Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Papa no Brasil entre palavras de fé e protestos

À chegada ao Rio de Janeiro Francisco disse saber que é preciso entrar no povo brasileiro "pela porta do seu imenso coração". Mas o primeiro dia do Papa no Brasil foi também marcado por protestos e detenções.

Alexandre Costa, com agências

"Aprendi que, para ter acesso ao povo brasileiro, é preciso entrar pela porta do seu imenso coração. Permitam-me pois, que bata suavemente a essa porta. Peço licença para entrar e passar esta semana convosco", afirmou ontem o Papa Francisco na cerimónia da sua receção no Rio de Janeiro, perante a Presidente brasileira Dilma Rousseff.

"Não trago ouro ou prata, mas trago comigo algo mais valioso: Jesus Cristo", declarou o Papa argentino, falando em português, a propósito da sua visita no âmbito da 28ªa edição das Jornadas Mundiais da Juventude.

Mas a par da multidão de fiéis que o foram receber, o primeiro dia da visita originou também acesos protestos. "Papa eu abro mão, quero mais dinheiro para saúde e educação", lia-se num dos cartazes dos manifestantes, que contestavam a visita do Sumo Pontífice e as despesas que esta representa para o Estado brasileiro.

Os protestos contaram com a presença de inúmeros jovens e membros de movimentos LGBT que realizaram um "beijaço gay".

Feridos e detenções

Os momentos de maior tensão ocorreram junto ao Palácio Guanabara junto à sede do Governo fluminense, onde foi queimado um boneco representando o governador do Estado, Sérgio Cabral, enquanto se gritava: "Quem vai salvar o governador do capital? Queima Cabral, Queima Cabral!".

A polícia usou balas de borracha gás lacrimogéneo e jatos de água para dispersar os manifestantes.

Um fotógrafo da agência noticiosa francesa AFP e outro do Globo foram atingidos na cabeça com objetos, enquanto um manifestante foi ferido na perna por uma bala de borracha e um polícia foi ferido com gravidade por um cocktail molotov, segundo a Polícia Militar, citada pela agência Efe.

Os agentes detiveram três pessoas com 'cocktails molotov', uma por atirar pedras contra os agentes e uma quinta por desacatos.Além disso, foram detidas, por incitamento à violência, duas pessoas que transmitiam em direto o protesto pela Internet.

Bomba caseira na Aparecida do Norte

Entretanto, agentes de segurança descobriram e detonaram um bomba caseira dentro de uma casa de banho do santuário de Aparecida do Norte, interior do Estado de São Paulo, onde o papa irá celebrar uma cerimónia na quarta-feira.

A bomba estava dentro de uma casa de banho do estacionamento do Santuário Nacional da padroeira do Brasil e foi encontrada no domingo, durante um treino das forças de segurança, anunciaram hoje as autoridades.

De acordo com a Polícia Militar, o engenho era feito com cano plástico e fita adesiva e tinha baixa potência.

O Grupo de Ações Táticas Especiais da corporação detonou a bomba. A polícia afirmou ainda, em comunicado, que a bomba estava num local em que os fiéis não utilizarão durante a visita papal. A polícia investiga agora quem colocou o engenho no local e quais foram as suas motivações.

Dilma diz que a austeridade não pode ser a única resposta

Uma aliança entre o Brasil e o Vaticano para projetos de combate à pobreza, nomeadamente em África, terá sido um dos temas abordados na reunião que a Presidente brasileira com o papa argentino.

Na sua intervenção durante a cerimónia de recepção, Dilma Rousseff aproveitou para voltar a ir ao encontro dos jovens que têm expresso o seu descontentamento nas ruas do Brasil, afirmando que as estratégias de superação da atual crise não podem limitar-se a medidas de austeridade e precisam ter em conta os problemas sociais dos mais pobres e jovens.