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Internacional

Primeiro voo entre Egito e Irão em 34 anos

Ligações diretas estavam interrompidas desde a Revolução islâmica.

Raquel Pinto, com agências

O Egito e o Irão restabeleceram as ligações aéreas diretas, uma situação que não verificava desde 1979, com o rompimento dos laços diplomáticos no rescaldo da Revolução islâmica. 

Funcionários do aeroporto, sob anonimato, relatam que um voo da Air Memphis, propriedade do empresário egípcio Rami Lakak, descolou de Cairo rumo a Teerão no sábado. No primeiro voo comercial em mais de três décadas, seguiram oito iranianos, entre eles dois diplomatas.

Os dois países já tinham concordado em retomar os voos em outubro de 2010, três meses antes da primavera árabe que derrubou o ditador egípcio Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.

Desde a eleição de Mohamed Morsi para a presidência do Egito, em junho de 2012, as relações com o Irão voltaram a "aquecer" significativamente.

Estavam congeladas desde a assinatura do tratado de paz entre o Egito e Israel, em 1979, enquanto o Irão atravessava a Revolução islâmica e Cairo decidiu acolher o Xá deposto Mohammed Reza Pahlevi. 

Os laços diplomáticos quebraram-se e desde então só em fevereiro deste ano decorreu a primeira visita de um chefe de Estado iraniano ao país, com o atual líder Mahmoud Ahmadinejad a pedir uma aliança estratégica.

Morsi já tinha visitado o Irão em agosto de 2012, para debater a situação na Síria, num quarteto que incluía a Turquia e a Arábia Saudita. O ministro do turismo Hisham Zaazou visitou Teerão no passado mês com o objetivo de firmar um acordo de promoção do turismo entre os dois países.

A reaproximação entre a maioria sunita do Egito e os xiitas do Irão é vista de forma suspeita pelos mulçumanos utraconservadores do Egito. Os salafistas ultraconservadores consideram os xiitas hereges e temem que o Irão esteja a tentar espalhar a sua fé no mundo sunita.