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Deputados britânicos querem poder escolher “o seu tipo de Brexit” preferido se o acordo de May não passar

OLI SCARFF/GETTY

Os deputados conservadores estão a pensar numa forma de terem mais influência no processo de saída do Reino Unido da União Europeia e uma dessas formas, que foi avançada na manhã desta segunda-feira por alguns responsáveis do partido, é dar aos deputados um voto nas “alternativas” possíveis ao acordo de May, se esse acordo não passar no Parlamento. Uma dessas opções é a possibilidade de um segundo referendo

Ana França

Ana França

Jornalista

cada vez mais deputados conservadores - e até alguns dos seus ministros - a pedir que Theresa May permita a cada deputado expressar o seu “tipo de Brexit preferido”, caso o acordo com Bruxelas não passe no Parlamento.

Greg Clark, ministro do Comércio, disse que este voto seria uma forma de resolver o impasse que se avizinha. “Os deputados têm que ser mais proativos, de uma forma ou de outra o Parlamento tem de parar de ser apenas um crítico do acordo”, disse Clark ao programa “Today” da BBC4. O ministro acrescentou que “encontrar coisas das quais não se gosta [nos acordos] todos conseguimos fazer” mas “agora é preciso que cada um de nós se veja como participante responsável.” Outros nomes podem vir, em breve, a sugerir que o Parlamento tem direito de “moldar” as opções através de uma série de votos “não definitivos”. O ministro da Educação, Damian Hinds, e o ministro do Comércio Internacional, Liam Fox, já deram indicações nesse sentido.

Hinds, segundo o "Financial Times", disse estar aberto à ideia de “drenar” o Parlamento das várias opções, que poderiam incluir um Brexit sem acordo, o acordo de May ou um segundo referendo. Hinds terá avançado com esta ideia numa chamada em conferência com May e outros ministros que apoiaram a sua posição, incluindo o ministro das Finanças, Philip Hammond, de quem chega, de resto, a outra notícia do dia no que ao Brexit diz respeito.

Numa publicação na rede social Twitter, Hammond deu a entender que as preparações para um cenário de saída sem acordo estão em marcha, e já não é uma marcha lenta. Serão alocados mais 4,2 mil milhões de libras (€4,6 mil milhões) para este “potencial” cenário. Quase ao mesmo tempo, um dos porta-vozes de Theresa May disse que a saída “dura” é uma possibilidade.

Theresa May vai também explicar aos seus deputados os seus esforços, em grande medida falhados, de convencer Bruxelas da premência das suas exigências em relação à fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda. Em partes do seu discurso previsto para esta segunda-feira, publicados pela imprensa britânica, nota-se a relutância de May em deixar em cima da mesa a hipótese de um segundo referendo. “Vamos tentar não quebrar com o povo britânico, oferecendo um novo referendo. Um novo voto traria danos irreparáveis à integridade da política porque enviaria um sinal àqueles que confiaram na nossa democracia de que ela não entrega de volta ao povo aquilo que o povo escolheu”, lê-se nos excertos publicados pelo diário “The Guardian”.

Clark disse que preferia que os deputados “simplesmente apoiassem o acordo de May” mas, prevendo as dificuldades, pediu “um acordo” porque “não é possível continuar com esta incerteza.” “Considero que o Parlamento deveria ser chamado a dizer com que tipo de acordo estaria confortável porque o que as empresas que visito a semana toda esperam essa responsabilidade da parte dos deputados, e não apenas críticas”, disse o governante sem, contudo, apoiar a realização de um novo referendo. “Um dos problemas com um segundo referendo é que iria prolongar essa instabilidade por muito mais meses”, defendeu Clark.

Apesar da pressão por parte de ativistas, organizações cívicas, petições, e mesmo por parte dos próprios deputados conservadores ao Brexit, e consequente defesa de um segundo referendo, Downing Street continua a ser a casa do ceticismo. Theresa May quer continuar a lutar para que o “travão” incluído no acordo com vista a que as “Irlandas” não tenham uma fronteira física, seja um mecanismo temporário e não um que mantenha todo o Reino Unido “ligado” às leis da União Europeia por tempo indeterminado. Esta estratégia foi totalmente rejeitada por Bruxelas e todos os altos dirigentes da UE já disseram que nada irá mudar no acordo.