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Mário Daniel : "O meu sonho sempre foi ser mágico"

Mário Daniel conta como despertou para a magia aos 6 anos de idade e como desde sempre quis fazer disso a sua vida.

Aos 7 anos recebeu a primeira caixa de magia, aos 16 era profissional e com 22 criou a sua empresa de produção de eventos. Agora com 30 anos, Mário Daniel é já um mágico de renome em Portugal. O programa "Minutos Mágicos", que é transmitido na SIC aos sábados à noite, catapultou-o para a fama. No último fim-de-semana foi uma das estrelas da Gala da Magia da Coca-Cola, no Campo Pequeno. em Lisboa.

O que é para si a magia?

(riso) A magia é uma arte.

Como é que se tornou mágico?

O primeiro contacto com a magia foi com 6 anos. Um sócio do meu pai fazia, na brincadeira, alguns truques. Aos 12 anos um colega levou para a escola um livro chamado "Magia Teatral", que me chamou a atenção. Comecei a estudar por aí e procurei mais livros. Entretanto, encontrei contactos de associações e comecei a ir a congressos. Os resultados que fui tendo em pequenos concursos deram-me vontade de continuar e de levar isto mais a sério. Por volta dos 16 anos eu já dizia que queria viver disto. Os meus pais diziam que era loucura.

E atualmente vive da magia?

Sim, nunca vivi de outra coisa. Tirei Educação Física, mas já com consciência de que ia viver da magia. Não foi uma coisa que surgiu agora com a televisão. A meio do curso abri a empresa Mário Daniel Produções, com o meu irmão. Hoje, ele é o realizador do programa "Minutos Mágicos". O projeto é inteiramente nosso.

Começou a fazer magia profissionalmente com 16 anos e criou a sua empresa com 22. Como é que um rapaz tão novo consegue triunfar no mundo da magia?

Se nos saímos bem, se o público que nos vê gosta, vai transmitir isso a outro público. É uma bola de neve. As coisas foram crescendo, passei do Peso da Régua, onde vivia, para Lisboa, sempre a fazer atuações, e nem percebia como é que aquilo acontecia, parecia natural.

Como é que aprendeu a ser mágico? É um autodidata?

Não acredito no conceito de autodidata, porque nós inspiramo-nos sempre nalguma coisa. Não tive um professor, mas absorvi de muitos. Se calhar até me ajudou, porque criei a minha própria maneira de estar na magia.

Para se ser um bom mágico, que características se deve ter?

As pessoas devem tentar perceber quais são os seus pontos fortes e usá-los. Devem ter autoconsciência, uma coisa que não existe muito. Se eu quisesse ser um mágico com um estilo clássico, em que parecesse um galante. Tenho 1,68 metros, não sou propriamente magro, não iria ficar muito bem de smoking e cartola na cabeça.

Quais são os seus pontos fortes enquanto mágico?

A comunicação, a expressão e a energia que ponho nas coisas. As pessoas querem "sentir sensações" - e toda a arte se resume a sensações. Ah, a naturalidade é uma palavra-chave para mim.

Também se surpreende com a magia que faz?

Sim, é uma forma de senti-la, de vivê-la. É claro que eu sei como é que ela está a ser feita, mas ao mesmo tempo é como se não soubesse.

Se eu quisesse aprender a fazer magia o que é que devia fazer?

O melhor seria ir à Associação Portuguesa de Ilusionismo e encontrar-se com o grupo que reúne às quintas-feiras. Estar inserido num grupo é importante para que a motivação se mantenha e para vermos o trabalho de outros artistas. Mas não se pense que, pelo facto de se saber como é que aquele truque se executa, isso faz de alguém um mágico. Do saber como se faz ao fazer vai uma diferença muito grande, ao fazer bem vai uma diferença ainda maior e ao fazer bem e comunicar bem, que é o mais importante, aí é que chegamos à arte.

Faz muitos espetáculos por ano?

Com o programa de televisão tive de pôr um travão, mas há dois anos fazia muitos. Tinha uma média incrível de três espetáculos por semana, uma coisa que pouca gente fará em Portugal.

Como caracteriza os seus espetáculos?

Todos são entretenimento, mas talvez aquilo que eu tente provocar mais seja a diversão e alguma poesia e nostalgia. Quando falo em poesia refiro-me a criar histórias que levem o público a refletir sobre algo mais do que o espetáculo em si, algo que ponha as pessoas a pensar na vida.

Consegue fazer um truque com qualquer objeto?

Sim. No fundo, os princípios mágicos são limitados, só podemos criar vinte e tal efeitos mágicos. Um objeto pode aparecer, desaparecer, transformar-se noutro, levitar ou fazer-se uma adivinhação com ele. Aquilo que muda são os objetos e a forma como eles são contados. Tanto faz que seja com o telemóvel, com a camisola ou com a roupa interior.

Houve algum truque que lhe tivesse corrido mal?

Claro que sim. Não há nada que seja técnico que não corra mal, mas há maneiras de dar a volta. Se vejo que me despistei, agarro aquilo por outro ponto, a pessoa não sabe aquilo que ia acontecer, portanto resolve-se. Esse jogo de cintura adquire-se com o tempo e com a experiência.

Quer ter esta atividade até quando?

Forever! (riso) Não me vejo a fazer outra coisa. A magia não é uma profissão, é uma coisa que está cá dentro.

E projetos para o futuro?

Quero continuar a fazer eventos como este recente, da Coca-Cola, o maior que já se fez em Portugal ligado à magia, principalmente pela abertura que tem ao público. Tenho também como meta o Campeonato do Mundo, mas não tem um prazo, porque eu posso ganhar o Campeonato do Mundo com 50 anos; dificilmente terei um programa de televisão com esta idade.

Publicado na Única de 11 de Dezembro de 2010