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Internacional

Hollande na TV para travar queda livre nas sondagens

Com sondagens em mínimos históricos, o Presidente francês vai esta noite à televisão tentar reconquistar a confiança dos franceses e, até, dos socialistas.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris

 

O desencanto com o Presidente socialista François Hollande é de tal modo elevado que já atinge as próprias fileiras do PS francês.

A ala esquerda do seu partido já o ataca abertamente, de forma bem cruel, nos corredores do Parlamento e na imprensa. "Basta, ele apenas se preocupa com os défices, é preciso parar com a austeridade, François Hollande tem de assumir que é Presidente da República, ele não é um presidente de uma região!", exclamou há dias, através de um canal televisivo, o deputado parisiense Pascal Cherki.

As críticas são igualmente muito duras da parte da Frente de Esquerda (FG, coligação de dissidentes socialistas com o Partido Comunista).

Jean-Luc Mélenchon, ex-candidato da FG às presidenciais que apelou ao voto em Hollande na segunda volta do ano passado, é particularmente brutal contra ele e o seu Governo. "Tal como os seus 17 colegas do Eurogrupo, o ministro das Finanças, Pierre Moscovici, é um bastardo, não pensa na França, apenas pensa em termos de finanças internacionais", acusa.

"Mau presidente"

Os índices das sondagens são alarmantes para François Hollande e atingem mínimos nunca vistos para um Presidente em exercício apenas desde há dez meses.

François Hollande parece exasperar os franceses, que o acham demasiado calmo e normal. "Quero ser um Presidente normal", foi assim que ele se definiu a si próprio pouco antes de chegar ao Eliseu.  

De acordo com uma sondagem hoje divulgada pelo instituto CSA, apenas 22 por cento dos franceses acham que ele cumpre corretamente o seu papel de chefe de Estado e 51 por cento consideram-no um "mau Presidente".

Este estudo confirma um outro publicado no passado fim de semana pelo instituto IFOP, no qual 68 por cento dos franceses se declaravam descontentes com ele.

Sob pressão

É neste ambiente de grande deceção que François Hollande vai hoje à televisão tentar reconquistar a confiança dos franceses.

Sob pressão, porque o descontentamento atinge as próprias fileiras socialistas e porque os resultados económicos são maus (subida do desemprego, baixa do poder de compra, aumento de impostos, fecho de empresas), o Presidente francês tem uma difícil tarefa pela frente.

Os franceses duvidam da sua estatura como chefe de Estado - 64 por cento acham que ele não tem espírito de decisão. E criticam-no, particularmente a ala esquerda do PS, por ter abandonado a sua promessa de privilegiar o crescimento em França e na Europa a favor de uma "politica obsessiva de controlo dos défices", segundo as palavras do deputado Cherki.