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Internacional

Argentina oculta quase nove milhões de pobres

Os dados oficiais da Argentina indicam que a pobreza no país atingia no final de 2012 cerca de 2,2 milhões de pessoas, mas a Universidade Católica aponta para 11 milhões.

O Instituto Nacional de Estatística da Argentina (INDEC) deverá ocultar quase nove milhões de pobres, segundo o último relatório do Observatório Social da Universidade Católica da Argentina (UCA) .

Segundo os dados oficiais da Argentina, a pobreza no país atingia no final de 2012 cerca de 2,2 milhões de pessoas, ou seja 5,5% da população, mas a Universidade Católica aponta para um número bem superior:  11 milhões, que equivalem a 26,9% da população.

Mas as diferenças vão mais longe: para a Universidade Católica da Argentina a pobreza cresceu no ano passado de 21,9% para 26,9% face a 2011, enquanto que para o Instituto argentino de Estatística a pobreza diminuiu de 6,5% para 5,4% no mesmo período de tempo.

Em relação aos números da miséria também se verificam diferenças, enquanto que para o INDEC a miséria alcançava cerca de 1,5% da população (600 mil pessoas), para a UCA atingia 5,5% (2,2 milhões).

Dados manipulados?

Ao nível do rendimentos a situação é a mesma, enquanto que para o INDEC as famílias deixavam de viver num nível de miséria quando recebiam mais de 714 pesos argentinos, para a UCA os agregados familiares continuavam nessa situação se recebessem menos de 1449 pesos argentinos.  

"Apesar dos enormes esforços en matéria de gastos sociais, que incluem os programas de transferência de subsídios - 20% dos lares recebem algum tipo de ajuda - a marginalidade estrutural continua presente no nosso sistema social e esse reflete tanto a existência de um núcleo duro que permanece na miséria, como o crescimento do número de lares e de população em situação de pobreza", pode lers-e no relatório do Observatório Social da Universidade Católica da Argentina (UCA), citado pelo jornal "Clarin".

O governo de Cristina Kirchner é acusado de manipular os dados sócio-económicos para uma situação mais favorável, embora seja evidente a redução dos níveis de pobreza no país, sobretudo, na última década, através de políticas sociais com benefícios ao nível da população.  Apesar dos progressos estima-se que cerca de 30% dos argentinos vivem em situação de pobreza e 15% na miséria.