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Internacional

Ainda há 36 milhões de escravos. E 1400 estão em Portugal

Ativistas durante uma recente manifestação em Londres contra a escravatura, uma realidade que ainda hoje se mantém um pouco por todo o mundo e não afeta apenas países devastados pela guerra e pela pobreza

Peter Macdiarmid/Getty Images

Trabalho forçado, exploração sexual, tráfico de seres humanos e casamentos forçados. São facetas da "escravatura moderna".

Em Portugal, 1400 pessoas encontram-se numa situação de escravatura. Esta é uma das conclusões do Índice Global de Escravatura de 2014, divulgado pela Walk Free Foundation, que avalia o número de escravos em 167 países. Portugal ficou na 157ª posição, entre a Grécia e a Suécia.

No total, há cerca de 36 milhões de escravos em todo o mundo. Ou seja, pessoas que são vítimas de trabalho forçado, exploração sexual, tráfico e casamentos forçados. É a chamada "escravatura moderna" e aumentou em seis milhões desde o ano passado, segundo dados do mesmo relatório, publicado pela primeira vez em 2013.

A Índia ocupa, pelo segundo ano consecutivo, o topo da lista, com 14,3 milhões de pessoas em situação de trabalho forçado e prostituição. Depois, vêm a China (3,2 milhões), Paquistão (2,1 milhões), Uzbequistão (1,2 milhões) e a Rússia, com 1,1 milhões de escravos.

É na Mauritânia que a proporção de escravos em relação à população é maior (4%), seguindo-se o Uzbequistão (3,4% e onde, segundo o relatório, os cidadãos são forçados a trabalhar na colheita do algodão para cumprir quotas impostas pelo Estado), Haiti (2,3%, onde milhares de crianças pobres vão, a mando dos pais, viver com parentes ricos, que muitas vezes as submetem a abusos e trabalho forçado), Qata (1,3%), e Índia (1,1%). 

Andrew Forrest, presidente e fundador da Walk Free Foundation, chamou a atenção para a dimensão do problema, criticando a ideia de que a escravatura é "um assunto de uma época passada" ou de que apenas existe "em países devastados pela guerra e pela pobreza". "Estes resultados mostram que a escravatura moderna existe em todos os países", observa Forrest, citado pelo diário "The Guardian", para quem é dever "de todos nós" (governos, empresas e sociedade civil) erradicá-la, "pondo fim à mais extrema forma de exploração".

Islândia (menos de 100 escravos), Irlanda (menos de 100 escravos) e Luxemburgo (cerca de 300) foram os países que apresentaram melhores resultados neste domínio.