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Trump ameaça “devastar economicamente a Turquia” se esta atacar forças curdas na Síria após retirada dos EUA

LEAH MILLIS/Reuters

O Presidente dos Estados Unidos afirmou que também não quer que “os curdos provoquem a Turquia”. As forças americanas têm lutado ao lado das Unidades de Proteção Popular contra o Daesh no norte da Síria. No entanto, a Turquia considera o grupo curdo terrorista. Prometendo esmagá-lo, Erdogan já expressou o seu desagrado pelo apoio americano

O Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou este domingo “devastar economicamente a Turquia” se Ancara atacar as forças curdas na Síria após a retirada das tropas norte-americanas.

Num primeiro tweet, Trump escreveu que os Estados Unidos estão “a começar a retirada há muito esperada da Síria, enquanto atingem duramente e em muitas direções o pequeno califado territorial do Daesh [o autoproclamado Estado Islâmico] que ainda resta”. “Os EUA atacarão novamente a partir da base próxima existente se ele [o Daesh] se reformar”, prometeu, antes de ameaçar a Turquia e mencionar a criação de “uma zona segura de 20 milhas [32 quilómetros]”.

Curdos: aliados de Washington e terroristas para Ancara

Num segundo tweet, Trump disse que também não quer que “os curdos provoquem a Turquia”. “A Rússia, o Irão e a Síria têm sido os maiores beneficiários da política americana de longo prazo de destruição do Daesh na Síria. Nós também beneficiamos mas é tempo de trazer as nossas tropas de volta para casa”, escreveu ainda, antes de apelar ao fim das “guerras intermináveis”.

As forças dos EUA têm lutado ao lado das Unidades de Proteção Popular, uma organização armada curda, contra o Daesh no norte da Síria. No entanto, a Turquia considera que aquelas unidades são terroristas. Prometendo esmagar o grupo curdo, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, já expressou o seu desagrado pelo apoio americano.

No mês passado, o inesperado anúncio da retirada imediata das cerca de duas mil tropas americanas da Síria provocou mudanças na Administração Trump e críticas dos aliados. O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, encontra-se atualmente em Riade, capital da Arábia Saudita, como parte de um périplo pelo Médio Oriente para tranquilizar os aliados dos Estados Unidos na região.

Pompeo pede a Riade atualização sobre Khashoggi

No fim de semana, Pompeo disse ter conversado por telefone com o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlüt Çavuşoğlu, afirmando-se “otimista” com a possibilidade de chegar a um acordo com a Turquia para proteger os combatentes curdos, apesar de não ter apresentado detalhes sobre o entendimento.

Falando em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, Pompeo esclareceu que os EUA reconhecem “o direito do povo turco e de Erdogan de defender o seu país de terroristas”. “Também sabemos que aqueles que têm lutado ao nosso lado todo este tempo merecem igualmente ser protegidos”, acrescentou.

Em Riade, Pompeo deverá discutir o Irão e os conflitos no Iémen e na Síria, além de pedir uma atualização sobre o assassínio do jornalista saudita Jamal Khashoggi. O jornalista, crítico dos governantes da Arábia Saudita, foi morto num consulado saudita em Istambul no início de outubro do ano passado.