Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

A dois dias da votação do acordo para o Brexit May exorta deputados a fazerem "o que é certo para o país"

FACUNDO ARRIZABALAGA/EPA

Aproxima-se o momento-chave do processo de saída do Reino Unido da União Europeia. A primeira-ministra pede aos deputados que votem o acordo que anda a negociar com Bruxelas há 17 meses. O líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, aproveita para pedir uma moção de censura a Theresa May

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O Parlamento birtânico vai votar nesta terça-feira o acordo negociado pelo Governo para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). É um momento-chave no processo sobre o qual a primeira-ministra diz: “Rejeitar o acordo de Brexit seria uma catastrófica e imperdoável quebra de confiança”.

A apenas dois dias do voto nos Comuns do acordo que tem vindo a negociar com Bruxelas há 17 meses, Theresa May escreve neste domingo um artigo no “Sunday Express” no qual apela aos deputados para que façam “o que é certo para o país”.

O líder da oposição está empenhado em mostrar essa desconfiança. Jeremy Corbyn concentra esforços para convencer os deputados a votarem uma moção de censura à chefe de Governo cujo acordo de Brexit o líder dos trabalhista considera “não ter esperança”, cita o britânico “The Guardian”.

“É a maior e mais importante decisão que qualquer deputado da nossa geração será convidado a tomar”, enfatiza May no “Sunday Express”, avisando de seguida que “se o Parlamento não se unir e apoiar este acordo no interesse nacional, corremos o risco de sair sem qualquer acordo, com toda a incerteza relativa a empregos e à segurança que isso trará”.

Outro cenário seria uma maioria de deputados opor-se à ausência de acordo, bloqueando a saída da UE, o que seria, afirma May, uma “violação catastrófica e imperdoável da confiança na nossa democracia”.

O “acordo da primeira-ministra”, como é frequentemente descrito, foi negociado com o objetivo de permitir uma saída ordenada, mantendo uma relação económica e política próxima com o bloco europeu.

O documento define os termos da saída do Reino Unido da UE, incluindo uma compensação financeira de 39 mil milhões de libras (44 mil milhões de euros), os direitos dos cidadãos e um mecanismo para manter a fronteira da Irlanda do Norte com a República da Irlanda aberta se as negociações para um novo acordo não forem concluídas até ao final de dezembro de 2020, data em que acaba o período de transição.

Inclui também uma declaração política não vinculativa sobre as relações futuras com as linhas gerais para negociar um futuro acordo comercial, que preconiza uma parceria económica e uma cooperação estreita em matéria de justiça e segurança.

O principal ponto de discórdia é a solução de salvaguarda para a província britânica da Irlanda do Norte, conhecida por backstop, que é contestada tanto por adeptos como por opositores ao ‘Brexit’ devido ao risco de deixar o pais "indefinidamente" numa união aduaneira sem poder sair unilateralmente.

Batatas quentes

Para apaziguar os 10 deputados do aliado Partido Democrata Unionista (DUP), da Irlanda do Norte, o Governo divulgou na semana passada uma proposta para consultar a assembleia autónoma daquele território em Belfast antes de ativar o mecanismo.

Porém, o DUP desvalorizou a oferta considerando-a "cosmética e vazia" porque a assembleia não teria poder para anular as obrigações legais internacionais do Reino Unido.

Até terça-feira, o Governo espera ainda poder apresentar garantias adicionais da UE de que a solução de salvaguarda será temporária, as quais prometeu que iria pedir quando adiou o voto do acordo em dezembro perante a perspetiva de derrota.

Bruxelas mantém que não vai reconsiderar o que está escrito no acordo nem mostrou abertura para renegociar, o que poderá limitar o impacto que a primeira-ministra deseja que estas tenham para convencer mais deputados a apoiá-la.