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Internacional

Presidente chinês às compras em África

Xi Jinping anda em périplo por África. Foi à procura de petróleo e matérias-primas para a indústria chinesa.

Carlos Abreu

Jornalista

O que levará o Presidente da China, no poder desde novembro do ano passado, a inaugurar as visitas a África com um périplo por três países: Tanzânia, África do Sul e República do Congo? As suas ricas reservas em petróleo e matérias-primas essenciais à indústria chinesa.

Xi Jinping, 59 anos, chegou à Tanzânia no domingo, tendo viajado hoje para Pretória, África do Sul, onde participará, em Durban, numa cimeira sobre países emergentes.

"Esta visita está perfeitamente alinhada com a diplomacia chinesa, que atribuiu grande importância ao reforço das relações com os países em desenvolvimento e as economias emergentes, enquanto promove a chama cooperação sul-sul", disse He Wenping do Instituto de Ciências Sociais da China, ao "South China Morning Post".

Segundo Kerry Brown, diretor do Centro de Estudos Chineses da Universidade de Sydney (Austrália), "o principal objetivo desta visita é continuar a desenvolver a enorme rede de parceiros de negócios que já têm em África". A relativa estabilidade política dos países visitados, terá sido um dos principais critérios de escolha, acrescenta a mesma fonte.

China é o maior parceiro comercial de África

Na última década dispararam as trocas comerciais entre a China e África, atingindo, os 166,3 mil milhões de dólares (128,3 mil milhões de euros) em 2011. Desde 2009 que a China é o maior parceiro comercial de África.

Ainda de acordo com o Ministério do Comércio chinês, os investimentos chineses em África ultrapassam atualmente os 40 mil milhões de dólares (30,8 mil milhões de euros), 14,7 mil milhões (11,3 mil milhões de euros) dos quais em investimento direto.

No ano passado, o antigo Presidente chinês, Hu Jintao, que visitou este continente em 2004 e dois anos depois realizou em Pequim uma cimeira em que participaram 48 chefes e Estado de África, abriu uma linha de crédito de 20 mil milhões de dólares (15,5 mil milhões de euros) por três anos para países africanos.

Os empresários chineses veem em África um mercado pronto para receber as suas exportações, mal vistas no Ocidente, como por exemplo os têxteis e os produtos eletrónicos, que conseguem vender muito baratos.

Para Jin Canrong, da Escola de Relações Internacionais da Universidade Renmin (Pequim), África está a tornar-se um novo campo de batalha entre a China e os Estados Unidos.

"Norte-americanos e chineses precisam de um continente que seja rico em recursos naturais e tenha um mercado emergente de mil milhões de consumidores", disse este especialista ao "South China Morning Post".