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Produtor 'porno' contesta execução do homem que o tornou paraplégico

Larry Flynt é o fundador da revista "Hustler"

Getty

"Não executem o homem que me paralisou", pede Larry Flynt, limitado a uma cadeira de rodas há 35 anos. Execução está marcada para 20 de novembro.

A pena de morte não é justiça, é vingança. Quem o defende é Larry Flynt, o produtor de filmes pornográficos e da revista "Hustler", que ficou paraplégico em 1978, ao ser baleado, mas que não quer que o agressor seja executado.

"Tenho todas as razões para estar muito satisfeito com a execução, mas não estou. Passei muitos anos numa cadeira de rodas, com tempo para pensar neste assunto. Na minha opinião, a única motivação por trás da pena de morte é a vingança, não a justiça, e acredito firmemente que um Governo que proíbe homicídios entre os seus cidadãos também não se deve dedicar a matar pessoas", explica Flynt numa carta aberta publicada pelo "Hollywood Reporter".

O produtor norte-americano, hoje com 71 anos, está limitado a uma cadeira de rodas há 35 anos, desde que Joseph Paul Franklin, um defensor da supremacia branca, o baleou. E tudo por causa de uma sessão fotográfica publicada na revista "Hustler", onde surgiam nus um homem negro e uma mulher branca.

Franklin foi detido pela polícia por vários outros homicídios e acabou por confessar ter disparado sobre Flynt. Foi condenado à morte por um tribunal do estado do Missouri, por ter disparado num parque de estacionamento de uma sinagoga, causando um morto e dois feridos. A sua execução está agendada para 20 de novembro.

"Adorava ter uma hora numa sala com ele, com um alicate"

"Relativamente à severidade do castigo, para mim, uma vida passada numa cela de um metro por dois é muito mais difícil do que a rápida administração de uma injeção letal", explica Larry Flynt, acrescentando que "está provado que as execeuções custam muito mais dinheiro ao Estado do que a prisão perpétua".

"Os apoiantes das execuções argumentam que se pretende dissuadir potenciais homicidas de cometerem crimes futuros, mas não há qualquer tipo de estudos que demonstrem esse facto", sustenta.

Apesar de fazer um forte ataque à pena de morte, Larry Flynt não desculpa o ato (e as trágicas consequências) cometido pelo seu agressor. "Em todos os anos desde o tiroteio, nunca estive frente a frente com Franklin. Adorava ter uma hora numa sala com ele, com um alicate, para lhe infligir os mesmos danos que ele me infligiu", confessa. Mas volta logo a seguir ao discurso original: "Mas não quero matá-lo, nem quero vê-lo a morrer".

Enquanto construía o seu império pornográfico, Larry Flynt participou em diversas batalhas judiciais, tendo sido processado várias vezes pelos conteúdos que publicava. A sua vida foi retratada no filme de Milos Forman, realizado em 1996, "O Povo contra Larry Flynt", com Woody Harrelson no papel de Flynt.