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Testamento de Mandela é hoje lido em Joanesburgo

O legado material e imaterial de Nelson Mandela tem estado a ser disputado pelos seus 30 filhos, netos e bisnetos.

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

É lido hoje o testamento de Nelson Mandela, ficando-se a saber como serão distribuídos e quem irá receber os bens do ex-Presidente sul-africano, avaliados em quatro milhões de dólares (cerca de três milhões de euros). 

A sede da Fundação Nelson Mandela, em Joanesburgo, é o lugar para onde vão convergir todos os interessados e potencialmente beneficiários da herança do ex-Presidente da África do Sul, que morreu aos 95 anos de idade, a 5 de dezembro de 2013.

Os últimos meses de vida de Mandela foram ensombrados pelas disputas entre os familiares e potenciais herdeiros sobre o conteúdo e os destinatários da herança, em particular Mandela (neto) e Makaziwe (fila do primeiro casamento) Mandela.

O esclarecimento que é hoje esperado naquela cidade sul-africana vai potencialmente desencadear nova onda de agitação entre os herdeiros.

Logo após o desaparecimento de Mandela, constou que os familiares especulavam e conspiravam sobre o seu legado patrimonial e que quereriam obrigar a sua viúva, Graça Machel, a abandonar a casa que ambos tinham partilhado, segundo noticia o sítio do diário sul-africano "Mail&Guardian". Machel é a pessoa que se tem mantido mais à margem desta discussão.

A marca Mandela 

Rumores de exploração da imagem do ativista político e opositor do regime de apartheid acabam por ser visíveis nas linhas de marketing fundadas por alguns dos seus filhos e netos. Há uma linha de bonés e T-shirts ostentando a marca "Long Walk to Freedom" (Longo caminho para a liberdade) e duas das suas netas que residem nos Estados Unidos participaram no programa de televisão "Being Mandela" e há até um rótulo de vinhos com o nome Mandela.

A guerrilha entre familiares não conseguiu escapar aos comentários na imprensa, facto que provocou comentários amargurados de muitos cidadãos sul-africanos. Está também por determinar quem será o líder da família a partir de agora, o que terá influência na distribuição dos bens.

Prevendo a turbulência que o seu legado poderia provocar entre os seus herdeiros, Nelson Mandela pôs o seu testamento nas mãos de amigos de confiança, e fez seu executor George Bizos, um respeitado advogado dedicado à defesa dos direitos humanos que, segundo a revista britânica "The Economist", chamou "documento sagrado" ao testamento, tentando assim acalmar as fações em disputa.