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Filhos tiranos

A polémica está lançada e a espalhar-se. Dividiu a França e já chegou a Espanha e aos Estados Unidos. Elisabeth Badinter alerta para a tirania dos filhos sobre as mães.

Christiana Martins (www.expresso.pt)

Esqueça a figura do marido tirânico. Agora, são os filhos que ocupam este espaço. Tudo disfarçado com muito carinho e amor. Pelo menos é o que defende a francesa Elisabeth Badinter, autora do polémico Le Conflit - la femme et la mere, líder de vendas em França. O dia da Mãe já passou e, por isso, já se pode falar do que a autora considera ser a nova escravidão feminina.

 

"O bebé é o maior aliado da dominação masculina", afirma a autora, que se tornou um sucesso de vendas em França. Contrária à tendência da santificação da figura materna e, ela própria, mãe de três filhos, Badinter argumenta que a progressiva exigência das crianças limita as liberdades femininas, aligeira a disponibilidade social e usurpa a sexualidade das mulheres. Tudo em nome de ser uma "boa mãe". E o pior é que, por mais que tente, as mulheres nunca serão boas o suficiente.

 

Talvez a consequência talvez mais dura desta realidade seja o prejuízo que a maternidade implica para a carreira profissional das mulheres. Segundo Badinter, existe mesmo uma situação de absolutismo infantil e de todas as instituições que rodam à sua volta (especialistas de saúde infantil, pedagogia, psicologia, amamentação natural, ecologistas), as quais aderem ao ideal de perfeccionismo materno em nome do conceito de politicamente correcto.

 

Em resumo, a ideia de uma mãe santificada, completamente dedicada aos seus filhos, que secundariza a profissão, a vida conjugal e, no fundo, a ela mesma é combatida ferozmente por Badinter. Uma tendência que, segundo a autora, tem-se aprofundado nos últimos 15 anos e que representará um retrocesso na igualdade entre os sexos. Que conselho ela dá então às mães de hoje? Como explicou esta semana numa entrevista à revista do El Mundo, "que façam o que têm vontade de fazer, que sigam os seus desejos. Uma mãe realizada, não demasiado frustrada, é sempre a melhor mãe para um filho".