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Governo francês recusa repor imposto sobre as fortunas para acalmar coletes amarelos

IAN LANGSDON / EPA

“Os atos 5, 6 e 7 não levarão a lado nenhum”, afirmou este domingo Bruno Le Maire. O oitavo sábado consecutivo de manifestações desde o início dos protestos em França ficou marcados por episódios de violência

O ministro das Finanças francês comparou este domingo o movimento dos coletes amarelos, que já vai no oitavo ato - isto é, no oitavo sábado consecutivo de protestos - a uma peça de teatro. E deixou a garantia, segundo a “Bloomberg”, de que não irá recuar em decisões emblemáticas como a abolição do imposto sobre a fortuna que os coletes amarelos consideram que deve ser restituído. “Os atos 5, 6 e 7 não levarão a lado nenhum”.

Para Bruno Le Maire, “uma boa peça [de teatro] é uma peça em três atos”, afirmou este domingo em entrevista à rádio Europe1. “Tem um primeiro ato, uma manifestação de expetativas, da inquietude de muitos franceses que pedem justiça, que eu compreendo. Esse primeiro ato foi ouvido, porque as exigências eram legítimas”.

Sobre o segundo ato diz que foi “ouvido pelo Presidente da República, com as respostas que disponibilizou a esses pedidos. As respostas foram coerentes com os apelos de justiça, de reconhecimento e de revalorização do trabalho”. Recorde-se que o Governo apresentou em dezembro um pacote de medidas para acalmar os manifestantes, no qual estava incluída a suspensão, durante seis meses, de um novo aumento de impostos sobre os combustíveis e a subida das taxas da electricidade e do gás.

“E depois há um terceiro ato, o do debate”, continua. “Quero que o maior número de franceses se apropriem desse debate e participem no diálogo.”

O ministro das Finanças apela assim “ao fim da violência, das manifestações, ao regresso da calma e da unidade da nação francesa”. Pedindo o respeito pela democracia e pela “representação do povo soberano”, Le Maire acredita que estes direitos são quebrados pela “violência extrema”. E aponta o dedo “às forças que tentam simplesmente deitar abaixo a democracia, que pensam que os representantes do povo apenas se representam a si mesmos”.

Esses manifestantes “apropriam-se do povo francês”, sublinha. “Dizem: ‘nós somos o povo francês’. Não, são uma minoria do povo francês e, em democracia, a maioria decide.”

Crescimento económico mantém-se, acredita

Mesmo com os protestos dos “coletes amarelos”, Le Maire está confiante em relação às previsões de crescimento do Governo. E acredita que a previsão de um crescimento de 1,7% em 2019 é realista, embora as manifestações dos coletes amarelos tenham retirado, no último trimestre do ano, 0,1% ao crescimento económico francês.

Para o ministro das finanças, é a nível internacional que parecem estar as maiores preocupações e riscos para a evolução da economia francesa. “Estamos ainda a contar com um crescimento de 1,7% em 2019, mas tenho que reconhecer que todo o clima internacional é tenso”, sublinha.

Neste campo, acredita que as principais ameaças para o próximo ano são a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e, na Europa, as incertezas associadas à saída do Reino Unido da União Europeia.