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Carminho: "Sou do meu tempo, levo para o fado a minha vida"

Carmo Rebelo de Andrade, Carminho, estudou marketing, viajou, voltou a Lisboa e escolheu o fado. Tem 25 anos. Em Maio lançou o primeiro disco. Hoje, dia 9, estará no CCB 

Ana Soromenho (www.expresso.pt)

Quando, há meia dúzia de meses, Maria do Carmo Rebelo de Andrade - a Carminho da Mesa de Frades - lançou o seu primeiro disco, "Fado", várias vozes se elevaram, dando conta da dimensão do fenómeno: "O que ela canta! E como canta!" Agora, chegou a prova de fogo: na próxima quarta-feira, na sala do Centro Cultural de Belém, a fadista, que acabou de fazer 25 anos, vai actuar a solo. Diz que está "em pulgas". No fado, sente-se sempre em casa. É a sua pele. Filha da fadista Teresa Siqueira, dona da Taberna do Empossado, Maria do Carmo experimentou o palco do Coliseu num espectáculo da mãe, tinha 12 anos.

Desse dia, lembra-se sobretudo de uma luz intensa a bater-lhe nos olhos e de uns sapatos apertados que lhe magoavam os pés. A verdade é que, desde então, nunca mais deixou de sentir o à-vontade para desafiar o público com a sua voz. No dia combinado, apareceu à hora certa num restaurante à beira-rio, em Lisboa, com o seu ar de menina bem-comportada e uma expressão ligeiramente amuada para disfarçar a timidez, que logo se desmancha numa gargalhada rouca e sonora. Trauteia o tempo inteiro. Se for apanhada distraída é, seguramente, porque está a cantar.

Uma actuação numa casa de fados não é igual a um concerto ou um espectáculo. Como classifica o que ali acontece? É um momento. Uma pausa no jantar. Ou melhor: uma pausa no jantar para sentir. Por vezes, conseguimos fazer com que as pessoas sintam coisas fortes. Podem ficar enregeladas, arrepiadas e até assustadas, mas depois as luzes acendem-se e o jantar continua. Mas também podemos considerar o que acontece numa casa de fados como uma jam session, no sentido em que não fazemos ensaios. Há noites em que canto na Mesa de Frades e não conheço nem o guitarrista, nem o baixista, nem o viola. Ninguém se conhece e cada um dá o máximo de si.

 As pessoas podem ficar 'assustadas' ao ouvi-la cantar? Podem quando não estão dispostas a sentir. O fado é um momento de verdade, toca emoções muito fortes.Isso são os clichés sobre o fado... Não, não são. Percebo que diga isso, porque todos os fadistas afirmam que o fado é um momento mágico, que pode ou não acontecer. Mas as letras são de facto fortes. Falam de vida e de sentimentos que nos tocam no mais íntimo. Muitas vezes dizem-me: "Foste intrusiva. Não gostei." Há noites em que as pessoas só querem sair para beber um copo e ouvir uns fados e depois são confrontadas com aquela intensidade, e não é fácil...

 

Só canta o que sente? Sim. Mas claro que existe sempre uma representação dos sentimentos. Se na realidade sentisse uma grande comoção, como em alguns dias pareço sentir, a voz ficava embargada e adeus. Fisicamente, tornar-se-ia impossível cantar.

Está habituada à dimensão da casa de fados, mas hoje fará o seu primeiro espectáculo no CCB. Não tem medo dessa mudança de escala? O CCB impõe respeito. Num palco tudo é programado, no chão há marcações... Mas não tenho medo. Estou em pulgas! E não é a primeira vez que canto numa sala de espectáculos. São experiências tão diferentes que não sei qual prefiro. No palco estou mais sozinha, e às vezes é melhor. Quando consigo abstrair-me das pessoas que estão do outro lado, é uma experiência que ultrapassa a da casa de fados.

A Mesa de Frades transformou-se num fenómeno de moda. Uma espécie de lugar de culto na noite de Lisboa onde se vai ouvir a Carminho cantar, goste-se ou não de fado. Tornou o fado num momento cool? Acho graça a esse comentário. O meu reportório e a forma como canto é totalmente tradicional. Acontece que, apesar de ter crescido numa casa de fados, o meu meio nunca foi só esse. Sou do meu tempo e levo para o fado a minha vida: as viagens que fiz, os Bairros Altos por onde andei, os amigos que tenho... uns do fado, outros de outras músicas e outros ainda que não têm nada a ver com isto. Mas é verdade que a Mesa de Frades se tornou num fenómeno de moda e por acaso até perdeu metade da graça.

Tem orgulho em ser fadista? Continua a ser uma escolha rara na sua geração... Tenho orgulho em ser fadista, mas não gosto particularmente de me sentir mais especial do que os outros. Não gosto e não sou. Irrita-me profundamente essa coisa... "Sou tão especial! Um dia vais perceber." As pessoas que se sentam num canto do café com a sua Moleskine, o lápis velho e um ar de que são particulares... não suporto.

 

Referiu que escolheu o caminho mais tradicional do fado, mas a sua imagem, pelo contrário, é contemporânea. A capa do seu disco poderia ser a de uma pop star. Bem! Obrigada! Saio daqui maravilhada!... Mas, sim, fiz questão de produzir uma imagem que tem a ver com aquilo que dizíamos há pouco sobre ser diferente e parecer cool. Quis desconstruir a imagem da fadista tradicional, mais pesada, mais misteriosa... As pessoas vêm ter comigo e dizem: "Antes de te ouvir, não gostava de fado. Agora gosto porque tu realmente és diferente." Agradeço, mas penso: "Estás enganado. Não há aqui nada de diferente. Canto o fado tradicional e da forma mais tradicional de todas. Só que uso uma franja e uma roupa que tu também usarias."

 

Se tivesse optado pela pose da fadista tradicional, venderia menos? Não sei se venderia menos ou mais. Sei que, por ter uma imagem mais acessível, estou a ter tudo o que me está a acontecer. Tenho consciência de que o facto de não ter abdicado do meu gosto e da minha actualidade é importante. Há muitos fadistas da minha idade que ficam fechados nas colectividades, dificilmente chegam à ribalta e dificilmente vendem.

 

Porque optou por usar Carminho como nome artístico? Reparei que se refere a si como Carmo. Porque gosto. É próximo das pessoas. Quando escolhi ser a Carminho no fado não me quis prender a nada. Mas sei onde quer chegar. A verdade é que tanto existe no meio urbano como é usado carinhosamente no meio rural. É como a Glorinha da terra, a menina que foi ali criada. Eu sou do campo. Cresci no campo. Camané, por exemplo, hoje é nome artístico, mas quando apareceu também fazia muita confusão. Era nome de puto de bairro. Também lhe perguntavam: "Camané? Mas que nome é esse?"Mas a verdade é que Carminho é um nome que revela a tradição nos fados de um certo meio social. Ao princípio, eu era a tia dos fados, a beta. Hoje já sou só a Carminho. Conquistei esse lugar... Tudo isto é ridículo! Só em Portugal é que se faz essa distinção pela maneira como as pessoas se apresentam e se cumprimentam. Somos duros a classificar o lugar dos outros. Eu não sou da família nem do bairro. Estou a lutar para encarar a vida e os outros pelo que são, sem pensar de onde vêm. Não sou elitista e não gosto nada de ser prejudicada por algo que é exterior a mim e que não controlo.

 

Nunca pensou cantar outras coisas? Ainda não me apeteceu. Não estive no fado o tempo suficiente.

 

Seria capaz de experimentar o canto lírico? Tem corpo vocal para isso. Não. Precisamente, o meu medo do canto lírico é a voz. O lírico consegue tudo. Não tenho essa colocação, e os meus músculos não estão treinados para cantar esse registo. É uma coisa muito técnica. Se fizer uma colocação lírica não me soa bem.

 

Existe uma voz específica para fado? Nem toda a gente consegue? Acho que sim, que consegue. Mas tem de haver talento. Primeiro é preciso ser cantora e depois estar disposta para o fado. Existe uma linguagem própria. As palavras têm de ser ditas como são faladas e temos de saber usar os trejeitos, os rodriguinhos, como chamam àquela toada própria do fado (coloca a voz, faz a entoação e canta). Isto só se consegue quando o ouvido está educado. É difícil cantar assim para quem não foi habituado a ouvir desde pequeno. A mim, sempre me saiu naturalmente.

 

Tem a ver com a cultura que recebeu por a sua mãe ser fadista? Também. É um conjunto específico de várias coisas. Não posso dizer que a voz para o fado é uma voz de bagaço, porque vai dizer-me que é mais um cliché (risos). Mas posso afirmar que é uma voz sem artifícios.

 

Qual é o poder que sente por cantar assim? É um desgaste enorme. Liberta-se imensa adrenalina. Cantar é corpo. É preciso puxar pelos abdominais. Quando tenho de cantar uma nota muito alta, tenho de apertar o rabo para conseguir lá chegar. É mesmo gana! Mas quanto mais puxo por ela mais garra e vontade me dá. O fado é bastante físico. Há noites em que acabo de cantar e estou fora de mim. Perdi a noção, viajei. E, quando volto, preciso de uns minutos para me recuperar. Dou por mim virada de costas para o público. Nessas alturas, voltar às pessoas é difícil.

 

Nunca sentiu vergonha de se expor? Sim. Quando era mais nova, por volta dos 14 anos, tinha vergonha de cantar em frente aos amigos. Eles achavam que era coisa de velhos.Não estou a referir-me a essa vergonha, mas ao pudor de mostrar o que sente e quem é quando canta. No outro dia, alguém me perguntava se não tinha vergonha de cantar à frente dos meus pais. Só quando me fizeram essa pergunta é que percebi que sim. Que, afinal, às vezes tinha vergonha de cantar.

 

E quando canta sobre o amor? Aí, sim, pode ser delicado. Já me aconteceu provocar algumas confusões, porque as letras dizem coisas e eu não dou conta do poder que têm. Já vi romances acontecerem nos fados. Os fados são um lugar intenso. Pode ser viciante.Como é que acontecem esses romances? Troca de galhardetes! Alguém começa a cantar certa letra por alguma razão particular e depois chega outra pessoa e responde. Pode-se fazer muitas coisas com isso. Eu comecei o meu namoro através de poesias. Já éramos amigos, o meu namorado escreve bem e mostrava-me tudo o que escrevia. Um dia escreveu-me uns versos que percebi serem para mim. Indaguei-o, respondeu-me: "O poeta é um fingidor..." Fui para casa, picada, e escrevi-lhe um poema em resposta. Nessa noite sabia em que bar estava, fui até lá, disse ao porteiro para lhe entregar e vim embora. Respondeu-me de volta e andámos assim nesta picardia durante algumas semanas... Acho isto lindo! Gosto imenso desta história.

 

Ainda mora em casa dos seus pais? Moro.

 Só sai de lá quando casar? Não. Casar ou viver juntos é a mesma coisa. Primeiro gostava de ter uma casa para mim. Gosto do namoro, de escolher um vestido e sair para o encontro. Estes encantos perdem a magia quando se vive com outra pessoa todos os dias.Dizia há pouco que gosta da intensidade do fado e de praticar um trabalho cuja matéria é sentir. Foi uma aprendizagem que veio com a experiência da casa de fados? É transversal em mim. Terá a ver com a minha forma de ser. Sou de extremos. Tanto vivo a alegria de uma maneira intensa como a tristeza de uma forma profundamente dorida. Às vezes, sou mesmo exagerada.

 

Mas também parece ser bem-comportada... E sou. Tenho respeito por certos limites. Quando alguma coisa me pode tirar de mim, não vou. Tenho medo de drogas e desse tipo de coisas. Não arrisco quando não sei se me vou conseguir controlar. Talvez por isso seja bem-comportada. No sentido em que dentro de mim comporto um determinado número de coisas até onde posso ir. Mas é largo! Também não sou nenhuma totó.

 

O que é que a sossega? Nada. E não há nesta afirmação nada de dramático. Talvez me sossegue sentir-me integrada. Sinto isso quando consigo estar em paz com o que há de bom e de mau. Quando reconheço o bom e estou em paz com o que há de mau esqueço-me de mim e consigo dar aos outros.

 

Porquê essa consciência tão clara de um lado bom e de um lado mau? Reconheço que tenho características boas. Sou extrovertida, chego-me ao pé dos outros. Não sou egoísta, gosto de partilhar e de aprender. Mas também sou extremista, quando alguma coisa me corre mal entro rapidamente em nervosismo. Posso ser desagradável. Sou bastante impulsiva. Mesmo agora... Estou aqui a falar destas coisas e de repente penso: "Devia estar mais reservada..." Porque o pudor é uma coisa importante. Nem todos compreendem exactamente quem somos.

 

Qual foi a crítica mais dura que ouviu? (Pausa) Tantas! A que ouço mais constantemente é dizerem-me que sou muito bruta. E sou. Não gosto disso em mim. Não gosto dessa agressividade.Disse numa entrevista que antes de editar o seu primeiro disco, apesar das oportunidades que teve para gravar, precisou de viajar para conhecer bem o produto que ia vender... Não me vejo só como um produto, mas também me vejo como um produto. O que quis dizer quando expliquei que queria conhecer-me antes de me lançar a sério no fado, e para isso precisava de ir viajar, foi por ter a noção de que realmente não conhecia nada de mim. Estou a falar em conhecer-me em situações extremas. E queria experimentar-me. Só sabendo quem sou é que deixo de sentir insegurança. E só perdendo a insegurança é que posso olhar para a frente.

 

Que situações extremas? Nasci num meio privilegiado, nunca me faltou nada. Tive oportunidade de estudar, de ter educação e amigos. Nunca precisei de ser mãe de ninguém antes do tempo nem de trabalhar para me sustentar. Dei-me ao luxo de não gravar quando me propuseram, porque tinha um suporte familiar que me permitia gravar só quando eu quisesse. Senti uma grande necessidade de estar ao pé das pessoas que viviam com essas necessidades. Sabia que viver apenas da maneira como vivia era injusto. Não sei explicar isto melhor.

 

Como sentiu essa necessidade? Existem pessoas à minha volta e perto de mim que tiveram um percurso diferente do meu. Tiveram de passar por essas dificuldades sem escolha. Passaram fome, medos e experiências pesadas para a idade. Precisava de partilhar e fui despojada de tudo. Mas, atenção... Tenho consciência de que novamente estava numa situação privilegiada. À mínima coisa que corresse mal teria sempre um avião para voltar. Poderia sempre fugir.

 

Mas nunca o fez. E durante um ano consegui estar próxima daquilo que precisava. Cheguei a viver um mês inteiro com pessoas que estavam a morrer e já não precisavam de quase nada. A minha única função era dar-lhes um bocadinho de dignidade. Tive de encontrar no meu lado mais humano aquilo que lhes poderia dar naquele momento. E são apenas pequenas coisas: massajá-las com óleo, cantar-lhes ou trocar-lhes as fraldas de uma forma cuidada e respeitadora.

 

Custou-lhe fazê-lo? Custa. Tem de ser feito com verdade.

 

Fez esse voluntariado na Índia. Quando saiu de Lisboa já tinha o destino marcado? Só o voo: Calcutá. Quando saí do avião não sabia para onde ia dormir. Esperei que amanhecesse, para não ir no breu, apanhei um táxi e disse ao taxista: "Quero ir para a Congregação de Madre Teresa de Calcutá. Sabe onde fica?" Ele riu-se e levou-me directamente. Toda a gente sabe onde é. Quando bati à porta, cheia de cuidados, apareceu uma freira, pegou-me na mochila: "Descalça os sapatos e vai para ali..." Tinham o sistema completamente montado.

 

Porque escolheu ficar junto das irmãs de Madre Teresa? Tive sempre uma grande ligação a Madre Teresa e ao exemplo dela. Tomava conta dos mais pobres entre os pobres, e era aí que eu queria estar. Lá está a minha maneira de ser de extremos. Eu tenho muito fé. Quando estive em Calcutá, estive muito em oração. Cheguei ao ponto de me forçar a trabalhar com crianças, porque não gosto particularmente, mas achava que para dar tudo é preciso sofrer. Depois descobri que não é assim. Pode-se dar sem sofrimento. Voluntariado não significa masoquismo nem automutilação. Basta descobrir os skils e ir a fundo. Quando percebi isto, baixei as armas e fui tratar dos velhotes, que são as pessoas com quem realmente gosto de estar.

 

Por onde andou? Depois fui para a China, Vietname, Laos, Camboja, Timor, Austrália, Nova Zelândia, Estive na ilha de Páscoa, em Macau... (Pausa) Espectáculo! Só de pensar que fiz isto fico espantada! Não é incrível?

 

Quando regressou, voltou para casa dos seus pais? Voltei.

 

Foi difícil? Não. Sempre me deram espaço. Também senti que a viagem é um estado ilusório. Já sabia que, quando regressasse, voltava à minha vida anterior. Não iria viver no mesmo formato em que vivi enquanto andei a viajar.

 

No regresso nada muda? Muda muita coisa. Mas também não precisava de ter a mesma liberdade que tinha quando andava a viajar. Eu sabia que aquele espaço de tempo da viagem iria ter um princípio e um fim e que durante esse tempo poderia até inventar uma identidade. Mas que quando voltasse saberiam sempre quem eu era. A liberdade que se sente também tem a ver com isso.

 

O reconhecimento é bom? É.

 

Quer ser uma estrela? Uma estrela? Hum... Não quero ser reconhecida na rua, mas claro que sonho com o palco. Com plateias cheias e grandes ovações. Essa ideia dá-me energia. Não posso mentir.

 

E como vai encher o palco? Se Deus quiser, e se tiver talento para isso, vou encher com o meu gosto e a minha sensibilidade. Vou cantar sem estar preocupada com o resto.

 

Ouvi alguém dizer que a imagem do disco que lançou não corresponde à sua atitude no fado. Que a Carminho é bem mais punk do que parece. O que diz? Também acho. Gosto dessa proximidade rock, punk, e até gosto de chocar. Mas ainda estou a crescer. Não me encontrei na imagem certa de mim própria. Este primeiro disco reflecte o que sou neste momento, mas não reflecte o que quero ser. Quero ser muito mais.

Para ir mais longe, o que tem de largar? Alguns medos. E de ver mais mundo. Não quero ser diferente à força. Tem de ser vivido. Não posso pôr uma peruca na cabeça e aí vai disto. Mas acredito que me vou camalear para outras coisas.

 

Tem medo deste caminho que escolheu e que para ser mais tem de dar passos cada vez maiores? Não. Mas também digo que nunca dei um passo fora de pé. Só vou direita quando sei que vou cair em terra firme. Não arrisco para um vazio quando não sei se vou saber controlar. Se calhar, é isto mesmo. É esse o medo que vou ter de largar.

 

Com 25 anos e tão grandes responsabilidades... É verdade. Mas a minha a avó está-me sempre a dizer que aos 18 anos já tinha dois filhos. Isso relativiza-me as coisas. É bom fazer um encontro entre estas duas realidades. Porque somos bebés cada vez até mais tarde. Não sei se somos 'nós' os portugueses ou 'nós' os meus amigos. Mas é verdade que tenho uma grande responsabilidade. Mas também tenho muita gente à minha volta e não dispenso esse apoio. Sou imensamente privilegiada. Tudo me tem sido ajudado. Tudo menos a voz.

(Entrevista publicada na Revista Única, edição 5 Dezembro 2009)