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"Não me interessa o cliché do machão rock'n'roller"

O homem-tigre já não é um segredo de um nicho de seguidores. Com o disco "Femina", passou a estrela pop portuguesa, depois de provar que o rock e o blues podem combinar músculos com lábios pintados. No próximo dia 10, no Festival Optimus Alive, terá o seu momento de consagração

Entrevista de Bernardo Mendonça, fotografias de Tiago Miranda (www.expresso.pt)

Esta conversa foi dividida em duas tardes. No primeiro dia, Paulo Furtado recebeu-nos na sala do seu apartamento, em Lisboa. A casa onde reside é um lugar cheio de luz e história, íntimo e familiar, porque foi durante uma vida inteira a morada dos seus avós maternos. Em todos os detalhes sente-se o olhar deste criativo, com muita estrada feita. O mobiliário é dos anos 50. No chão da sala, um comboio está estacionado numa pista de plástico. E, na parede, uma guitarra e uma frase em néon sussurram: "Oh, Tiger". Fala pausadamente, por vezes hesitante, sempre tímido, à procura das palavras certas que traduzam a urgência por fazer música com assinatura. Para se libertar mais no discurso, a segunda tarde é marcada para o seu lugar de evasão preferido, o jardim da Gulbenkian. E é aí que nos fala da sua fase de roqueiro da pesada, na vertigem do sexo, drogas e rock'n'roll. "Mas isso é passado. Estou com outra idade e maturidade", diz. Este é o homem-tigre, o one man band, que saiu de Coimbra para conquistar o país e o mundo com o seu rock e blues tocados numa guitarra elétrica, num bombo e num prato. Aos 39 anos, Paulo Furtado, aliás Legendary Tiger Man, aparece na capa do seu último disco, "Femina", em tronco nu, de olhos pintados e com pestanas postiças, o cigarro a consumir-se entre os dedos e o rosto meio maquilhado, numa fotografia de Jean-Baptiste Mondino, o mesmo que um dia realizou o videoclip "Justify My Love" para Madonna. Furtado é talvez o único grande fenómeno da pop nacional dos últimos dez anos, um segredo bem guardado que viverá a sua consagração no dia 10 de Julho, no Optimus Alive 2010.

Vive há 20 anos da música, mas foi com o lançamento do seu último disco, "Femina" (2009), que ascendeu a fenómeno pop e o grande público passou a ouvir falar de si e do seu alter ego musical, Legendary Tiger Man. Quem é, afinal, o Legendary Tiger Man? Este alter ego que criei acabou por funcionar como uma espécie de proteção, é o meu fato de super-herói. Eu sou bastante tímido, e no arranque desta one man band precisei de uma boa dose de coragem para me apresentar sozinho em palco, a tocar vários instrumentos e com uma postura séria. A minha grande guerra era que as pessoas não achassem que estavam a ver um número de circo.

Onde foi arranjar esse nome tão exótico? Inspirei-me no Legendary Stardust Cowboy, um artista performático americano de rock'n'roll. É um tipo com um estilo musical inclassificável, que não se importa tanto com a música, mas sim com todo o ato de liberdade associado à música. Quanto ao apelido Tiger Man, adotei-o de uma música do Rufus Thomas com esse nome.

O seu projeto musical é particularmente invulgar, porque sobe a palco sozinho e canta, toca guitarra elétrica e faz uso de um bombo e de um prato. Porque quis arriscar ser o faz-tudo da sua nova banda? Nunca premeditei fazer uma one man band. Este projeto aconteceu por acidente há 11 anos. Estava a atravessar um momento de rutura com a minha banda da altura Tédio Boys e a tentar compor a solo. No local onde eu ensaiava havia um bombo e um prato de choque que passei a usar com a minha guitarra. De repente surgiram temas que passaram a fazer sentido dessa maneira. Tudo começou assim, espontaneamente. Até aqui, ninguém poderia esperar que este meu projeto vendesse mais de dez mil discos e chegasse a disco de ouro. Mas chegou. O disco é bom. Na verdade, é o meu melhor disco. Para ser honesto, o meu disco anterior não tinha qualidade para atingir dez mil pessoas. Andei todos estes anos a tentar chegar a um determinado local e acho que finalmente estou a chegar lá...

Que lugar é esse? É aquele que me permite fazer concertos em qualquer país da Europa para um número de pessoas razoável.

Como define artisticamente o projeto Legendary Tiger Man? É multidisciplinar e contemporâneo. Talvez esta seja a one man band mais numerosa do mundo. Sei bem que faço música um bocado estranha, mas nunca duvidei que, mesmo assim, pudesse chegar a muitas pessoas.

Acha-se um músico estranho? Claramente que a música que faço enquanto Legendary Tiger Man é estranha, pelo formato e pela composição. É totalmente diferente da música que se faz por aí. Quando estou nos concertos sozinho, agarrado ao bombo e à tarola, frente a uma plateia de quatro mil pessoas a vibrarem, fico pasmado. Se sou estranho? Não tenho um talento genial para a música! Não tenho uma voz brilhante, antes pelo contrário. Também não sou um guitarrista brilhante, nem tenho um ouvido musical ao mais alto nível...

Como suporta ser músico se faz uma autocrítica tão dura? Não acho que seja uma autocrítica o que acabo de dizer. É uma autoconsciência. Mas eu, com isto, não estou a dizer que as minhas músicas e criações não são válidas. Antes pelo contrário. Apenas considero que tenho de ter a perfeita noção do que sou e do que posso fazer para que as minhas criações saiam bem.

Na capa de "Femina" aparece com pestanas postiças, lábios esborratados de batom, a fumar em pose de provocação, numa reinterpretação da capa do álbum "Love on the Beat", de Serge Gainsbourg (1984). Quis chocar? Quis trazer ambiguidade para o universo masculino do rock? Sim. Gosto de elementos desestabilizadores. Que existam fora do estereótipo do machão rock'n'roller que controla a cena toda, rodeado de mulheres maravilhosas. Não me interessam esses clichés. São guetos e microclimas culturais que me fazem impressão. Como este disco é sobre mulheres, achei interessante trazer alguma androginia para a capa do disco.

Como se sentiu ao expor um lado mais feminino? Sempre vi aquelas fotos como a tentativa de um homem aproximar-se do universo feminino. Não como um travestismo, mas como um tributo à feminilidade. Não quis pôr em causa a minha masculinidade,

As questões de género são um tema cada vez mais difuso, nomeadamente nas artes. Acha que Portugal está mais andrógino? Está mais permissivo, mais tolerante. Se eu tivesse lançado o disco "Femina" há 12 anos, as pessoas perguntar-me-iam logo se eu estava a sair do armário, se tinha algum problema. Hoje, isso não é questão, ninguém me pergunta se estou com dúvidas de identidade, nem é importante se sou heterossexual ou gay. Para a maioria das pessoas deixou de ser um problema a sexualidade de cada um. Evoluímos muito enquanto povo. Estamos agora mais perto da Europa do ponto de vista cultural do que alguma vez estivemos.

Como surgiu a oportunidade de ser fotografado pelo francês Jean-Baptiste Mondino, um dos maiores nomes da fotografia contemporânea e realizador de videoclipes musicais com Madonna ou Bowie? Há quatro anos, quando fui fazer o lançamento do meu terceiro álbum, "Masquerade", a Paris, a minha editora marcou uma sessão de fotos com o Mondino. Eu estranhei. Achei que a minha editora estava a alucinar. Como tinham arranjado orçamento suficiente para ele? Provavelmente, o dinheiro que ele receberia pelas fotos seria o preço final do meu disco. Mas, afinal, foi ele que propôs fazer as fotos à borla. Ele adora rock'n'roll e blues, interessou-se pelo meu projeto e quis fotografar-me. É uma coisa que ele faz com os artistas de que gosta bastante. Após a sessão fotográfica, ofereceu as fotos não só a mim como a várias revistas francesas. O que foi ótimo, porque, como eram fotos do Mondino e à borla, as revistas publicaram de imediato vários artigos sobre mim. Portanto, no ano passado, quando pensei na imagem para a capa do "Femina", tornou-se claro e definitivo que teria de ser o Mondino a fazer as fotos. E mais uma vez ele fê-las de borla...

Para este disco convidou 12 mulheres. Um elenco de luxo que contempla a atriz italiana Asia Argento, as cantoras Cybelle e Peaches ou a multifacetada Maria de Medeiros. O que o levou a convidar apenas mulheres? Ando há dez anos a cantar o tema 'mulher', seja no grupo Wraygunn ou enquanto Legendary Tiger Man. Costumava ter apenas uma perspetiva masculina da mulher. E, desta vez, para cada música quis ter duas perspetivas e dois lados. Quis que neste disco existisse um diálogo e uma tensão entre sexos.

Consta que há muitos anos, a meio de um concerto, um elemento do público se jogou a si e mordeu-lhe os testículos. É verdade?  verídico. Aconteceu há muito, muito tempo, em Hollywood, quando eu andava em digressão pela América com a minha primeira banda, os Tédio Boys. De facto, uma pessoa subiu ao palco e fez-me isso risos.

Como recorda esses tempos de juventude? Muito excesso e loucura? Sim. Foi uma época engraçada, em que compunha músicas entre o punk rock, o rock'n'roll e o surf. Com a banda Tédio Boys cheguei a dar duas voltas à América a bordo de uma carrinha. Essas tournées prolongavam-se por três meses na estrada. E havia sempre mais uma festa depois do concerto, mais um convívio marcado na casa de alguém. A partir do momento que entrei nesse ritmo, foi-me difícil escapar-lhe. A música era importante, chegámos a ter vários discos editados na América, mas as vivências paralelas também eram.

Que drogas chegou a experimentar? Um bocadinho de todas. A droga estava sempre presente, ou porque alguém a tinha ou porque havia sempre uma festa para onde ir. Nessa altura não buscava só a música, mas essa vivência rock'n'roll de estrada. Algo que hoje já não me interessa, por uma questão de idade e de maturidade. Já tive o suficiente disso.

Nessa fase de excesso, chegou a ser preso? (pausa) Nessa altura não. Mas há 11 anos estive preso durante dez horas por ter sido apanhado a conduzir com excesso de álcool. Passei a noite toda na esquadra, e às dez da manhã deram-me o pequeno-almoço, que era constituído por um pão com manteiga e um sumo de laranja maravilhoso de uma marca antiga que já não existe em lado nenhum. Costumo dizer que tomei na prisão o pequeno-almoço mais caro da minha vida. Custou-me 350 euros risos.

E quanto ao álcool. Costuma beber antes de atuar? Sim, normalmente bebo um whisky e fumo um cigarro. É uma espécie de bengala que me relaxa. A droga nunca foi um problema para mim. Se calhar, a droga mais perigosa de todas é o álcool, porque é mais aceite socialmente. Mas nunca fiquei dependente da bebida.

Já atuou alcoolizado? Sim. E é terrível. Enquanto Legendary Tiger Man aconteceu-me apenas uma vez, há uns anos. Era verão, o espetáculo demorou horas a fio para arrancar, estava a beber um copo para fazer tempo e quando dei por mim percebi que não estava o mais capaz possível. Durante a primeira música achei que não conseguia prosseguir com o concerto. Acabei por ficar sóbrio com o susto que apanhei. Não é definitivamente algo aconselhável nem possível neste projeto a solo.

Recuemos à sua infância. Nasceu em Moçambique e foi com um ano e meio para Coimbra. Quais são as suas primeiras memórias? Importa dizer que o meu primeiro ano de vida foi bastante complexo. Os meus pais tiveram um grave desastre de automóvel quando a minha mãe estava grávida de cinco meses, e ela esteve na iminência de abortar. Em seguida, meses depois de eu nascer, o meu pai, que é muito distraído, voltou a ter outro acidente, e dessa vez eu fui cuspido pelo vidro. Existe até uma foto muito engraçada, em que a minha mãe está com um bebé pequenito ao colo cheio de nódoas negras, com a cara toda negra e inchada. Era eu risos.

Que tipo de criança era? Muito introvertido. Era capaz de estar horas a ler ou a inventar brincadeiras com jogos mentais. Tinha cadernos manuscritos com 30 mil regras que eu inventava. Também jogava à bola, mas não era a minha paixão.

Seria de esperar que fosse mais do género 'peste'. Quando é que descobre a música? A minha fase 'peste' começou aos 13 anos. Aos 15 anos, uma colega de turma ensinou-me a tocar meia dúzia de acordes numa guitarra elétrica. Fiquei entusiasmado com a descoberta e, mal chegaram as férias de Verão, fui para a Suíça apanhar tabaco para ganhar dinheiro para as minhas viagens de Interrail e para a minha primeira guitarra elétrica. E, antes de saber tocá-la, já dava concertos no Ateneu de Coimbra com uma versão de "The Jesus and Mary Chain", com a guitarra ligada a um gravador de cassetes risos.

Qual era o seu estilo visual na altura? Era um bocado exótico. Tinha a mania dos fatos. Usava uns de padrão leopardo, outros às riscas, e calçava sapatos Creepers modelo ao estilo dos anos 50, com a sola mais alta. O meu estilo estava entre o punk rock e o rock'n'roll. Eu e os meus colegas dos Tédio Boys éramos um bocado óvnis em Coimbra. Mas, como tínhamos um estilo marcado e uma vontade tão forte de fazer acontecer coisas, acabávamos por influenciar a forma de as pessoas se vestirem na cidade.

É conhecido por ser uma espécie de enfant terrible. No verão passado, abandonou o palco do Festival Sudoeste pouco depois de iniciar a sua atuação. Porquê? Porque o som do palco eletrónico estava tão alto que se sobrepunha ao som do palco onde eu devia cantar, tornando totalmente impossível a hipótese de eu atuar.

Tem 39 anos. Pensa ter filhos? Sim, penso.

Que valores gostava de lhes passar? Valores à antiga. Refiro-me aos valores que o meu pai me passou. A importância de se ser frontal, honesto e justo. Respeitar os outros, mas seguindo um caminho individual, sem atalhos. O meu pai sempre me ensinou que o rigor e o trabalho eram uma coisa e a amizade era outra. Ele costumava usar uma metáfora engraçada que definia um pouco a forma de estar de muitos portugueses: "Se imaginarmos a vida como uma corrida, muitos portugueses chegam a dado momento do caminho e abrandam. Mas, quando olham para trás e veem outros corredores a aproximar-se deles, em vez de acelerarem para ganharem novamente distância colocam os braços para trás e barram todos para os impedir de passar." Continuo a refletir sobre essa imagem e quero passá-la aos meus filhos.

É católico? Tem alguma religião? Não. Tenho o maior respeito pelas religiões, são um consolo para muitas pessoas, mas, para ser sincero, a recente visita do Papa ao nosso país criou-me algum asco, pelo uso de microfones de ouro e sapatos vermelhos italianos. Não me parece que o Papa possa representar efetivamente a religião católica como ela inicialmente poderia ter sido imaginada. No fundo, os Papas e a Igreja Católica têm sido responsáveis pelas maiores atrocidades na história. O facto de o Papa ter ido há pouco tempo a África, visitado países com 80 por cento da população a sofrer de sida e depois ter dito que o preservativo é pecado e que a abstenção é a solução é, para mim, a mesma coisa que apontar uma arma à cabeça de uma pessoa e disparar. O sexo é a coisa mais natural do mundo. Faz parte de nós. Já é tempo de nos libertarmos desta carga e culpa que tem feito parte da educação mediterrânica.

E, no que diz respeito à política, tem cor partidária? Costuma votar? Não. Nunca votei. Não tenho confiança nenhuma na classe política. E se não vejo nada mais eficaz que a democracia, por outro lado estes políticos não me motivam minimamente para eu exercer o meu direito de voto.

Qual é a sua opinião sobre a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas? Não tenho grande opinião. Acho que o Manuel Maria Carrilho foi quem deixou a melhor obra na área. Foi ele que criou a rede de auditórios no país, que hoje permite a qualquer banda fazer digressões com 40 a 50 datas em diferentes sítios com qualidade e dignidade. No meu ponto de vista, foi a coisa mais notável que foi feita culturalmente em Portugal.

Quem é que gostaria de ver no lugar de Presidente da República? Talvez o Manuel Alegre. Passa-me alguma confiança. Um Presidente da República tem de ter uma vivência e um conhecimento cultural do país e do estrangeiro bastante grande. Como Mário Soares. Talvez o Alegre tenha essa carga de vida e de cultura. Cavaco Silva é desadequado para o cargo. É um rosto do passado do nosso país. E, eventualmente, Manuel Alegre poderá ser o rosto do presente.

Qual seria a sua profissão se não fosse músico? Poderia fazer coisas manuais. Móveis, por exemplo. Ou guitarras risos.

Tem quatro tatuagens nos braços que já são uma parte indissociável da sua imagem. O que representam? São apenas mulheres. Fi-las há 14 anos por questões estéticas e tornaram-se um amuleto. Tenho desenhadas na pele uma pin-up, uma vampira dos filmes de Ed Wood e a noiva do Frankenstein combinadas com cartas e símbolos que têm a ver com a sorte. Se fosse hoje, não as faria. Mas vivo bem com elas.

Enquanto Legendary Tiger Man, construiu uma imagem de mistério, sensualidade e provocação. Tem fãs que o assediam? Tenho. Mas não costumo sofrer ataques incómodos. Curiosamente, é em França que tenho mais fãs e numa faixa etária de mulheres entre os 50 e os 60 e muitos. São senhoras que me costumam entregar cartas, cartões e envelopes com números de telefone e poemas. Houve até uma senhora que trabalhava na Câmara de Paris e que me enviou bastantes cartas durante muito tempo. Foi uma paixão duradoura. Agora, quando estou num concerto e vejo uma senhora com 50 anos a aproximar-se de mim, já sei o que vai acontecer. Vem com um envelopezinho risos.

Pelos vistos, são admiradoras influentes... Sim. Imagino que sim. Agora que estou a pensar nisso, recordo-me que fui tocar a um festival em Paris na altura em que recebi a primeira carta dessa responsável da Câmara de Paris. Se calhar, tive a felicidade de ser contratado sob a influência dessa senhora.

A sessão fotográfica para esta entrevista foi feita num motel, em Sintra. Conhece bem este universo? Sim. Até já frequentei. Este tipo de motéis para encontros tem muita piada. Os pormenores dos motéis são impagáveis. Desde o facto de se entrar com o carro na garagem e se ter acesso direto ao quarto até à decoração dos interiores.

Acha-os espaços afrodisíacos? Não. Isso é ser demasiado crente. Acho que estes espaços são demasiado cómicos. As luzes, as bolas de espelhos, os arranjinhos fazem-me rir.

Que prazeres não costuma confessar nem aos melhores amigos? pausa Às vezes gosto de ver comédias românticas. Como por exemplo o "Doidos por Mary" dos irmãos Farrelly.

Que notícia nos últimos tempos lhe chamou mais a atenção? A notícia do ataque de militares de Israel aos barcos de ajuda humanitária. Eventualmente, a história poderá estar mal contada. Mas a questão israelo-palestiniana tem-me preocupado bastante. Não sei porquê tenho um feeling que se algum dia houver algo de tão mau quanto a Primeira ou a Segunda Guerra Mundial, eventualmente vai começar por ali. Basta repararmos que todas as portas à negociação se têm vindo a fechar nos últimos anos, nunca houve tanta impossibilidade de diálogo, e o que se passou agora pode vir a ser muito grave no futuro, com consequências gravíssimas.

Qual é o seu maior medo? Temo que um dia pegue na guitarra e não me saia nada. Que subitamente não tenha nada para dizer, escrever ou passar para os outros. A ideia de perder a criatividade assusta-me.

Como imagina a sua velhice? No campo. Ao pé de um rio ou ao pé do mar. Com cães velhos e guitarras velhas. A fazer música, mas relaxadamente.

Quando morrer, o que gostará que esteja escrito na sua campa? Aqui jaz Paulo Furtado, que irá dar muito mais problemas depois de morto do que em vida.

Publicado na Revista Única de 26 de Junho de 2010