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Andaluzia. “Administração paralela” alimentava 3405 postos de trabalho fantasmas

Europa Press News/ Getty Images

A socialista Susana Díaz prepara a transição da administração da Andaluzia que vai passar, ao fim de 36 e meio de socialistas no poder, para o Partido Popular e para os Cidadãos. “Chiringuitos” e “boys” somavam gastos astronómicos não contabilizados mantidos em segredo até agora

O Partido Popular (PP) e o Cidadãos (Cs) querem lançar uma auditoria ao que acaba de ser revelado pelo governo interino andaluz da socialista Susana Díaz. O segredo do setor público foi mantido oculto durante anos: há 3405 funcionários não contabilizados e 148 contratos de gestão em empresas e organismos públicos na administração daquela região, escreve o diário “El Mundo” neste domingo.

A chamada “administração paralela”, que agora é revelada, é constituída por uma complexa rede de empresas públicas, fundações e agências que têm servido aos socialistas para colocarem os chamados chiringuitos ou boys, distribuindo influência e privilégios.

É o próprio gabinete do porta-voz para o governo da Andaluzia que, “após anos de opacidade”, emite um documento em que se analisam os pontos mais polémicos desta administração.

O relatório revela que 270.101, ou seja, 10,1% dos empregos existentes assalariados do Concelho, pertencem a uma “administração paralela” dividida pelas áreas da administração geral, saúde, ensino e justiça.

Há mais empregados do que se julgava, revela a investigação do governo em exercício liderado por Susana Díaz. Nas listas dos sindicatos constavam 24 mil empregos, a câmara da Andaluzia contava 23.899 e as listas resultantes desta investigação revelam 27.304, ou seja, mais 3405 do que os consignados nas contas públicas.

Trata-se de “funcionários fantasmas” que nunca foram ao seu posto de trabalho e que constituíram até agora um segredo praticamente impossível de abordar pela União de Funcionários da Andaluzia, que foi obrigada a ir a tribunal e litigar ao longo de anos para obter a lista dos membros reais no Concelho eficazmente ocultada pela administração socialista.

Luis Guerreiro, membro da executiva do PSOE em Málaga, e António Torres, o ex-prefeito socialista histórico de Lebrija, Sevilha, são exemplos desses "fantasmas". O primeiro foi supostamente durante três anos o diretor do Centro Andaluz de Flamenco e nunca apareceu no escritório. O segundo cobrou 535 mil euros a uma fundação da Câmara ao longo de 11 anos sem nunca ter ido trabalhar.

Ainda segundo o “El Mundo”, o que o PP e os Cs pretendem agora é fazer uma “auditoria abrangente” à Câmara de Contas da Andaluzia de “todos os gastos do Concelho”, incluindo “salários, despesas correntes e transferências”.