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Expresso

Internacional

Último elo de cooperação económica entre as duas Coreias em risco

Depois da declaração de guerra a Seul, o regime de Kim Jong-un ameaça agora parar o Complexo Industrial de Kaesong, caso a dignidade do país continue a ser minada.

Raquel Pinto com agências

O mundo está de olhos postos na Coreia do Norte depois do aviso de "estado de guerra" com a Coreia do Sul anunciado na sexta-feira. Pyongyang fez hoje saber que irá banir o último símbolo da cooperação intercoreana, o complexo industrial de Kaesong, caso a dignidade do país continue a ser minada.

A Coreia da Norte apelidou de "insultos" as razões apresentadas por Seul para justificar que, apesar do aviso da ofensiva, a fábrica continuará em operações por ser uma fonte de divisas, destinada a um regime empobrecido que pretende reduzir a sua dependência da China.

"Se o grupo fantoche e traidor continua a mencionar o facto de que se continua a manter o complexo de Kaesong em funcionamento e danificar a nossa dignidade, então será impiedosamente desligado e fechado", segundo a agência de notícias oficial norte-coreana KNCA.

O parque industrial abriu portas em 2004, simbolizando a reconciliação das duas Coreias, com uma atividade ininterrupta apesar das sucessivas crises e tensões entre os dois lados. Situa-se em território do Norte, a cerca de 10 quilómetros da fronteira com o Sul.

Apesar das mais recentes ameaças, as Forças Armadas de Seul, que apertaram a vigilância com vista à "proteção da vida e segurança do seus cidadãos", observam aparente normalidade à entrada em Kaesong assim como no exército norte-coreano. 

Desde o reforço das sanções do Conselho de Segurança da ONU, decididas no início deste mês como represália ao teste nuclear de fevereiro, o regime de Kim Jong-un tem intensificado as ameaças não só a Seul, mas também a posições militares norte-americanas.

O discurso inflamado e a repetida retórica bélica é vista pelos analistas como tendo por alvo negociações com Washington que resultem numa ajuda ao país e, por outro lado, aumentem a imagem do líder Kim, pelo que um conflito em larga escala será pouco provável.

A Casa Branca fez saber ontem, pelo porta-voz de imprensa Earnest Josh, que os EUA não se deixam "intimidar" com ameaças, continuando "empenhados em salvaguardar os aliados e os interesses na região". E advertem de que um confronto militar só "aprofunda o isolamento da nação".