Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Grécia. Demissão do ministro da Defesa leva Tsipras a pedir voto de confiança no Governo

COSTAS BALTAS/Reuters

Panos Kammenos esteve sempre contra o acordo para a renomeação do vizinho balcânico como República do Norte da Macedónia e agora retira o apoio ao chefe do Governo. A demissão do líder nacionalista leva Alexis Tsipras a pedir um voto de confiança no seu Governo

A Grécia entra em crise interna com a demissão de Panos Kammenos, o ministro de Defesa e líder do partido nacionalista que faz parte da coligação governativa liderada por Alexis Tsipras. Kammenos decidiu retirar o seu apoio ao primeiro-ministro anunciando a sua demissão este domingo.

A razão adiantada pelo ministro foi o acordo firmado por Atenas para pôr fim a uma disputa de décadas segundo o qual o vizinho balcânico, até agora designado por FYROM, Former Yugoslav Republic of Macedonia, passaria a chamar-se República do Norte da Macedónia.

“A questão da Macedónia, uma questão pela qual milhares morreram, não me permite não sacrificar o posto de ministro”, declarou o líder dos Gregos Independentes, partido de direita populista e nacionalista, neste domingo, após conversações com Tsipras.

O primeiro-ministro grego, que estava em vias de resolver a mais antiga disputa diplomática do mundo, respondeu à demissão do seu ministro pedindo um voto de confiança no seu Governo e abrindo um debate de dois dias já na próxima terça-feira.

Este abalo do Executivo grego surge dois dias após Zoran Zaev, o primeiro-ministro macedónio, ter granjeado o apoio do Parlamento para pôr em vigor a histórica alteração de nome acordada em Skopje há um ano. O acordo prevê que o país passará de FYROM a República do Norte da Macedónia, uma alteração que tem ainda de ser ratificada pelo Parlamento grego, depois de ter sido aprovada pelo Parlamento macedónio na passada sexta-feira.

O embróglio diplomático tem consequências sérias já que, uma vez aprovada a nova designação do país, a República do Norte da Macedónia poderá então dar início às conversações de acesso à Nato e à União Europeia.

Quer Tsipras quer Kammenos fizeram questão de declarar publicamente que fôra o facto de pertencerem a famílias políticas diferentes e não um diferendo pessoal que esteve na origem da presente cisão entre os dois políticos.