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Massacre na sede de jornal que publicou caricaturas de Maomé faz pelo menos 12 mortos

Três homens vestidos de negro invadiram o hall da sede do semanário "Charlie Hebdo", em Paris, com lança-foguetes e kalachnikovs. Há pelo menos 12 mortos, dois dos quais polícias, o diretor da publicação e três ilustradores. Presidente francês apelou à "união do país" na luta contra o terrorismo: "Este ato bárbaro nunca vai extinguir a liberdade de imprensa. Nós somos um país unido que vai reagir e não bloquear".

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris, Liliana Coelho e Pedro Cordeiro

Um atentado junto à sede do semanário "Charlie Hebdo", no centro de Paris, causou esta quarta-feira pelo menos 12 mortos - dois dos quais polícias e ainda Charb, o diretor da publicação, e outros três ilustradores: Cabu, Wolinski e Tignous. Há 10 feridos a registar, estando quatro destes em estado grave, avança a polícia local.

Segundo o jornal "Le Fígaro", três homens encapuzados vestidos de negro invadiram esta esta quarta-feira de manhã a entrada das instalações do jornal satírico que publicou as caricaturas de Maomé, disparando indiscriminadamente com "lança-foguetes e kalachnikovs".

"França está em choque com este ato de excecional barbárie. Mas temos que mostrar que somos um país único e que sabemos reagir como deve ser, com firmeza, mas sempre com a preocupação da unidade nacional", disse o Presidente francês, François Hollande, em declarações aos jornalistas no local, sublinhando que o país sabia que estava sob ameaça e que nas últimas semanas foram evitados vários atentados.

"Este ato bárbaro nunca vai extinguir a liberdade de imprensa. Nós somos um país unido que vai reagir e não bloquear", acrescentou.

Algumas testemunhas locais relatam ter ouvido os atacantes gritar "vingámos o profeta, matámos o 'Charlie Hebdo'".

"Os atacantes sabiam que havia esta quarta-feira, às 10h, a reunião editorial semanal. Nos outros dias não há muitas pessoas nas instalações", explicou um jornalista do "Charlie Hebdo", citado pelo "Le Monde".

A ilustradora Coco, que estava no local, disse por seu turno ao jornal "L'Humanité" que os homens falavam francês fluente, tendo assumido pertencerem à Al-Qaeda.

A polícia científica e técnica deslocou-se às instalações do jornal. Por sua vez, o governo francês elevou o nível de alerta terrorista e ativou um Plano de Vigilância, estando as autoridades na perseguição dos autores. Há 40 pessoas protegidas: o "Le Parisien" informa que a editora Flammarion, que vai editar um livro polémico de Michel Houellebecq sobre o Islão, é uma das pessoas que está sob proteção.

Há reforço da vigilância em todo o lado, designadamente nos transportes, locais de culto, locais turísticos, grandes comércios e escolas

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O Presidente francês convocou uma reunião de emergência com os ministros, que se vai realizar no Palácio do Eliseu. E às 20h locais (19h em Lisboa) fará uma comunicação ao país, pela televisão

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou-se "profundamente chocado" com este ataque terrorista, enquanto o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, exprimiu no Twitter "horror" e"tristeza", garantindo que "a violência perderá sempre contra a liberdade."

Marine le Pen diz-se igualmente "horrorizada" pelo "odioso atentado" e Merkel condena por sua vez aquilo que considera ser um "atentado abominável, ato repugnante."

O "Charlie Hebdo" é um semanário satírico de esquerda, com um posicionamento político muito contundente, e a sua redação "reflete todos os componentes da esquerda plural, e mesmo os abstencionistas", numa análise pessoal do agora defunto diretor da publicação, Charb, citada na Wikipédia. Jornal profundamente ilustrado, as suas edições incluem crónicas e também, pontualmente, reportagens de jornalismo de investigação sobre temas diversos como seitas, extrema-direita, catolicismo, islamismo, judaísmo, política e cultura, entre outros. 

O jornal foi incendiado em novembro de 2011, não se tendo registado vítimas. A publicação era alvo de frequentes ameaças e, desde a publicação das caricaturas de Maomé, Charb era permanentemente acompanhado por um agente da polícia que garantia a sua segurança. O agente que esta manhã executava essa função foi também abatido pelos terroristas.

[Notícia atualizada às 16h18]