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Primeiro-ministro canadiano nega intervenção política na prisão da diretora financeira da Huawei

Jerome Favre/Bloomberg/Getty Images

Meng Wanzhou foi detida no sábado no aeroporto de Vancouver na sequência de um pedido de extradição dos EUA. A China exige a libertação, classificando a prisão como uma violação dos direitos humanos. A Huawei afirma não ter conhecimento de qualquer irregularidade. A trégua comercial EUA-China, conseguida no dia da detenção, pode estar em risco

O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, disse esta quinta-feira que o seu Governo não teve qualquer intervenção política na prisão da diretora financeira da empresa de telecomunicações chinesa Huawei, Meng Wanzhou.

Meng, filha do fundador da empresa, foi detida no sábado no aeroporto de Vancouver na sequência de um pedido de extradição dos EUA. A China exige a sua libertação, classificando a prisão como uma violação dos direitos humanos. As acusações não foram tornadas públicas e a Huawei afirma que “não tem conhecimento de qualquer irregularidade”.

Esta sexta-feira, Meng deverá ser ouvida para o possível pagamento de uma fiança. A sua prisão surge num momento delicado das relações comerciais entre os Estados Unidos e a China. A responsável foi detida no mesmo dia em que os Presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, estavam reunidos na cimeira do G20 na Argentina e alcançaram uma trégua temporária na disputa comercial.

China exige conhecer razões da detenção e pede libertação imediata

Os relatos iniciais sugeriam que a prisão de Meng, que só foi revelada pelas autoridades canadianas na quarta-feira, poderia estar relacionada com uma investigação dos Estados Unidos sobre uma possível violação das sanções contra o Irão. Alguns países ocidentais temem que Pequim tenha acesso à rede móvel de quinta geração e a outras redes de comunicação através da Huawei, ampliando a sua capacidade de espionagem. A empresa insiste que não há controlo do Governo.

Um porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores já disse que “a detenção sem que seja apresentado qualquer motivo viola os direitos humanos de uma pessoa”. “Fizemos declarações solenes ao Canadá e aos EUA, exigindo que ambas as partes clarifiquem imediatamente as razões da detenção e libertem imediatamente a detida para proteger os seus direitos legais”, acrescentou.

Em comunicado, a Huawei informou que cumpriu “todas as leis e regulamentos aplicáveis onde opera, incluindo as leis e regulamentos de controlo de exportação e sanções das Nações Unidas, EUA e União Europeia”.