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Cesare Battisti, o fugitivo italiano que se tornou escritor de sucesso

MIGUEL SCHINCARIOL/AFP/Getty Images

O fugitivo, procurado por quatro homicídios durante os anos de 1970, foi extraditado depois de ter sido detido no sábado na Bolívia. Em 1979, Battisti foi condenado por pertencer ao grupo de extrema-esquerda ilegalizado em Itália mas, dois anos depois, escapou da prisão. Andou evadido pelo México, França, Brasil e Bolívia e tornou-se escritor de romances policiais

O antigo militante comunista italiano Cesare Battisti, procurado por quatro homicídios durante os anos 1970 e capturado no sábado na Bolívia, chega esta segunda-feira a Roma. Segundo as autoridades, o fugitivo de 64 anos foi extraditado depois de ter sido detido na cidade de Santa Cruz de La Sierra numa operação policial internacional.

Após uma fuga da prisão em Itália, Battisti viveu vários anos no Brasil mas desapareceu novamente depois de um mandado de prisão ter sido emitido no mês passado.

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, confirmou que Battisti foi entregue às autoridades italianas e que um avião fretado tinha partido da Bolívia. “O avião com Cesare Battisti acabou de descolar em direção a Itália. Estou orgulhoso e comovido”, escreveu no Twitter.

Da mesma forma, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, mostrou-se “satisfeito” com o resultado que o país “aguardava há muitos anos”. No Facebook, Conte agradeceu às autoridades bolivianas e ao Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, pela “cooperação efetiva” que levou à captura de Battisti.

Battisti foi preso por uma equipa especial da Interpol no sábado, por volta das 17h locais (21h em Lisboa) numa rua de Santa Cruz de La Sierra. Estava sozinho e usava óculos escuros e uma barba falsa, de acordo com o jornal italiano “Corriere della Sera” e com um vídeo publicado pela polícia italiana no Twitter momentos antes da prisão. Battisti não resistiu nem tentou escapar, segundo as autoridades.

O político Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente brasileiro, disse a Salvini via Twitter: “O Brasil já não é uma terra de bandidos. O ‘pequeno presente’ está a chegar.”

Em outubro do ano passado, o então candidato presidencial Jair Bolsonaro reafirmava no Twitter, em português e em italiano, o seu “compromisso de extraditar o terrorista Cesare Battisti, amado pela esquerda brasileira, imediatamente em caso de vitória nas eleições”.

O fugitivo que se tornou escritor de sucesso

Em 1979, Battisti foi condenado por pertencer a um grupo de extrema-esquerda ilegalizado em Itália, os Proletários Armados pelo Comunismo (PAC, no acrónimo em italiano). Dois anos depois, escapou da prisão. Mais tarde, viria a ser condenado na sua ausência por responsabilidade direta ou indireta em quatro homicídios.

Desde que escapou da prisão, tornou-se um escritor de romances policiais de sucesso.

Battisti admite ter feito parte dos PAC mas nega responsabilidade nos homicídios. Depois de se evadir da prisão italiana, fugiu para o México. A partir de 1990, viveu em França, onde o então Presidente François Mitterrand recusou a extradição.

O italiano chegou ao Brasil em 2004. Em novembro de 2009, o plenário do Supremo Tribunal Federal autorizou a extradição pedida por Itália. No entanto, no último dia do seu mandato, a 31 de dezembro de 2010, o então Presidente Lula da Silva negou a extradição e autorizou Battisti a permanecer no Brasil.

No mês passado, voltou a desaparecer depois de um mandado de prisão ter sido emitido.