Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Imposto de 75% será pago pelas empresas, diz Hollande

Presidente François Hollande não desiste do imposto de 75 por cento para os mais ricos - mas serão as empresas que o pagarão.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris

A entrevista de François Hollande, ontem, na televisão francesa, visava travar a sua queda abrupta de popularidade, mas talvez não o tenha conseguido (ver texto relacionado).

O Presidente francês surgiu igual a si próprio - tranquilo e sem grandes rasgos, limitou-se a prometer não sobrecarregar os franceses com mais impostos nos próximos tempos e a garantir que a política de austeridade (ele recusa o termo, preferindo "rigor") dará resultados positivos dentro de dois anos.

Dívida dispara

No entanto, a notícia oficial, hoje, de que apesar dos fortes aumentos recentes de impostos os índices do défice e da dívida continuam demasiado elevados, contraria François Hollande e o seu Governo.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a dívida pública francesa disparou em 2012, atingindo o número recorde de 1.833.8 mil milhões de euros, ou seja 90,2 do Produto Interno Bruto (PIB). Os índices da divida francesa eram, em 2011, de 85,8% do PIB.

No que respeita ao défice, apenas desceu de 5,3% para 4,8%, muito longe dos 3% previstos pelo Tratado de Maastricht.

Empresas pagam imposto sobre grandes salários

Para contornar a recente declaração de inconstitucionalidade do imposto de 75% sobre os salários superiores a um milhão de euros anuais, o chefe de Estado anunciou que ele será pago pelas empresas.

"Quando a remuneração dos chefes de empresas ultrapassa um milhão de euros, a empresa pagará a taxa de 75%", explicou Hollande, que justificou a medida como forma de "responsabilizar" as sociedades que pagam salários com esses montantes.

Os grandes empresários reagiram negativamente. Laurence Parisot, lider da maior confederação patronal, disse que a medida "é estranha", que "estigmatiza as empresas" e que não vai favorecer a criação de emprego, "nem é útil quando o desemprego continua numa curva ascendente".