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República Popular do... Rapto

Instabilidade na cidade de Donetsk ameaça o quotidiano dos seus habitantes

Maxim S./REUTERS

Raptos, pilhagens e desaparecimentos tornaram-se o quotidiano de Donetsk e Slavyansk, no leste da Ucrânia.

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Receando serem raptados pelos separatistas, milhares de residentes têm abandonado Donetsk, a capital da província oriental da Ucrânia onde os separatistas declararam independência do Governo de Kiev.

"O leste da Ucrânia está a transformar-se num buraco negro onde as pessoas desaparecem sem deixar rasto e onde os roubos e crimes diários não têm castigo", declarou à AP uma ucraniana de 70 anos, que dirige uma delegação local de uma organização cultural. Maria Oleinik confessa não dormir na mesma casa mais de uma noite seguida, mas recusa-se a fugir da sua cidade e está determinada a continuar a ajudar as pessoas que fogem dos rebeldes.

Desde o início, na primavera, da revolta nas províncias orientais de Donetsk e Lugansk - que resultou na tomada de várias cidades pelos rebeldes armados -, que todos os cidadãos que mostrem algum apreço por Kiev ou sejam olhados como opositores aos novos senhores da região têm boas razões para ter medo.

Raptos são "normais" 

Os responsáveis pela recém-proclamada República Popular de Donetsk não disfarçam a onda de detenções que tem feito desaparecer ativistas dos diretos humanos, políticos, jornalistas e membros do clero. A justificação dos novos líderes é simples, para eles, as detenções são uma consequência inevitável da luta entre os rebeldes e as tropas governamentais, a qual já é responsável pela morte de mais de 400 pessoas, só desde abril.

Em Slavyansk, cidade que serviu de base militar aos rebeldes até as forças de Kiev conseguirem expulsá-los no passado fim de semana, várias dezenas de ativistas e jornalistas foram detidos nas caves do edifício dos serviços de segurança. E os raptos passaram a ser uma prática comum, como conta à AP Alexander Lydin, um mecânico de 41 anos que foi raptado na sequência de ter participado numa manifestação pró Ucrânia unida. Em junho foi transferido de Slavyansk para a cidade vizinha de Makiivka, onde permaneceu em cativeiro 19 dias numa cave infestada de ratos, só tendo sido alimentado por três vezes. Entretanto, a sua casa foi literalmente pilhada.

Não existem números fiáveis sobre a quantidade de pessoas raptadas em Lugansk, onde as práticas são idênticas.