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Candidato da oposição Félix Tshisekedi declarado vencedor das eleições presidenciais na RDC

LUIS TATO/AFP/Getty Images

Os resultados provisórios colocam-no à frente, com cerca de 38,5% dos votos, do outro candidato da oposição Martin Fayulu e do candidato apoiado pelo partido no poder, Emmanuel Shadary. Fayulu descartou os resultados, dizendo que não têm “nada a ver com a verdade”. Tshisekedi prometeu fazer da luta contra a pobreza a sua prioridade

O candidato da oposição Félix Tshisekedi foi declarado vencedor das eleições presidenciais de 30 de dezembro na República Democrática do Congo (RDC). Os resultados provisórios, divulgados nas primeiras horas desta quinta-feira pela comissão eleitoral, colocam-no à frente, com sete milhões de votos, do outro candidato da oposição Martin Fayulu (com 6,4 milhões) e do candidato apoiado pelo partido no poder, Emmanuel Shadary (4,4 milhões).

Tshisekedi recebeu cerca de 38,5% dos votos com uma taxa de participação a rondar os 48%. Se for confirmado, Tshisekedi será o primeiro candidato da oposição a vencer desde que o país se tornou independente da Bélgica em 1960. Após vários adiamentos das eleições, o atual Presidente, Joseph Kabila, abandona o cargo depois de quase duas décadas no poder. Kabila tinha prometido que a consulta eleitoral seria a primeira transferência ordenada de poder na República Democrática do Congo desde a independência.

O antigo magnata do petróleo Fayulu descartou os resultados, dizendo que não têm “nada a ver com a verdade”. Na terça-feira, tinha alertado a comissão eleitoral para não “disfarçar a verdade”, acrescentando que os resultados “não são negociáveis” e que “o povo congolês já os conhece”.

Tshisekedi é filho do veterano líder da oposição Étienne Tshisekedi, que foi primeiro-ministro do país em três breves períodos nos anos 1990, e prometeu fazer da luta contra a pobreza a sua prioridade.

Alegações de manipulação de votos e violência

Na quarta-feira, a polícia antimotim foi mobilizada para a capital, Kinshasa, por causa do receio de violência após a divulgação dos resultados.

As eleições foram marcadas por alegações de manipulação de votos. A Igreja Católica, muito influente no país, destacou 40 mil observadores para a votação e alertou que houve irregularidades.

Após as eleições, os serviços de Internet e de mensagens de texto foram interrompidos para, segundo o Governo, evitar a disseminação de resultados não oficiais.

O atual Presidente, Joseph Kabila, assumiu o lugar do seu pai assassinado, Laurent, em 2001 e, desta vez, ficou impedido de concorrer a um outro mandato ao abrigo da Constituição. Kabila deveria ter renunciado em 2016 mas as eleições foram adiadas porque a comissão eleitoral disse que precisava de mais tempo para registar os eleitores.