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Crónica: Em França, os “casseurs” fazem parte da paisagem

Há décadas que Daniel Ribeiro, jornalista e correspondente do Expresso, vive em França. Nesta crónica, traz-nos o seu olhar sobre os tumultos dos ‘coletes amarelos’

É espantoso, mas é verdade. A violência dos casseurs (vândalos) é vista como algo quase normal pelos franceses, que estão muito habituados a conviver com ela. No que me diz respeito, os casseurs estão ligados à minha vida de jornalista. Desde 1980, quando cheguei a França, vi poucas grandes manifestações — e segui muitas — que não acabassem em tumultos mais ou menos graves, por vezes até com mortos.

Neste aspeto — e isso surpreendeu-me —, os protestos sociais, em França, são muito diferentes dos de Portugal, onde predominam os balões, os sons da ‘Grândola Vila Morena’, os apitos, os cartazes e, no fim, os discursos dos líderes sindicais, bem como “finos”, tremoços e umas bifanas entre camaradas.

Em França, ouve-se também, por vezes, ‘Le Chant des Partisans’ em alguns desfiles, mas os casseurs nunca estão muito longe. Quando eles entram em ação a música é desligada. Os sindicalistas enrolam as bandeiras e os cartazes e deixam-nos sozinhos no terreno para os confrontos com a polícia. É quase sempre assim. São geralmente jovens extremistas políticos, mas também podem ser apenas vândalos ou mesmo simplesmente ladrões que querem servir-se nas lojas que assaltam no meio do caos.

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