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Internacional

Presidente italiano nomeia intermediários para levar partidos a formar governo

Itália continua sem governo. Giorgio Napolitano diz-se empenhado em desbloquear impasse e vai nomear "dois grupos restritos de personalidades diferentes".

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, disse hoje que vai nomear "dois grupos restritos de personalidades diferentes" para procurarem uma solução para o impasse político e dotar a Itália de um governo, um mês depois das eleições legislativas.

O chefe de Estado italiano, de 87 anos, rejeitou qualquer possibilidade de renunciar antes do fim do seu mandato, a 15 de maio, afirmando estar determinado a "tomar iniciativas até ao último dia para desbloquear" a situação de impasse político em que se encontra o país.

Estas declarações surgem no dia em que praticamente toda a imprensa italiana noticiou que Giorgio Napolitano ponderava apresentar a demissão a menos de dois meses do final do mandato, para obrigar os partidos a aproximarem-se.

Segundo os jornais, o objetivo da demissão de Napolitano seria obrigar os diferentes partidos a aproximarem posições para acordar o nome do sucessor, que teria de ser eleito nas primeiras três votações por uma maioria de dois terços dos deputados.

Uma demissão de Napolitano permitiria que o sucessor pudesse dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, uma possibilidade que o atual chefe do Estado não pode levar a cabo, uma vez que a lei o impede de tomar essa decisão nos últimos seis meses de mandato, conhecidos como "semestre branco".

Na sexta-feira, acabaram as consultas entre o chefe de Estado e as principais forças parlamentares, mas terminaram sem alterações nas posições adotadas desde as eleições gerais de 24 e 25 de fevereiro.

O Movimento Cinco Estrelas quer governar sozinho e o centro direita, liderado por Silvio Berlusconi, defende um executivo de coligação com a formação de Mario Monti, tendo o Partido Democrata (PD), do líder de centro esquerda Pier Luigi Bersani, recusado esta opção.

A delegação do PD, que na sexta-feira reuniu com Napolitano sem a participação de Bersani, assegurou que apoiaria de forma responsável a decisão tomada pelo Presidente da República.

As eleições legislativas em Itália no final de fevereiro resultaram num impasse político, com a esquerda liderada por Luigi Bersani a chegar à maioria na Câmara dos Deputados (câmara baixa), mas não no Senado, onde a esquerda, a direita de Berlusconi e o M5S conseguiram resultados aproximados e a representações semelhantes (entre um terço e um quarto do eleitorado).