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Burkina Faso já vai no terceiro Presidente. Em dois dias

Isaac Zida, de megafone na mão, declarou-se esta madrugada Presidente do Burkina Faso

Reuters

Sexta-feira o coronel Isaac Zida, da Guarda Presidencial, anunciou pela televisão a demissão do Presidente, Blaise Compaoré. Pouco depois o Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas declarava-se Presidente interino. Zida não gostou e disse que o Presidente era ele.

Manuela Goucha Soares com Lusa

O número dois da guarda presidencial do Burkina Faso, Isaac Zida, disse durante a madrugada deste sábado ter "assumido" as responsabilidades de "chefe de Estado" de transição. Zida é o segundo militar a declarar-se Presidente daquele país africano em meios de dois dias

Recorde-se que ontem, sexta-feira, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Burkina Faso, Honoré Nabere Traoré, declarou que assumia interinamente a Presidência do país, depois de o chefe de Estado, Blaise Compaoré, ter anunciado a demissão para permitir a realização de eleições dentro de 90 dias.

Horas depois, Zida, encetava um 'contra-golpe', classificando de "caducas" as declarações feitas por Traoré. O anuncio de Zida foi efetuado num discurso transmitido pela televisão.

A semana que hoje termina foi de grande instabilidade política e social no Burkina Faso. Tudo começou depois do Presidente que se encontrava em funções, Blaise Compaoré, decretar uma mudança da constituição que lhe permitiria continuar mais tempo na presidência.

A oposição veio para a rua para denunciar o golpe palaciano de Compaoré, os militares enfrentaram-no, e Compaoré anunciou a demissão com "a degradada situação sociopolítica e a ameaça de divisão dentro do Exército", depois das grandes manifestações de cidadãos e da oposição exigindo a sua demissão.

Comparaoré, o homem que foi Presidente por um golpe ... e ficou 27 anos 

Desde a sua independência de França, em 1960, até à chegada de Compaoré à Presidência, em 1987, a história do Burkina Faso, antes conhecido como Alto Volta, caracterizou-se por uma sucessão de golpes de Estado.

Recorde-se que Compaoré desempenhava a função de chefe de Estado do Burkina Faso desde 1987, na sequência de um golpe de Estado em que morreu o antigo Presidente Thomas Sankara.

Os protestos da última semana contra Compaoré arrancaram na passada quarta-feira, quando milhares de pessoas se manifestaram em Ouagadougou, repetindo "Vinte e sete anos é suficiente!", numa referência ao número de anos no cargo do Presidente demissionário. As manifestações contra este homem que chegou ao poder através de um golpe cresceram e intensificaram-se na última quinta-feira, em todo o país.

Na capital , Ouagadougou, instalou-se o caos quando centenas de pessoas assaltaram e incendiaram o parlamento em protesto contra a votação da alteração constitucional que permitiria a Compaoré prolongar o seu mandato.



Manifestantes não quiseram chefe do Estado-Maior

Quando tomaram conhecimento de que o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Burkina Faso, Honoré Nabere Traoré, queria assumir a Presidência de transição, muitos manifestantes que estavam nas ruas da capital, Ouagadougou, começaram a gritar "Fora o chefe de Estado-Maior!" e repetiram o nome do general na reserva Kouame Lougué, para assumir a presidência interirna, de acordo com o portal de notícias Burkina24.

O líder da oposição do Burkina Faso, Zephirin Diabre, disse sexta-feira esperar que as duas fações militares que alegam ter o poder no país cheguem a acordo após a renúncia do Presidente Blaise Compaoré. Questionado pelos jornalistas sobre as aparentes divisões no exército, Diabre disse à agência AFP que cabe aos militares organizarem-se e manifestou esperança de que o façam.

O líder da oposição diz que aguarda os planos do exército para a transição. Vamos dizer-lhes o que pensamos", acrescentou Zephirin Diabre que espera que a transição para um governo civil dure menos de um ano. O líder da oposição manifestou-se ainda satisfeito pela demissão do Presidente, mas salientou os grandes desafios que se colocam agora ao país.