vazio, cheio de silêncio, a ver de longe uma cidade em mudança. O sopro de energia chega na noite de 20 de setembro de 2003. A Experimenta Design, com o apoio do então presidente da Câmara Pedro Santana Lopes, invade o ÓVNI para ali celebrar o evento em Lisboa. O convite para a festa Super Panorama Super Party revela finalmente a natureza do edifício, transformado num enorme disco voador colorido.

A organização coube à Produção Pura, cuja primeira preocupação foi restabelecer ligações elétricas. Foram feitas novas escadas, retirados vidros partidos e pintaram-se paredes. Uma azáfama para receber entre 500 e mil pessoas, ninguém sabe ao certo quantas por lá passaram naquela noite. "A primeira vez que lá entrei, a vontade era dizer, pessoal, vamos embora, como está fica, tal era o estrago", conta Gonçalo Morais, responsável pela preparação do evento. Havia lixo espalhado, inundações, tetos caídos. Arranjado o cenário, o resultado foi único e quem por lá passou nunca se esqueceu do ambiente.

"Em Lisboa, existem poucos espaços diferentes, pouco utilizados, o Panorâmico surgiu como uma oportunidade, estava fechado e é um edifício mágico", explica Guta Moura Guedes, diretora da Experimenta Design. Mais do que uma festa, diz que aquela noite foi "um grande evento, com músicos, DJ visuais, artistas portugueses e estrangeiros e milhares de pessoas, impressionadas com a vista incível sobre a cidade, com o restaurante a parecer um farol em Monsanto", recorda. Lembra-se ainda de que "estava nevoeiro e a luz ia surgindo" e que a festa só terminou às nove da manhã. A última vez que o Panorâmico se encheu.

Arquivo da Experimenta Design
Arquivo da Experimenta Design
Arquivo da Experimenta Design
Arquivo da Experimenta Design
Arquivo da Experimenta Design
Arquivo da Experimenta Design
Arquivo da Experimenta Design

Breve renascer

Em 2004, a CML arranca com obras de adaptação do edifício para receber ali escritórios camarários. No ano seguinte, a novidade surge no "Público", que anuncia todo um novo projeto de vida para o Panorâmico. Nada de festas, restaurantes ou lazer, afinal o edifício circular encontraria o futuro na instalação de gabinetes para as áreas de Ambiente Urbano, Atividades Económicas e de Obras e Infraestruturas de Saneamento, capaz de abrigar 548 trabalhadores. Afinal, seria mais um alarme falso.

"Do que mais gostei de fazer na Câmara não foram os túneis, foi a recuperação de Monsanto, tirar de lá a prostituição. O Panorâmico é um edifício bonito, original, com passado e história", afirma Pedro Santana Lopes. Olhando hoje para o espaço desaproveitado, diz que "devia ligar turismo e cultura, congregar ideias de jovens arquitetos, as cidades precisam disso". Absolutamente contrário à demolição do restaurante, Santana Lopes diz que o edifício é "simbólico" e deveria "ser muito mais bem aproveitado". Para um hotel? "Acho que sim. Pode e deve. É uma riqueza de Lisboa."

Em 2007, falta dinheiro e a Câmara parte à procura de um parceiro para fazer obras de vinte milhões de euros no Panorâmico. As declarações ao "Diário de Notícias" são do vereador com o pelouro dos Espaços Verdes e Ambiente, José Sá Fernandes. "O edifício representa hoje mesmo um problema", sublinha, justificando a opinião com o abandono e adegradação em resultado de obras feitas durante o mandato de Santana Lopes.

Apesar das dificuldades, o vereador diz que a demolição do edifício está fora de questão. A expressão da altura é "malapata", mas já se fala abertamente de falta de vontade política em fazer que o empreendimento tenha sucesso. E então a solução seria a instalação dos serviços da Proteção Civil e departamentos ligados ao Regimento de Sapadores Bombeiros, devido ao baixo risco sísmico da zona. Uma ideia que custaria sete milhões de euros à Câmara.

Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML
Fotografias do Departamento de Projetos e Equipamentos da CML

Olho invisível

Há um ano, a exposição "Viagem Invisível", no Teatro Itália em Lisboa, foi buscar edifícios que existem à margem das pessoas, das cidades. O Panorâmico impôs-se. Luís Santiago, foi um dos organizadores, juntamente com Maria Rita Pais, ambos arquitetos. Santiago fala do edifício como "uma obra heterodoxa, fora do que é tradicional na arquitetura portuguesa ", uma "máquina metropolitana, à semelhança das cidades norte-americanas, a funcionar 24 horas por dia". Apesar da ambição, mantém-se o mistério: "Pouco se conhece sobre o arquiteto que o fez, uma obra estranha, um enigma, que traduz uma deslocação das interpretações dominantes, absolutamente singular e fundamental para a história de Lisboa".

Santiago envolveu-se em pesquisas, reuniu documentos dispersos por vários serviços da Câmara e percebeu que, na primeira versão, o Panorâmico não tinha torre, que resultou de um problema prático: a construção de um reservatório de água. Mas tinha outras surpresas, como um anúncio luminoso, "nada Estado Novo e que simbolizava a desagregação do regime". Mas, alerta, "sendo monumental, acabou por ser invisível". "É um olho cego sobre a cidade", conclui. Com o tempo, o edifício foi sendo envolvido pela mata, sem sinalização, ocultou-se no parque, desapareceu. O arquiteto não acredita, contudo, já ter visto o fim: "A história do Panorâmico ainda não acabou. Aquele é um edifício poderoso. Algo que paira, que nos coloca em bicos dos pés sobre a cidade e que cumpre a promessa do nome que lhe foi dado, Panorâmico."

V.À espera de uma boa ideia

Em 2011 a discussão nas páginas dos jornais já será outra: a reabilitação do espaço como forma de preservação das obras de arte. As críticas são da vereadora independente Helena Roseta, desagradada com as autorizações camarárias para que ali fosse aberto um escritório de uma empresa de filmagens e outro de materiais de construção.

No ano seguinte, os planos para o edifício já têm um nome: "Centro Estratégico de Prevenção e Socorro de Lisboa", juntando as forças dos Bombeiros, Proteção Civil, Polícia Municipal e Polícia Florestal. O anúncio é feito pelo presidente da Câmara, António Costa. Palavras leva-as o vento.

A última notícia é de 2017, onde discretamente, o Panorâmico é resumido à função de miradouro municipal, "um ponto para olhar Lisboa", dizem eles. Limpo, com algumas grades instaladas e um guarda florestal, limita-se à função de olhar para a capital. E é assim, pelas páginas dos jornais que os lisboetas vão percebendo o que se passa nos átrios circulares. E na verdade, passa-se muito pouco, afinal, em cinco décadas, o restaurante funcionou continuamente apenas dois anos: 1984 e 1985.

Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018
Fotografias de João Carlos Santos em 2018

As dúvidas sobre o papel daquele edifício na vida da cidade persistem e as loucuras a ele associadas também. Ao gabinete de Sá Fernandes, outra vez responsável pelo projeto, chega de tudo um pouco: labirinto para festas infantis, local de treinamento de cães, um hotel. O vereador decide então avançar com a abertura de um concurso de ideias, devolvendo aos moradores de Lisboa a palavra sobre o futuro do empreendimento. A única reserva é que se mantenha o acesso gratuito ao miradouro.

"Fiquei com Monsanto em 2007 e percebi que havia ali qualquer coisa, além de uma vista fantástica", recorda o vereador José Sá Fernandes. Há dois anos, o empreendimento voltou a ficar sob a sua tutela. Encontrou "um edifício perigoso, degradado, informalmente utilizado". Mandou limpar, fechar buracos, "gastando o mínimo possível para as pessoas continuarem a visitar o Panorâmico em segurança". Sá Fernandes tem ideias para o edifício, mas não as partilha, quer dar a vez aos lisboetas. Sabe que o investimento na reabilitação do empreendimento irá exigir "milhões de euros".

Para atrair ideias e lançar o concurso promete fazer um evento em setembro, "uma experiência qualquer" porque, acredita, "não há ninguém que venha ao Panorâmico e não tenha uma ideia". Classifica o edifício de "uma ágora, geradora de uma onda de criatividade". "É estranho ter-se gastado tanto dinheiro e não dar uso. Foram falhanços atrás de falhanços. Politicamente, uma pessoa apanha com um monstro destes e o que vai fazer? A minha única obrigação é colocar as pessoas a olhar para isso e para Lisboa."

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Como chegar

O Panorâmico de Monsanto está aberto, com entrada gratuita, todos os dias entre as 9h e as 18h, mas não é fácil chegar até lá. Pode apanhar o autocarro 711 no Marquês de Pombal para o Alto da Damaia e sair na Avenida Tenente Martins, em frente das instalações militares, virar à direita em direção à torre de comunicações, depois duas vezes à esquerda. De carro a partir de Lisboa, entre na A5, saia para Monsanto, na rotunda vire na primeira saída, continue até ao Estabelecimento Prisional, vire à direita e quando chegar ao cruzamento, novamente à direita. Passe pelo Parque Recreativo do Alto da Serafina e vire à direita.

Créditos

Investigação e infografiaJaime Figueiredo TextoChristiana Martins Edição Multimédia e vídeoJoana Beleza Fotografia e imagens droneJoão Carlos Santos Web DesignTiago Pereira Santos Web DeveloperMaria Romero Grafismo animadoCarlos Paes Apoio técnicoCarlos Esteves Coordenação editorialGermano Oliveira

Agradecimentos

Ana Lagartinho António Duarte CML - Departamento de projetos e equipamentos Gabinete de Estudos Olisiponenses Hemeroteca Municipal de Lisboa Museu de Lisboa, Palácio Pimenta Experimenta Design Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa GESCO Gestão de Conteúdos Grupo Impresa Gonçalo Moraes Luís Fernando Dourdil Luís Santiago Manuela Madureira Miguel Esteves
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